Adolescentes de baixa renda na Europa enfrentam maiores riscos de obesidade

Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado em maio de 2024, revela disparidades significativas nos hábitos alimentares e níveis de atividade física entre adolescentes de diferentes origens socioeconômicas na Europa. O estudo, abrangendo dados de 44 países, destaca uma preocupante tendência de aumento do sobrepeso e obesidade, especialmente entre jovens de famílias de baixa renda.

Os alimentos processados, de baixo valor nutritivo, são facilmente acessíveis e amplamente comercializados, enquanto os alimentos nutritivos permanecem caros e inacessíveis para muitos. Essa situação contribui para a crescente prevalência de sobrepeso e obesidade entre adolescentes, considerados pela OMS como fatores de risco para diversas doenças não transmissíveis, incluindo cardiovasculares, diabetes e câncer.

O relatório revela que menos de dois em cada cinco adolescentes consomem frutas ou hortaliças diariamente, e esse número diminui com a idade. Em contrapartida, o consumo de doces e bebidas açucaradas continua alto, com um em cada quatro adolescentes relatando consumo diário de doces ou chocolates, uma tendência mais acentuada entre meninas. Embora o consumo diário de refrigerantes tenha apresentado uma leve queda desde 2018, ainda está presente em 15% dos adolescentes, com taxas mais elevadas entre meninos, particularmente aqueles de famílias menos abastadas.

Martin Weber, gerente do Programa de Saúde da Criança e do Adolescente da OMS/Europa, ressalta que “a acessibilidade de opções de alimentos saudáveis é muitas vezes limitada para famílias com renda mais baixa, levando a uma maior dependência de alimentos processados e açucarados”. Essa dependência tem efeitos prejudiciais na saúde dos adolescentes, aumentando os riscos de sobrepeso e obesidade.

O estudo aponta que a prevalência de sobrepeso e obesidade entre adolescentes aumentou de 21% em 2018 para 23% em 2022. As taxas são maiores entre os meninos, com 27%, em comparação com 17% entre as meninas. A disparidade socioeconômica é evidente, com 27% dos adolescentes de famílias mais pobres apresentando sobrepeso ou obesidade, contra 18% de seus pares mais ricos.

Esses dados sublinham a necessidade urgente de políticas públicas que abordem os fatores socioeconômicos subjacentes, promovendo uma alimentação saudável e acessível para todos os adolescentes. A OMS destaca a importância de iniciativas que aumentem a disponibilidade de alimentos nutritivos e incentivem hábitos alimentares saudáveis desde cedo.

Em Portugal, por exemplo, dietas pouco saudáveis e o aumento do sedentarismo têm contribuído para a obesidade infantil. A situação reflete uma tendência mais ampla na Europa, onde a obesidade entre adolescentes representa um crescente desafio de saúde pública. A OMS sugere que os governos e formadores de opinião adotem estratégias para combater essas tendências, promovendo uma melhor educação nutricional e acessibilidade a alimentos saudáveis.

A relação entre status socioeconômico e saúde dos adolescentes destaca a urgência de intervenções que possam mitigar as desigualdades. Ao priorizar a saúde nutricional dos jovens, é possível reduzir os riscos associados ao sobrepeso e obesidade, melhorando a qualidade de vida e perspectivas futuras dessa população vulnerável.

* Com informações Nações Unidas.


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