A exposição “3 Obás de Xangô” está em cartaz gratuitamente na nova unidade da CAIXA Cultural Salvador, no Pelourinho, com obras, documentos e registros de mais de 45 artistas das artes visuais, da música, da literatura e da fotografia. Inspirada no documentário homônimo dirigido por Sérgio Machado, a mostra parte da trajetória e da amizade de Jorge Amado, Carybé e Dorival Caymmi, que receberam o título de Obás de Xangô no Ilê Axé Opô Afonjá, para abordar relações entre arte, religiosidade, memória e identidade cultural na Bahia.
A visitação começou na quinta-feira (06/08/2026) e segue até domingo (06/12/2026), de terça-feira a domingo e nos feriados, das 9h às 18h, na Rua do Saldanha, nº 14, no Centro Histórico de Salvador. A entrada é gratuita.
Com curadoria de Tiago Sant’Ana, Mariana Vaz, Solange Bernabó e Gildeci Leite, a exposição amplia o foco para além dos três homenageados. A proposta curatorial inclui a participação da intelectualidade negra, das comunidades de axé e das lideranças femininas negras na preservação, organização e transmissão dos saberes afro-brasileiros.
Exposição relaciona Jorge Amado, Carybé e Dorival Caymmi ao universo de Xangô
Jorge Amado, Carybé e Dorival Caymmi constituem o ponto de partida da narrativa expositiva. Os três receberam o título de Obás de Xangô no Ilê Axé Opô Afonjá, vínculo que estabelece uma conexão entre suas trajetórias artísticas e o universo religioso e cultural abordado pela mostra.
A exposição, entretanto, não se restringe às biografias dos três artistas. A curadoria procura contextualizar suas produções dentro de uma rede formada por comunidades religiosas, intelectuais, artistas e lideranças negras, destacando a contribuição desses grupos para a construção e preservação de referências culturais associadas à Bahia.
Entre os temas apresentados estão o matriarcado nas religiões de matriz africana, os saberes das comunidades de axé, a simbologia de Xangô, a amizade entre os três homenageados e as transformações contemporâneas das expressões artísticas afro-brasileiras. A organização em núcleos temáticos articula obras, documentos e registros históricos de diferentes períodos e linguagens.
Mais de 45 artistas participam da mostra em diferentes linguagens
Nas artes visuais, a exposição apresenta trabalhos de nomes como Goya Lopes, Mario Cravo Neto, Mestre Didi, Rubem Valentim, Pierre Verger, Yedamaria, Ana Sant’Anna, Ani Ganzala, Ayrson Heráclito e Emanuel Araújo. O conjunto reúne diferentes gerações de artistas relacionados à produção cultural e às representações afro-brasileiras.
A programação também incorpora referências da música, entre elas Aguidavi do Jêje, BaianaSystem, Letieres Leite Quinteto, Margareth Menezes, Orquestra Afrosinfônica, Tiganá Santana e Olodum. Na literatura, estão presentes Alex Simões, Ana Maria Gonçalves, Hugo Canuto, Itamar Vieira Jr., Maysa Miranda e Ordep Serra.
A diversidade de linguagens permite que a exposição trate de memória, ancestralidade, religiosidade, identidade, território e representação da população negra por meio de diferentes formas de produção artística. A proposta também relaciona a trajetória dos três Obás a um contexto cultural mais amplo, no qual comunidades e lideranças religiosas participam da preservação de conhecimentos.
Mães de santo ocupam posição central na proposta curatorial
Um dos eixos da exposição é a atuação das mães de santo e de outras lideranças femininas negras. Segundo a curadoria, essas mulheres participaram da organização das comunidades de axé e da transmissão de conhecimentos entre gerações, contribuindo para a continuidade de tradições religiosas e culturais.
A mostra também apresenta as comunidades de axé como espaços de produção de conhecimento, conservação da memória e transmissão de referências culturais, além de ambientes de prática religiosa. Nesse contexto, o Candomblé é abordado como parte da formação histórica do imaginário cultural baiano.
A inspiração direta vem do documentário “3 Obás de Xangô”, dirigido por Sérgio Machado. A produção audiovisual aborda a relação entre Jorge Amado, Carybé e Dorival Caymmi, enquanto a exposição amplia essa perspectiva por meio da reunião de obras, documentos e registros de dezenas de artistas.
Nova unidade da CAIXA Cultural funciona no Centro Histórico de Salvador
A exposição marca o início das atividades da CAIXA Cultural Salvador – Unidade Pelourinho, instalada em um imóvel histórico localizado na Rua do Saldanha. O edifício possui 7.822,14 metros quadrados de área construída e ocupa um quarteirão do Centro Histórico de Salvador.
O imóvel abrigou o Liceu de Artes e Ofícios da Bahia por mais de 130 anos. Com a abertura da nova unidade, a CAIXA Cultural passa a manter dois espaços em funcionamento na capital baiana, uma vez que a unidade localizada na Rua Carlos Gomes continua com programação regular.
A nova estrutura está destinada à realização de exposições, atividades educativas, ações formativas e eventos culturais. A inauguração completa do conjunto ocupado pela CAIXA Cultural do Pelô está prevista para 2029, segundo informações divulgadas pela instituição.
Serviço: exposição “3 Obás de Xangô” no Pelourinho
- Exposição: “3 Obás de Xangô”
- Local: CAIXA Cultural Salvador – Unidade Pelourinho
- Endereço: Rua do Saldanha, nº 14, Pelourinho, Salvador (BA)
- Período: 06/08/2026 a 06/12/2026
- Horário: terça-feira a domingo e feriados, das 9h às 18h
- Entrada: gratuita
- Curadoria: Tiago Sant’Ana, Mariana Vaz, Solange Bernabó e Gildeci Leite
- Inspiração: documentário “3 Obás de Xangô”, de Sérgio Machado.


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