Professora da rede pública da Bahia lança livro na USP e destaca educação antirracista e memória de Maria Felipa

A professora e pesquisadora Lucineide Santos Vieira, conhecida como professora Lucyy Vieira, participa do lançamento do livro “Letramento Racial na USP: um percurso” neste sábado (04/07/2026), às 14h, no Museu das Favelas, em São Paulo. A publicação reúne experiências e reflexões sobre o letramento racial desenvolvidas no âmbito do programa USP-Escola e conta com a participação de educadores de diferentes estados brasileiros.

A docente é a única autora baiana da coletânea organizada pelo professor Raimundo Nonato da Silva Filho, que reúne textos de 20 autores. No capítulo “Letramento Racial no USP-Escola: um aquilombamento pedagógico”, Lucyy Vieira apresenta experiências construídas ao longo de sua atuação como professora da rede pública estadual da Bahia e pesquisadora da educação para as relações étnico-raciais.

Mestra em Educação e Contemporaneidade pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), a pesquisadora também é especialista em História da África e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. Sua atuação está voltada para a educação antirracista, a formação de professores, a valorização das histórias e culturas afro-brasileiras e indígenas e a implementação das Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008.

Obra reúne experiências sobre letramento racial e formação de educadores

O livro apresenta reflexões desenvolvidas por educadores participantes do programa USP-Escola, iniciativa voltada ao fortalecimento do diálogo entre universidade e educação básica. Segundo Lucyy Vieira, o interesse pelo tema surgiu a partir das experiências vivenciadas em sala de aula.

De acordo com a autora, a prática pedagógica evidenciou a necessidade de desenvolver estratégias que possibilitassem aos estudantes uma compreensão crítica sobre racismo estrutural, desigualdades raciais e valorização das identidades negras. Ela afirma que a participação no programa desde 2023 ampliou as discussões sobre educação antirracista e contribuiu para a construção das reflexões apresentadas na obra.

A professora destaca que o principal objetivo do capítulo é compartilhar experiências pedagógicas que possam contribuir para a formação crítica dos estudantes e fortalecer o debate sobre equidade racial no ambiente escolar.

Pesquisadora também é autora de livro sobre Maria Felipa

Além da participação na nova coletânea, Lucyy Vieira é autora do livro “Maria Felipa: a heroína negra, entre silenciamentos e resistências”, resultado de sua pesquisa de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade (PPGEduc/UNEB).

A obra foi publicada pela Editora África e Africanidades e lançada durante a Bienal do Livro da Bahia, abordando a trajetória de Maria Felipa, reconhecida por sua atuação durante a Independência do Brasil na Bahia.

Segundo a pesquisadora, participar do lançamento nacional representa uma oportunidade de ampliar a circulação da produção acadêmica desenvolvida por professores da rede pública estadual e fortalecer a presença da Bahia nas discussões sobre educação antirracista.

Evento em Salvador homenageia Maria Felipa durante o Julho das Pretas

Além das atividades acadêmicas, Lucyy Vieira é responsável pela 3ª edição da Ocupação da Praça Maria Felipa, localizada ao lado do Mercado Modelo, no bairro do Comércio, em Salvador.

A programação será realizada nesta sexta-feira (03/07/2026), das 15h30 às 17h30, como parte das atividades do Julho das Pretas 2026, reunindo movimentos sociais, educadores, artistas e ativistas em homenagem à memória de Maria Felipa, personagem ligada à Independência do Brasil na Bahia.

O evento contará com roda de conversa, sarau, cortejo cultural e homenagens ao monumento dedicado à heroína, com foco na valorização de sua memória e no reconhecimento da participação das mulheres negras na história brasileira.


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