O Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia) recebe, entre 9 de julho e 09 de agosto de 2026, a 3ª Mostra Etnomídia Indígena – Festival de Impressos Indígenas, iniciativa que reúne artistas, escritores e pesquisadores de diferentes povos originários em uma programação gratuita composta por exposição, feira de impressos, atividades formativas e encontros culturais. O evento é promovido pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) e busca ampliar o acesso à produção artística indígena contemporânea.
A abertura da mostra ocorre às 16h, com um bate-papo entre os artistas e escritores indígenas Thiago Tupinambá e Libério Boe, mediado por Naine Terena. A programação é aberta ao público mediante inscrição prévia nas atividades que possuem vagas limitadas.
Durante um mês, o festival apresenta obras que transitam entre artes visuais, literatura, moda e diferentes linguagens impressas, compreendidas como formas de expressão ligadas à memória, identidade, território e saberes ancestrais. A proposta também promove o diálogo entre visitantes e as múltiplas formas de produção cultural dos povos indígenas no Brasil.
Exposição reúne obras de diferentes povos indígenas
Entre os destaques da exposição está o painel “Jegua Marangatu” (Grafismo Sagrado), desenvolvido coletivamente pelos artistas Miguela Moura, do povo Guarani, e Edson Benites (Jepa Filho). A obra foi criada a convite da coordenadora-geral da mostra, Naine Terena, e do curador Gustavo Caboco.
O trabalho reúne grafismos sagrados que fazem referência à ancestralidade, à transmissão de conhecimentos entre gerações e ao fortalecimento dos encontros entre diferentes povos. A proposta busca aproximar o público de formas de comunicação que extrapolam a linguagem verbal.
Segundo Miguela Moura, a presença da produção artística indígena em museus amplia o reconhecimento dessas manifestações como formas de linguagem e produção de conhecimento. A artista destaca que os grafismos carregam significados e narrativas que também comunicam saberes tradicionais.
Expografia reproduz organização de uma aldeia Boe Bororo
Além das obras expostas, a própria organização do espaço foi concebida para proporcionar uma experiência baseada na cosmologia indígena. O projeto expográfico foi desenvolvido por Libério Uiagumeareu, Naine Terena e Gustavo Caboco.
A arquitetura do museu foi adaptada para reproduzir aspectos da organização social e territorial de uma aldeia do povo Boe Bororo. O objetivo é aproximar o visitante das formas de convivência, organização e construção de conhecimento presentes nas comunidades indígenas.
O espaço central da exposição, denominado Pa Muga, representa um ambiente de convivência entre indígenas e não indígenas. A proposta integra o conceito curatorial da mostra ao estimular novas formas de interação entre o público e as narrativas produzidas pelos povos originários.
Atividades formativas abordam mercado, literatura e produção cultural
Além da exposição, a programação contempla uma série de atividades formativas gratuitas, destinadas a artistas, pesquisadores, estudantes e interessados na temática.
Na sexta-feira (10/07/2026), das 15h às 18h, será realizada a oficina “Comunicação para Vendas e Posicionamento de Produtos Indígenas”, conduzida pelo jornalista da TVE Bahia e CEO da Recôncavo das Plantas, Jhonatã Gabriel.
Já no sábado (11/07/2026), das 13h às 15h, Gustavo Caboco e Jocelino Tupinikim ministram a atividade “Precificação de Obras Indígenas”. Na sequência, das 15h20 às 17h20, o crítico de arte, pesquisador e curador João Victor Guimarães apresenta o aulão “Em prol da permanência: uma reflexão sobre mercado para obras literárias e artes indígenas”.
As atividades exigem inscrição prévia por meio de formulário eletrônico disponibilizado pelo MAC_Bahia. A programação também inclui visitas mediadas à Ocupação ORIGEM, previstas para os dias 11 e 12 de julho, sempre às 16h, oferecendo ao público uma aproximação com o projeto curatorial da exposição.
Programação integra agenda cultural dos museus administrados pelo IPAC
A divulgação da mostra faz parte da programação cultural dos museus administrados pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), que inclui atividades no Museu de Arte da Bahia (MAB), Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, Parque Histórico Castro Alves e Memorial das Matriarcas Odé Kayodê.
Entre as atrações estão exposições permanentes e temporárias, feiras culturais, performances, clubes de leitura, sessões de cinema, oficinas e visitas mediadas distribuídas ao longo da semana.
No MAC_Bahia, a 3ª Mostra Etnomídia Indígena permanece aberta ao público até 09 de agosto, integrando a programação regular do museu, que funciona de terça-feira a domingo, das 10h às 18h, com entrada gratuita.


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