A exposição ‘3 Obás de Xangô’ já ultrapassou a marca de 5 mil visitantes na CAIXA Cultural Salvador – Unidade Pelourinho, no Centro Histórico da capital baiana. Inspirada no documentário homônimo dirigido por Sérgio Machado, a mostra reúne obras, documentos e registros históricos de mais de 45 artistas das artes visuais, da música, da literatura e da fotografia, com foco na memória, na religiosidade e na formação da identidade cultural da Bahia.
Com curadoria de Tiago Sant’Ana, Mariana Vaz, Solange Bernabó e Gildeci Leite, a exposição tem como ponto de partida a amizade entre Jorge Amado, Carybé e Dorival Caymmi, três personalidades que receberam o título de Obás de Xangô no Ilê Axé Opô Afonjá, terreiro de Candomblé localizado em Salvador.
A proposta curatorial amplia a abordagem sobre os três homenageados e destaca a participação das comunidades de matriz africana na construção do patrimônio cultural brasileiro. A programação especial anunciada para o feriadão integra a agenda da exposição, que também propõe uma reflexão sobre a contribuição de intelectuais, artistas e lideranças religiosas negras para a sociedade.
Exposição amplia o olhar sobre os três Obás de Xangô
A mostra articula arte, história e religiosidade a partir das trajetórias de Jorge Amado, Carybé e Dorival Caymmi. A relação entre os três artistas e o universo do Candomblé constitui o eixo central da exposição, que apresenta diferentes registros de suas contribuições para a cultura baiana.
Ao reunir trabalhos de mais de 45 artistas, a exposição estabelece conexões entre diferentes linguagens e períodos históricos. As obras e os documentos apresentados permitem observar como referências religiosas, tradições comunitárias e expressões artísticas afro-brasileiras participaram da construção do imaginário cultural da Bahia e do Brasil.
Segundo a curadoria, a proposta não se limita às trajetórias dos três homenageados. A exposição também busca evidenciar a intelectualidade negra e o papel das mães de santo na preservação, na organização e na transmissão dos conhecimentos afro-brasileiros, reconhecendo a contribuição dessas lideranças para a continuidade das tradições religiosas e culturais.
Candomblé e protagonismo feminino negro orientam a curadoria
Organizada em núcleos temáticos, a exposição aborda o matriarcado nas religiões de matriz africana, os saberes produzidos nas comunidades de axé, a simbologia de Xangô, a amizade entre os três Obás e as transformações contemporâneas das manifestações artísticas afro-brasileiras.
A presença das lideranças religiosas femininas constitui um dos eixos da narrativa expositiva. A curadoria procura deslocar o foco exclusivo das personalidades conhecidas para incluir as mulheres negras responsáveis pela manutenção de práticas religiosas, pela transmissão de conhecimentos e pela organização das comunidades de terreiro.
Essa perspectiva relaciona a produção artística à história social e religiosa da Bahia. Ao apresentar referências do Candomblé em diálogo com a literatura, a música, a fotografia e as artes visuais, a mostra evidencia a participação das tradições afro-brasileiras na formação cultural do país.
Mais de 45 artistas estão representados na mostra
Entre os nomes das artes visuais presentes na exposição estão Ana Sant’Anna, Ani Ganzala, Ayrson Heráclito, Emanuel Araújo, Goya Lopes, Mario Cravo Neto, Mestre Didi, Rubem Valentim, Pierre Verger e Yedamaria.
Na música, a seleção inclui Aguidavi do Jêje, BaianaSystem, Letieres Leite Quinteto, Margareth Menezes, Orquestra Afrosinfônica, Tiganá Santana e Olodum. A diversidade de artistas permite estabelecer relações entre diferentes gerações e formas de expressão musical ligadas à cultura afro-brasileira.
A literatura também integra o percurso expositivo, com nomes como Alex Simões, Ana Maria Gonçalves, Hugo Canuto, Itamar Vieira Jr., Maysa Miranda e Ordep Serra. A reunião dessas referências amplia o diálogo entre as linguagens artísticas e os conhecimentos históricos e culturais relacionados à exposição.
CAIXA Cultural amplia presença no Centro Histórico de Salvador
A CAIXA Cultural Salvador – Unidade Pelourinho integra a rede de espaços culturais da instituição na capital baiana, com áreas destinadas a exposições, atividades educativas, ações formativas e eventos culturais.
O edifício possui 7.822,14 metros quadrados de área construída e ocupa um quarteirão no Centro Histórico de Salvador. O imóvel também abrigou o Liceu de Artes e Ofícios da Bahia por mais de 130 anos, associando a atual função cultural à trajetória histórica do prédio.
A instituição mantém em funcionamento a unidade localizada na Rua Carlos Gomes, que continua com programação regular. Com a abertura do espaço no Pelourinho, a CAIXA Cultural passou a contar com dois endereços culturais em Salvador.
Serviço e informações para visitação
A exposição ‘3 Obás de Xangô’ está em cartaz na CAIXA Cultural Salvador – Unidade Pelourinho, no Centro Histórico da capital baiana. A mostra reúne arte, memória e religiosidade para abordar a amizade entre Jorge Amado, Carybé e Dorival Caymmi, além da participação das comunidades de axé e das lideranças femininas negras na preservação do patrimônio cultural afro-brasileiro.


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