Uma exposição de Arpilleras acompanhada do lançamento de um livro sobre o rompimento da barragem de Fundão será realizada em Salvador na quarta-feira (11/03/2026), como parte da Jornada de Lutas do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). A atividade acontece à noite na Biblioteca Central da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e reúne manifestações artísticas e debate sobre impactos de grandes empreendimentos.
A programação apresenta a exposição “Mulheres Atingidas: Bordando Direitos”, composta por 22 Arpilleras, peças artesanais produzidas por mulheres atingidas por barragens de diferentes regiões da Bahia e de outros estados brasileiros. O evento também contará com visita guiada e participação de mulheres responsáveis pelas obras.
A mostra permanece aberta ao público até 18 de março, ampliando o acesso às narrativas produzidas pelas comunidades atingidas por barragens e fortalecendo ações de memória e debate público.
Exposição reúne peças produzidas por mulheres atingidas por barragens
As Arpilleras são obras têxteis confeccionadas com retalhos de tecido, bordados e aplicações, utilizadas para representar experiências sociais e coletivas. As peças apresentadas na exposição retratam histórias de violações de direitos, perdas territoriais, impactos ambientais e processos de mobilização comunitária.
Produções desse tipo já foram exibidas em espaços culturais no Brasil e no exterior, incluindo o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) e mostras realizadas em cidades da Áustria. A exposição em Salvador reúne trabalhos que refletem experiências vividas por mulheres atingidas por barragens em diferentes territórios.
Além da dimensão artística, as peças funcionam como registro histórico e instrumento de denúncia, ao transformar experiências coletivas em representações visuais que preservam a memória das comunidades afetadas.
Técnica tem origem em mobilização de mulheres no Chile
A técnica das Arpilleras tem origem no Chile e foi utilizada por mulheres durante a ditadura de Augusto Pinochet. Naquele contexto, os bordados eram empregados para denunciar desaparecimentos, violência política e violações de direitos humanos.
No Brasil, a prática foi incorporada por mulheres atingidas por barragens como forma de expressão coletiva, organização social e registro de impactos socioambientais relacionados à construção de empreendimentos hidrelétricos.
Com o tempo, as Arpilleras passaram a integrar atividades culturais, exposições e processos educativos, sendo utilizadas em ações de mobilização social e construção de memória coletiva.
Livro analisa gestão dos impactos do rompimento da barragem de Fundão
Durante o evento também será lançado o livro “Imprensados no tempo da crise: a gestão das afetações no desastre da Samarco (Vale e BHP Billiton)”, da pesquisadora Flávia Amboss. A obra analisa os processos de gestão das consequências sociais e humanas após o rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em Mariana (MG) em 2015.
O desastre envolveu a mineradora Samarco, controlada pelas empresas Vale e BHP Billiton, e provocou impactos ambientais e sociais em diversas localidades da bacia do Rio Doce.
A autora do livro, Flávia Amboss, foi professora e morreu após um atentado ocorrido em uma escola na cidade de Aracruz (ES). A publicação discute formas institucionais de gestão dos impactos e as experiências vividas pelas populações atingidas.
Programação integra arte, memória e debate social
A atividade cultural integra a Jornada de Lutas do MAB e busca aproximar arte, reflexão acadêmica e experiências das comunidades atingidas por barragens. A iniciativa reúne produção artística, debate público e circulação de pesquisas sobre conflitos socioambientais.
Ao apresentar as Arpilleras e o lançamento do livro, o evento promove visibilidade às narrativas das mulheres atingidas, que utilizam o bordado como meio de registro de experiências coletivas e reivindicação de direitos.
A programação também estimula o diálogo entre estudantes, pesquisadores, movimentos sociais e público interessado em discutir os impactos sociais, ambientais e territoriais relacionados à construção de barragens.


Deixe um comentário