Com a aproximação do Carnaval de Salvador, profissionais da voz enfrentam uma rotina intensa de ensaios, apresentações consecutivas e exposição a altos níveis de ruído. Para atender a essa demanda, Salvador passa a contar com um serviço especializado de acompanhamento vocal e auditivo, coordenado pela fonoaudióloga Carolina Pamponet e dois médicos otorrinolaringologistas, com foco em cantores de alta performance durante o período de festas.
Segundo Carolina Pamponet, que atua há mais de 20 anos no preparo vocal de artistas, o período que antecede o Carnaval é crítico para a saúde da voz. Rouquidão persistente, pigarro, perda de extensão vocal e fadiga são sinais de alerta que indicam a necessidade de avaliação e cuidados específicos. A atuação integrada da fonoaudiologia e otorrinolaringologia permite avaliações frequentes, orientações individualizadas e intervenções rápidas, garantindo segurança e desempenho aos artistas.
O acompanhamento especializado surge em um contexto de alta exigência física e vocal, em que a música representa identidade cultural e motor econômico de Salvador. A atenção à saúde vocal e auditiva deixa de ser apenas individual e passa a ser considerada uma questão de saúde pública, reforçando a necessidade de prevenção e cuidados durante os eventos.
Cuidados com a voz durante o Carnaval
O período de verão apresenta fatores que impactam diretamente a laringue, como desidratação, noites mal dormidas, consumo de bebidas alcoólicas, choques térmicos e esforço vocal em ambientes ruidosos. Especialistas recomendam hidratação constante, evitar gritos e sussurros, falar em tom confortável, reduzir o consumo de álcool e manter pausas de descanso vocal, principalmente após longos períodos de uso da voz.
A rotina intensa de ensaios e apresentações exige atenção ao uso contínuo da voz, sendo indicado planejar pausas estratégicas para permitir recuperação e prevenção de lesões. Técnicas de aquecimento vocal, alongamento da musculatura cervical e postura adequada também são apontadas como medidas preventivas.
A fonoaudióloga reforça que o cuidado com a voz deve ser contínuo e monitorado, destacando que intervenções precoces evitam danos permanentes e contribuem para a longevidade da carreira de cantores e músicos.
Audição e proteção sonora
Além da voz, a audição está sob risco devido à exposição a sons intensos dos trios elétricos e instrumentos de percussão. Níveis acima de 85 decibéis por várias horas podem causar lesões irreversíveis na cóclea. Quem acompanha um trio elétrico a cerca de 50 metros está exposto a 96 decibéis, enquanto a proximidade do caminhão pode chegar a 120 decibéis, segundo dados da Sociedade Brasileira de Otologia.
Para reduzir riscos, os especialistas recomendam uso de protetores auriculares, manter distância mínima das caixas de som e evitar volume elevado em fones de ouvido. Mesmo que o desconforto auditivo desapareça após a festa, lesões podem se manifestar posteriormente, pois o corpo não regenera células auditivas danificadas.
O serviço especializado oferece acompanhamento contínuo e orientações personalizadas para cantores, músicos e profissionais próximos aos trios, visando preservar saúde vocal e auditiva, minimizar riscos e manter desempenho durante o Carnaval.


Deixe um comentário