O Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT5) sediou, nesta quarta-feira (29/10/2025), a solenidade de instalação do Osé/Oxé (Machado de Xangô), símbolo da justiça e da verdade na tradição iorubá. A iniciativa foi conduzida pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Bahia (OAB-BA), por meio da secretária-geral Cléia Costa, e contou com a presença de representantes do Ilê Axé Oxumarê, além de magistrados, advogados e lideranças religiosas.
Representatividade e diálogo entre fé e Justiça
A instalação do machado representa um ato simbólico de respeito à diversidade cultural e religiosa dentro do sistema jurídico brasileiro. O objeto sagrado foi entregue ao TRT5 após reuniões entre a OAB-BA, o terreiro Ilê Axé Oxumarê e a presidência do tribunal, sob a liderança de Jéferson Muricy, presidente do TRT5.
Estiveram presentes representantes do povo de santo, membros do Judiciário, advogados e autoridades da OAB-BA, reafirmando o compromisso das instituições com a promoção da igualdade e da inclusão religiosa nos espaços públicos e institucionais.
Significado do Machado de Xangô
O Machado de Xangô, formado por duas lâminas, simboliza a justiça divina e o equilíbrio nas decisões. Na tradição iorubá, Xangô é reconhecido como guardião da justiça e protetor dos desfavorecidos, princípios que dialogam com a missão do Poder Judiciário.
A advogada trabalhista e presidente da Comissão de Direitos Humanos do Instituto dos Advogados da Bahia (IAB), Christianne Gurgel, destacou o valor da cerimônia.
“Foi um momento de respeito à diversidade cultural e religiosa por parte tanto da OAB-BA quanto do TRT. Um ato que promoveu igualdade e diálogo entre as tradições”, afirmou.
Resgate da ancestralidade e valorização cultural
Na cultura iorubá, o machado duplo representa equilíbrio e neutralidade, valores essenciais nas cortes terrenas e celestiais presididas por Xangô. A presença do símbolo em um tribunal reforça a importância da justiça imparcial e o reconhecimento de expressões culturais afro-brasileiras como parte da identidade nacional.
A cerimônia consolida um avanço no reconhecimento da herança africana nas instituições públicas e reforça a importância do diálogo inter-religioso como instrumento de promoção de direitos humanos.


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