Pesquisa revela que 1 em cada 3 brasileiros que conhecem o colesterol LDL não sabe relacioná-lo ao risco de infarto

Uma pesquisa encomendada pela Novartis ao Ipsos-Ipec mostra que o conhecimento sobre saúde cardiovascular ainda apresenta lacunas entre os entrevistados. Embora 78% afirmem já ter ouvido falar em colesterol LDL, apenas 54% reconhecem que níveis elevados estão associados ao aumento da chance de infarto, enquanto 36% não sabem avaliar essa relação.

Os dados fazem parte da edição de 2026 do levantamento sobre saúde cardiovascular, realizado em comparação com a primeira edição, de 2025. A pesquisa também investigou, pela primeira vez, o grau de conhecimento dos participantes sobre insuficiência cardíaca, incluindo sintomas, tratamento e percepção sobre a doença.

Outro resultado do levantamento indica que 63% dos entrevistados afirmam ter mudado algum hábito pensando preventivamente na saúde do coração. Entre essas pessoas, 68% relatam ter adotado uma alimentação considerada mais saudável e 64% afirmam ter iniciado a prática de atividade física.

Conhecimento sobre colesterol não acompanha compreensão dos riscos

Os resultados mostram uma diferença entre reconhecer o termo LDL e compreender sua relação com doenças cardiovasculares. Entre os entrevistados, 78% já ouviram falar no chamado colesterol LDL, mas pouco mais da metade, 54%, associa níveis elevados ao aumento da possibilidade de infarto.

Segundo a médica Maria Cristina Izar, professora da Disciplina de Cardiologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo e ex-presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, os dados indicam a necessidade de aproximar a informação sobre colesterol da rotina de acompanhamento da saúde.

A pesquisa também identificou mudança na percepção dos sintomas do infarto. A parcela que acredita que os sintomas são iguais para homens e mulheres caiu de 51% em 2025 para 44% em 2026. A informação integra a comparação entre as duas edições do levantamento.

Exame de colesterol é realizado por maioria dos entrevistados

O levantamento aponta que 79% dos participantes já fizeram exame de sangue para medir o colesterol. Entre aqueles que realizam o procedimento, 76% afirmam levar os resultados para avaliação médica, enquanto 62% dizem fazer isso sempre.

O comportamento é diferente entre os entrevistados que não costumam procurar um médico para interpretar os resultados. Nesse grupo, 57% afirmam analisar os números por conta própria, utilizando como referência os valores apresentados pelo laboratório no próprio exame.

Outros 37% procuram informações na internet para compreender os resultados e 18% relatam mostrar os exames a amigos ou familiares. Os dados indicam que a realização do teste não necessariamente resulta em avaliação profissional dos resultados.

A interpretação de exames deve considerar o conjunto de características e fatores de risco de cada pessoa, e não apenas os intervalos de referência apresentados no laboratório. A avaliação clínica individual é utilizada para definir a necessidade de investigação ou acompanhamento.

Insuficiência cardíaca passa a integrar pesquisa de 2026

A edição de 2026 acrescentou perguntas sobre insuficiência cardíaca, condição que, segundo o Ministério da Saúde, é crônica e está relacionada à incapacidade do coração de bombear sangue adequadamente ou de fazê-lo sob aumento das pressões de enchimento.

Entre os entrevistados, 83% afirmam já ter ouvido falar em insuficiência cardíaca. No entanto, a pesquisa identificou diferenças no reconhecimento dos sinais associados à condição.

O cansaço excessivo é associado à insuficiência cardíaca por 74% dos participantes que conhecem a doença, enquanto 72% citam a falta de ar. O inchaço nas pernas, tornozelos ou pés é mencionado por 48%. Esses sintomas estão entre os sinais descritos nas orientações do Ministério da Saúde para insuficiência cardíaca.

Tratamento contínuo é reconhecido pela maioria

Entre as pessoas que já ouviram falar em insuficiência cardíaca, 78% acreditam que o tratamento deve ser contínuo. Outros 8% entendem que o tratamento ocorre apenas durante determinado período, enquanto 14% não souberam responder.

O Ministério da Saúde caracteriza a insuficiência cardíaca como uma condição crônica e orienta acompanhamento e tratamento continuados. A avaliação dos sintomas, do histórico clínico e de exames complementares integra o processo de diagnóstico e acompanhamento.

A médica Maria Cristina Izar ressalta que sinais como falta de ar, cansaço e inchaço nas pernas e nos pés podem estar relacionados à insuficiência cardíaca, embora esses sintomas também possam ocorrer em outras condições. Por isso, a avaliação médica é necessária para determinar sua causa.

Prevenção cardiovascular envolve hábitos e acompanhamento

A pesquisa mostra que parte dos entrevistados relata mudanças de comportamento relacionadas à prevenção cardiovascular. Entre aqueles que afirmaram ter alterado hábitos, 68% mencionaram mudanças na alimentação e 64% a prática de atividade física.

O Ministério da Saúde relaciona a prevenção das doenças cardiovasculares à adoção de hábitos saudáveis e mantém orientações específicas para acompanhamento de pessoas com insuficiência cardíaca.

No caso do infarto, o Ministério da Saúde aponta colesterol elevado, sedentarismo, tabagismo e alimentação inadequada entre os fatores de risco. A orientação oficial também destaca que dor ou desconforto no peito, falta de ar, suor frio e sensação de desmaio podem ocorrer em um quadro de infarto, que requer atendimento médico imediato.

A pesquisa Ipsos-Ipec, portanto, identifica uma diferença entre a familiaridade da população com termos relacionados à saúde cardiovascular e a compreensão de seus possíveis impactos. Os dados de 2026 também ampliam o foco para a insuficiência cardíaca, indicando a presença de conhecimento sobre a doença, mas diferenças no reconhecimento de seus sinais e no entendimento sobre acompanhamento.


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