Durante audiência pública realizada na manhã desta sexta-feira (30/05/2025), no Edifício Bahia Center, mães atípicas, representantes de organizações da sociedade civil e da Defensoria Pública do Estado da Bahia se reuniram para cobrar políticas públicas efetivas e maior atenção dos governos municipal e estadual às demandas das famílias que cuidam de crianças com deficiências, síndromes raras e neurodivergências.
O evento foi conduzido pela vereadora Eliete Paraguassu (PSOL) e reuniu mães de diversas regiões de Salvador, que relataram desafios enfrentados na busca por atendimento em saúde, educação, transporte e inclusão social.
Apesar dos convites, nenhum representante da Prefeitura de Salvador compareceu, estando presente apenas um representante da Defensoria Pública do Estado.
Relatos e cobranças durante a audiência
“Esse espaço que a vereadora Eliete Paraguassu está proporcionando é crucial para conquistarmos políticas públicas de cuidado. Ao receber o diagnóstico de nossos filhos, percebemos a falta de suporte do município”, afirmou Tatiane Souza, mãe atípica e presidente do Centro Palmares de Estudos e Assessoria por Direitos.
Outro relato foi feito por Juliete Bonfim, moradora da Ilha de Maré, que destacou as dificuldades de deslocamento e inclusão.
“Já levei minha filha ao psicólogo, e a avaliação foi que quem precisava de acompanhamento era eu. As mães ficam sobrecarregadas, principalmente as que vêm das ilhas, sem suporte para transporte ou inclusão nas escolas”, declarou.
Propostas e encaminhamentos
As participantes sugeriram a informatização e descentralização dos serviços públicos, para garantir mais agilidade no acesso aos benefícios e aos direitos das pessoas com deficiência (PCDs) e seus responsáveis.
“O sistema é tão perverso com as cuidadoras que muitas vezes somos lembradas apenas em abril. Por quê? Porque não somos reconhecidas como mulheres e mães, mas pela deficiência de nossos filhos”, disse Fabiana Amorim, coordenadora de atipicidades do Centro Palmares e conselheira municipal da pessoa com deficiência.
Ao final da audiência, foi criada a proposta de formação de um grupo de trabalho permanente para acompanhar as demandas apresentadas e propor soluções práticas.
“Nosso mandato foi instigado a realizar esta audiência pública. Hoje saímos com um grupo formado e uma série de estratégias, incluindo a apresentação do Projeto de Lei nº 34472, que cria uma política de apoio à reinserção das mães atípicas no mercado de trabalho por até dois anos após o falecimento dos filhos com deficiência ou síndromes raras”, destacou Eliete Paraguassu.
Encerramento do evento
O encontro foi finalizado com a presença das crianças, que estavam em um espaço de acolhimento organizado pelo Mandato Popular das Águas em parceria com o Museu Nacional de Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), permitindo que as mães participassem integralmente dos debates.


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