Salvador, quinta-feira (06/08/2026) – O colesterol elevado pode permanecer sem sintomas enquanto alterações nas artérias se desenvolvem ao longo dos anos, aumentando o risco de doenças cardiovasculares, infarto e acidente vascular cerebral (AVC). No Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, celebrado neste sábado (08/08/2026), o cardiologista e professor da Afya Salvador, Marçal de Oliveira Huoya, alerta para a importância da prevenção e do acompanhamento médico antes do surgimento de complicações.
Segundo dados citados pelo especialista, aproximadamente 40% da população brasileira apresenta alterações no colesterol. O problema está relacionado a múltiplos fatores, que incluem predisposição genética, alimentação, sedentarismo, obesidade, hipertensão arterial, diabetes, tabagismo e envelhecimento.
As doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte no Brasil. Dados do Ministério da Saúde apontam cerca de 400 mil mortes anuais por doenças cardiovasculares no país. O número também é utilizado por órgãos públicos de saúde para dimensionar o impacto das enfermidades que afetam o coração e o sistema circulatório.
Colesterol pode evoluir sem sintomas
De acordo com Marçal Huoya, o processo de formação das placas de aterosclerose pode começar ainda nas primeiras décadas de vida e avançar de acordo com fatores genéticos e comportamentais. Como a evolução geralmente não provoca manifestações perceptíveis, a pessoa pode permanecer sem saber que apresenta alterações no metabolismo das gorduras.
O cardiologista explica que o processo pode comprometer progressivamente vasos responsáveis pela circulação sanguínea em diferentes órgãos. Entre as possíveis consequências estão infarto do miocárdio, AVC e doença renal, além de outras complicações associadas à obstrução vascular.
A ausência de sintomas não significa ausência de risco. Por isso, o acompanhamento periódico e a realização de exames fazem parte das estratégias de identificação precoce de alterações cardiovasculares. O Ministério da Saúde mantém protocolo específico para dislipidemia, condição que envolve alterações nos níveis de lipídios no sangue e está relacionada à prevenção de eventos cardiovasculares.
Fatores de risco vão além da alimentação
A alimentação exerce influência sobre os níveis de colesterol, especialmente quando há consumo frequente de frituras, alimentos ultraprocessados e fontes de gorduras saturadas. Entretanto, segundo o cardiologista, esses fatores devem ser analisados em conjunto com outras condições individuais.
Entre os fatores associados ao risco cardiovascular estão hereditariedade, hipertensão, diabetes, dislipidemia, excesso de peso, sedentarismo, tabagismo, envelhecimento e estresse. A presença simultânea de diferentes fatores pode aumentar a necessidade de acompanhamento médico.
Dados do Vigitel divulgados pelo Ministério da Saúde em 2026 mostram que o excesso de peso entre adultos nas capitais brasileiras chegou a 62,6%, enquanto a obesidade alcançou 25,1%, segundo os dados apresentados no material que acompanha a reportagem. O Vigitel é uma pesquisa anual utilizada pelo Ministério da Saúde para monitorar fatores de risco e proteção relacionados às doenças crônicas não transmissíveis.
Exame de sangue permite identificar alterações
O acompanhamento preventivo é apontado pelo especialista como uma das formas de identificar alterações antes do desenvolvimento de complicações. Um exame de sangue realizado durante avaliação clínica pode verificar os níveis de colesterol e outras características do perfil lipídico.
A avaliação também deve considerar o histórico familiar. Casos de colesterol elevado, infarto precoce, AVC, hipertensão, diabetes e obesidade na família podem representar informações relevantes para a análise individual do risco cardiovascular.
O diagnóstico e o tratamento devem ser definidos por profissionais de saúde, considerando os resultados dos exames, histórico clínico e demais fatores de risco. A estratégia do Ministério da Saúde para doenças cardiovasculares inclui promoção da saúde, prevenção, rastreamento, diagnóstico precoce e estratificação do risco cardiovascular na atenção primária.
Mudanças de hábitos contribuem para o controle
Para o cardiologista da Afya Salvador, a prevenção do colesterol elevado envolve mudanças no estilo de vida. Entre as medidas citadas estão a prática regular de atividade física e a adoção de uma alimentação equilibrada, além do controle de condições como hipertensão, diabetes e obesidade.
A redução do consumo de alimentos ultraprocessados e de preparações com excesso de gorduras saturadas pode fazer parte das mudanças alimentares. A orientação, entretanto, deve ser individualizada conforme as necessidades e condições de saúde de cada pessoa.
A prevenção das doenças cardiovasculares também é tema de iniciativas locais. Em Feira de Santana, unidades da rede municipal realizaram ações de orientação sobre colesterol alto, alimentação saudável e atividade física durante a mobilização do Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol em 2025.
Prevenção cardiovascular envolve acompanhamento contínuo
O colesterol elevado não deve ser analisado isoladamente. A avaliação do risco cardiovascular considera a combinação de fatores clínicos, histórico familiar, hábitos de vida e resultados laboratoriais.
Segundo Marçal Huoya, identificar alterações antes do aparecimento de complicações permite adotar medidas para reduzir o risco cardiovascular. O controle da pressão arterial, da glicemia e dos níveis de lipídios, associado à prática de exercícios e à alimentação adequada, integra esse processo.
A importância do acompanhamento preventivo também aparece em políticas públicas de saúde. O Ministério da Saúde utiliza sistemas como o Vigitel e o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) para monitorar fatores de risco, doenças crônicas e indicadores de mortalidade.
Dia Nacional reforça atenção ao colesterol
O Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, celebrado em 8 de agosto, amplia a discussão sobre uma condição que pode permanecer assintomática e contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
Para a população, a recomendação central é não esperar o surgimento de sintomas para procurar avaliação. A identificação de fatores de risco, a realização de exames quando indicados e a adoção de hábitos saudáveis fazem parte das estratégias de prevenção.
A orientação do especialista reforça que controle do colesterol, acompanhamento médico e redução dos fatores de risco devem ser considerados de forma contínua, especialmente para pessoas com histórico familiar ou outras condições associadas às doenças cardiovasculares.
Share this:
- Print (Opens in new window) Print
- Email a link to a friend (Opens in new window) Email
- Share on X (Opens in new window) X
- Share on Facebook (Opens in new window) Facebook
- Share on LinkedIn (Opens in new window) LinkedIn
- Share on WhatsApp (Opens in new window) WhatsApp
- Share on Telegram (Opens in new window) Telegram


Deixe um comentário