Colesterol alto: alimentação, atividade física e acompanhamento nutricional

O colesterol alto pode evoluir sem apresentar sintomas durante anos e aumentar o risco de doenças cardiovasculares, incluindo infarto e acidente vascular cerebral (AVC). No Dia Nacional de Combate ao Colesterol, celebrado neste sábado (08/08/2026), o Conselho Regional de Nutrição da 5ª Região (CRN-5) reforça a importância da alimentação equilibrada, da atividade física e do acompanhamento profissional para prevenir e controlar alterações nos níveis de colesterol.

Segundo o material divulgado pelo CRN-5, cerca de quatro em cada dez brasileiros apresentam colesterol elevado, conforme estudo citado no Brazilian Journal of Health Review. A orientação é incorporar hábitos preventivos à rotina antes mesmo do surgimento de alterações nos exames ou de manifestações clínicas.

A nutricionista fiscal do CRN-5, Cecília Rios, explica que o colesterol elevado é considerado uma condição silenciosa porque sua evolução pode ocorrer sem dor ou sinais perceptíveis. De acordo com a profissional, a concentração elevada de colesterol pode favorecer o depósito de placas nas paredes das artérias e aumentar o risco cardiovascular.

Alimentação influencia os níveis de colesterol

Embora fatores genéticos também possam interferir nas concentrações de colesterol, o padrão alimentar exerce papel relevante na prevenção e no controle do problema. O consumo frequente de alimentos ultraprocessados e de fontes de gorduras saturadas está associado ao aumento do colesterol LDL, enquanto alimentos ricos em fibras e gorduras insaturadas podem contribuir para a melhora do perfil lipídico.

Entre os alimentos citados pela nutricionista estão aveia, psyllium, sementes de linhaça, abacate, azeite de oliva e peixes. Esses alimentos fornecem fibras ou gorduras insaturadas que podem integrar uma alimentação voltada à saúde cardiovascular.

A recomendação não significa eliminar um único alimento ou adotar restrições generalizadas. Segundo Cecília Rios, a avaliação deve considerar o padrão alimentar como um todo, além da interação entre características genéticas, nutrientes e compostos bioativos presentes nos alimentos.

Mudanças simples podem fazer parte da rotina

A prevenção do colesterol elevado pode começar por alterações graduais nos hábitos cotidianos. Entre as recomendações apresentadas pelo CRN-5 estão reduzir o consumo de frituras, retirar a gordura aparente das carnes, substituir manteiga e margarina por azeite de oliva, optar por laticínios desnatados e aumentar o consumo de peixes.

O material também orienta reduzir o consumo de bebidas alcoólicas e manter uma rotina de atividade física. A combinação entre alimentação adequada, exercício, controle do peso e acompanhamento profissional integra as estratégias de prevenção das doenças cardiovasculares.

A orientação pode ser adotada desde a infância, principalmente quando existe histórico familiar de colesterol elevado. A nutricionista ressalta, contudo, que mudanças de hábitos podem ser incorporadas em qualquer fase da vida, com adequação às necessidades individuais.

Acompanhamento nutricional permite avaliação individualizada

O acompanhamento com nutricionista pode contribuir para identificar fatores de risco e estabelecer estratégias alimentares compatíveis com as características de cada pessoa. A avaliação considera informações clínicas, antropométricas, dietéticas e laboratoriais, quando disponíveis.

De acordo com Cecília Rios, a avaliação nutricional individualizada permite identificar possíveis riscos genéticos, desenvolver estratégias alimentares baseadas em alimentos minimamente processados e ricos em fibras, acompanhar exames laboratoriais e auxiliar no controle do peso.

O CRN-5 informa que o nutricionista possui atribuições relacionadas à promoção da saúde, educação alimentar e nutricional e assistência nutricional, conforme sua área de atuação.

Colesterol não deve ser associado a um único alimento

Um dos pontos destacados pela nutricionista é a necessidade de evitar interpretações isoladas sobre alimentos específicos. O exemplo citado é o ovo, frequentemente relacionado ao aumento do colesterol em discussões sobre alimentação.

Segundo Cecília Rios, não é adequado atribuir alterações do colesterol LDL exclusivamente a um alimento, pois o resultado depende do padrão alimentar e de outros fatores, incluindo características genéticas e a composição geral da dieta.

A prevenção cardiovascular, portanto, envolve um conjunto de comportamentos. Alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do peso, abandono do tabagismo e acompanhamento profissional estão entre as medidas apontadas no material para reduzir fatores associados ao risco cardiovascular.

Prevenção deve começar antes dos sintomas

O caráter silencioso do colesterol elevado reforça a importância do acompanhamento periódico. Como a alteração pode não provocar sintomas perceptíveis, a identificação por meio de avaliação clínica e exames laboratoriais pode ocorrer antes de eventuais complicações.

A prevenção também integra ações de saúde pública realizadas em municípios baianos. Em Feira de Santana, por exemplo, unidades da rede municipal promoveram em agosto de 2025 atividades de orientação sobre colesterol, alimentação saudável e prevenção de doenças cardiovasculares.

O tema também aparece em iniciativas relacionadas à saúde cardíaca no município. Em 2026, a Câmara de Feira de Santana aprovou proposta para uma Semana de Cuidados com o Coração, contemplando temas como colesterol elevado, sedentarismo, obesidade, tabagismo e alimentação inadequada.

A principal orientação apresentada no Dia Nacional de Combate ao Colesterol é que a prevenção não depende de uma mudança isolada. A adoção contínua de hábitos alimentares adequados, a prática de exercícios e o acompanhamento de profissionais de saúde podem contribuir para o controle dos fatores de risco cardiovascular.


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