Hábitos saudáveis e controle de fatores de risco podem prevenir até 80% das doenças cardiovasculares

A prevenção das doenças cardiovasculares envolve medidas adotadas antes do surgimento de sintomas. Atividade física regular, alimentação equilibrada, controle da pressão arterial, acompanhamento do colesterol, abandono do tabagismo e monitoramento de doenças como diabetes estão entre as ações associadas à redução do risco cardiovascular. O alerta integra as ações do Setembro Vermelho, mês instituído no Brasil para ampliar a conscientização sobre as doenças cardiovasculares.

A cardiologista Carla Suely De Paula, do Hospital Universitário Onofre Lopes, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Huol-UFRN/HU Brasil), orienta que parte dos problemas cardiovasculares está relacionada à aterosclerose, processo caracterizado pelo acúmulo de placas nas artérias. Entre as condições que exigem atenção estão doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca, arritmias, doenças das válvulas cardíacas, acidente vascular cerebral (AVC) e aneurismas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a maioria das doenças cardiovasculares pode ser prevenida por meio do controle de fatores de risco comportamentais e ambientais, como tabagismo, alimentação inadequada, obesidade, inatividade física e uso nocivo de álcool. A entidade também destaca a importância da detecção precoce para que medidas de acompanhamento e tratamento sejam iniciadas.

Hipertensão, colesterol e diabetes podem não apresentar sintomas

Entre os principais fatores de risco modificáveis estão hipertensão arterial, colesterol elevado, diabetes, tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade e sedentarismo. Histórico familiar, idade e predisposição genética também devem ser considerados no acompanhamento de saúde.

A hipertensão merece atenção porque pode permanecer sem sintomas durante períodos prolongados. O Ministério da Saúde considera pressão alta os valores de pressão arterial iguais ou superiores a 140/90 mmHg, e aponta a condição como um dos principais fatores de risco para AVC, infarto, aneurisma e insuficiência cardíaca. A aferição regular é uma das formas de identificar o problema.

O colesterol elevado também pode contribuir para o desenvolvimento da aterosclerose. De acordo com informações do Ministério da Saúde, alterações nos níveis de colesterol estão associadas ao aumento do risco de AVC, doença coronariana e outros eventos cardiovasculares, especialmente quando combinadas a fatores como obesidade, hipertensão, diabetes, tabagismo e sedentarismo.

Atividade física e alimentação fazem parte da prevenção

As orientações reunidas pelo HU Brasil indicam pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada. A recomendação é acompanhada pela adoção de alimentação com frutas, verduras, legumes e proteínas magras, além da redução do consumo de sal, açúcares e gorduras. Essas medidas contribuem para o controle do peso, da pressão arterial e do colesterol.

O Ministério da Saúde também recomenda atividade física regular, manutenção do peso adequado, redução do consumo de sal, abandono do tabagismo, moderação no consumo de álcool, controle do diabetes e alimentação equilibrada como medidas relacionadas à prevenção e ao controle da hipertensão.

Outro aspecto citado pela cardiologista é o impacto de estresse crônico, jornadas intensas de trabalho, noites mal dormidas e distúrbios do sono sobre a saúde cardiovascular. A médica também alerta para o uso de cigarros eletrônicos e anabolizantes, associando essas práticas a riscos cardiovasculares. Essas observações integram a orientação apresentada pelo HU Brasil durante o Setembro Vermelho.

Sinais de infarto e AVC exigem atendimento imediato

Reconhecer os sinais de emergência é parte importante da prevenção de complicações. Em casos de infarto, os sintomas podem incluir dor ou pressão no peito, desconforto que se espalha para braço, pescoço ou mandíbula, falta de ar, suor frio, náusea e sensação de desmaio.

No AVC, os sinais podem aparecer de maneira súbita e incluem alteração da fala, perda de força ou sensibilidade em um lado do corpo, desvio da boca, alterações visuais e dificuldade para caminhar ou manter o equilíbrio. Diante desses sintomas, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente.

A rapidez no atendimento é relevante porque o tempo entre o início dos sintomas e a chegada ao serviço de saúde influencia as possibilidades de tratamento e o risco de sequelas. Por isso, sinais compatíveis com infarto ou AVC não devem ser aguardados em casa na expectativa de que desapareçam.

Acompanhamento médico deve considerar fatores individuais

Mesmo pessoas sem sintomas podem apresentar fatores de risco cardiovasculares. Por isso, o acompanhamento deve considerar pressão arterial, colesterol, diabetes, peso, histórico familiar, idade, tabagismo, atividade física e outros aspectos clínicos.

A orientação divulgada pelo HU Brasil recomenda avaliações periódicas e aponta acompanhamento cardiológico anual a partir dos 40 anos para homens e dos 50 anos para mulheres, especialmente quando existem fatores de risco ou histórico familiar. A frequência das consultas e dos exames, porém, deve ser definida conforme as características e necessidades de cada pessoa.

A prevenção também deve começar antes do aparecimento de complicações. A OMS destaca que intervenções sobre fatores comportamentais e ambientais podem reduzir o risco cardiovascular e que a identificação precoce permite iniciar medidas de controle quando necessário.

Setembro Vermelho amplia conscientização sobre doenças cardiovasculares

No Brasil, a Lei nº 14.747/2023 instituiu setembro como o Mês de Conscientização sobre as Doenças Cardiovasculares. A legislação também estabeleceu semanas temáticas relacionadas a diferentes doenças do coração, com o objetivo de ampliar a informação e a conscientização sobre prevenção e cuidados cardiovasculares.

A mobilização está relacionada ao Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro. Informações da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde apontam que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo e destacam fatores como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, excesso de peso, sedentarismo, tabagismo, estresse e sono inadequado.

O percentual de 80% associado à prevenção aparece na comunicação do HU Brasil e também em materiais da OMS e da Biblioteca Virtual em Saúde. A OMS informa que 80% dos fatores de risco de doenças cardíacas prematuras, AVC e diabetes podem ser prevenidos, enquanto materiais da saúde pública brasileira registram que 80% das mortes cardiovasculares prematuras são evitáveis.

A orientação central do Setembro Vermelho é, portanto, baseada em medidas contínuas: acompanhar fatores de risco, manter hábitos saudáveis, realizar avaliações de saúde e reconhecer rapidamente os sinais de emergência. A adoção dessas práticas não elimina todos os riscos, especialmente aqueles relacionados a idade, genética e histórico familiar, mas integra as estratégias de prevenção das doenças cardiovasculares.


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