Anvisa alerta sobre uso inadequado de preenchedores

 A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou em 2026 um alerta sobre os riscos relacionados ao uso de preenchedores dérmicos fora das indicações previstas nas Instruções de Uso. O Informe de Segurança GGMON nº 01/2026 aborda complicações associadas à aplicação desses produtos em regiões anatômicas ou volumes diferentes daqueles para os quais foram autorizados.

Entre os produtos mencionados estão ácido hialurônico, hidroxiapatita de cálcio, ácido poli-L-láctico e PMMA. Segundo o documento citado no texto-base, esses materiais possuem indicações específicas e foram avaliados considerando determinadas condições de utilização. O emprego fora dessas orientações pode elevar a possibilidade de eventos adversos.

A Anvisa orienta que a utilização de preenchedores considere as condições clínicas do paciente e as indicações aprovadas para cada produto, além da comunicação prévia sobre riscos e possíveis complicações. Entre os eventos mencionados no alerta estão oclusão vascular, alterações visuais e embolia pulmonar, entre outras ocorrências.

Avaliação médica deve considerar condições individuais

Na avaliação do Dr. Octávio Guarçoni, médico citado no texto-base e responsável pela Guarçoni Health Center, a necessidade de uma avaliação individualizada se estende aos procedimentos estéticos em geral. Segundo ele, a indicação deve considerar a queixa apresentada, mas também aspectos relacionados à anatomia, qualidade dos tecidos, histórico clínico, medicamentos em uso e procedimentos anteriores.

O especialista ressalta que pacientes que procuram o mesmo procedimento podem apresentar condições distintas. Dessa forma, características anatômicas, qualidade da pele, quantidade de tecido, histórico de intervenções e condições clínicas devem ser analisados antes da definição da conduta.

O histórico de procedimentos anteriores também pode interferir na avaliação. Preenchimentos, cirurgias, cicatrizes, fibroses e alterações decorrentes de aplicações anteriores podem modificar as características da região que será tratada e precisam ser considerados no planejamento de uma nova intervenção.

Quando o paciente não consegue informar qual produto foi utilizado anteriormente ou relata várias aplicações na mesma área, a análise pode exigir maior cautela. O texto destaca ainda a recomendação da Anvisa para que o paciente informe ao profissional sobre o uso prévio de outros preenchedores, contribuindo para o planejamento do procedimento.

Expectativas sobre resultados influenciam decisão

Outro aspecto considerado na indicação é a expectativa do paciente em relação ao resultado. Uma técnica pode ser clinicamente considerada adequada, mas não atender ao resultado pretendido quando aquilo que o paciente espera não corresponde ao que pode ser obtido por meio da intervenção.

Nesse contexto, a consulta deve permitir o esclarecimento sobre o que pode ser modificado, os limites da técnica e os resultados que podem ser alcançados. A avaliação das expectativas também pode evitar que uma intervenção seja realizada quando o resultado desejado não for compatível com a capacidade do procedimento.

Segundo Guarçoni, alinhar essas expectativas antes da intervenção integra o processo de decisão. Para o médico, quando o resultado esperado não pode ser alcançado pela técnica considerada, a realização do procedimento pode resultar em insatisfação e estimular a procura por novas intervenções.

A avaliação também deve identificar condições clínicas que possam aumentar riscos ou exigir o adiamento do procedimento. Doenças preexistentes, determinados medicamentos, infecções ou inflamações na região tratada, alterações cutâneas e outras condições podem interferir na decisão sobre a realização da intervenção.

Decisão pode envolver realização, adiamento ou não intervenção

A maior oferta e procura por procedimentos estéticos não elimina a necessidade de avaliação individual. Cada intervenção ocorre em tecidos que podem ter sido submetidos anteriormente a aplicações ou cirurgias, circunstância que pode alterar a anatomia e influenciar o planejamento de novas abordagens.

Por esse motivo, a decisão médica pode envolver diferentes condutas, como realizar o procedimento, adiá-lo, optar por outra técnica ou não realizar a intervenção, conforme as condições identificadas durante a avaliação.

O texto-base destaca que a recusa de uma intervenção também pode integrar a conduta médica. Quando a avaliação aponta que os riscos podem superar os benefícios esperados, que a anatomia não favorece determinada técnica ou que o resultado pretendido não pode ser alcançado dentro de parâmetros considerados seguros, a não realização pode ser indicada.

O alerta da Anvisa reforça, especificamente no caso dos preenchedores dérmicos, a importância de seguir as indicações autorizadas, avaliar as condições individuais e informar o paciente sobre riscos e possíveis complicações. A orientação coloca a avaliação prévia e o uso conforme as instruções aprovadas como elementos centrais para a utilização desses produtos.


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