A artista visual e escritora Gleciara Ramos realiza visitas guiadas com contação de histórias aos domingos, às 15h, no Museu de Arte da Bahia (MAB), no Corredor da Vitória, em Salvador. A programação integra a exposição “Iramaia e o Encontro das Águas”, que permanece aberta ao público até 19 de julho de 2026 com entrada gratuita.
Durante o encontro com visitantes, a artista apresenta detalhes do processo criativo da exposição e dos 13 contos inspirados em mitos amazônicos relacionados à Lua. A mostra reúne instalações de bordados e tessituras, além de um livro e um documentário produzidos a partir de uma pesquisa iniciada em 2018.
O projeto percorreu territórios da Amazônia, Bahia e Andes Peruanos, investigando narrativas originárias, cosmogonias e relações entre memória, ancestralidade e produção artística.
Exposição apresenta instalações, livro e documentário sobre culturas originárias
A exposição “Iramaia e o Encontro das Águas” é formada por uma série de trabalhos desenvolvidos a partir das pesquisas da artista sobre histórias e símbolos relacionados aos povos originários. As obras incluem sete instalações em bordados e tecituras intituladas “Roupas da Terra” e uma videoinstalação com o documentário “Pachamama, a mãe do Tempo e Espaço, que nos ensina a tecer nossas Roupas da Terra”.
O material audiovisual foi registrado pelo cinegrafista e cineclubista Luís Sérgio Brito Nascimento, conhecido como Sérgio Zumby, com edição realizada por Gleciara Ramos. O documentário reúne imagens das localidades visitadas durante a investigação artística.
A pesquisa deu origem também ao livro “Iramaia e o Encontro das Águas”, composto por dois volumes: “Jacy Waurá (Espelhos da Lua)” e “Jacy Epóma (Escutas da Lua)”. O termo Iramaia, de origem Tupi, significa Abelha Rainha e é utilizado pela artista como referência à potência coletiva do feminino.
Segundo Gleciara Ramos, as tessituras utilizadas na exposição funcionam como formas de registro e transmissão de conhecimentos construídos por gerações.
Pesquisa artística reúne oito anos de investigação entre diferentes territórios
O desenvolvimento do projeto ocorreu entre 2018 e 2026, com investigações em regiões amazônicas, na Bahia e nos Andes Peruanos. Um dos pontos de partida foi o Espelho da Lua, lago localizado em Nhamundá, na fronteira entre Pará e Amazonas, associado a narrativas sobre as Icamiabas.
A artista relata que a pesquisa envolveu mitos sobre a Lua e estudos sobre territórios e comunidades originárias. O trabalho busca estabelecer relações entre histórias ancestrais e discussões presentes na sociedade contemporânea.
“Este conhecimento construído e tecido ancestralmente dialoga com a contemporaneidade, ao trazer bordados como uma tecnologia ancestral para dentro de museus”, afirmou Gleciara Ramos ao comentar a proposta da exposição.
As instalações utilizam materiais têxteis como elementos de construção narrativa. Para a artista, os bordados representam formas de escrita e preservação de memórias relacionadas às histórias familiares e coletivas.
Museu de Arte da Bahia recebe programação com participação da artista
As visitas guiadas conduzidas por Gleciara Ramos permitem ao público acompanhar diretamente as referências utilizadas na criação das obras. A programação ocorre todos os domingos, às 15h, durante o período da exposição.
O Museu de Arte da Bahia, localizado em Salvador, recebe a mostra com acesso gratuito. A iniciativa apresenta ao público uma produção que combina artes visuais, literatura, cinema e pesquisa cultural.
Além das instalações físicas, a exposição apresenta os textos derivados dos 13 contos bordados sobre a Lua, que integram o livro “Jacy Waurá”. A videoinstalação amplia a experiência da mostra ao registrar paisagens e elementos observados durante a pesquisa.
Trajetória da artista reúne artes visuais, cinema e educação
Nascida no Rio de Janeiro (RJ), Gleciara de Aguiar Ramos viveu parte da infância em Tabatinga (AM) e Vitória (ES), antes de se estabelecer em Salvador (BA), em 1989. A artista é formada pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Entre 2002 e 2004, atuou como professora substituta de Percepção Visual e Técnicas de Representação Gráfica na UFBA. Também possui formação em Arteterapia pelo Instituto Fênix de Humanidades, em Vitória, e cursa especialização em Arte Educação pela Escola de Belas Artes da UFBA.
A artista já apresentou trabalhos em Portugal e participou da 1ª Conferência Internacional de Tecnologias Sociais da Memória, realizada pelo Museu da Pessoa, em São Paulo. Sua produção inclui o livro independente “Nós Os Índios”, publicado em 2000.


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