Afastamentos por transtornos mentais crescem 203% na Bahia

Levantamento apresentado durante a campanha Setembro Amarelo destaca a evolução dos registros relacionados à saúde mental e a necessidade de atenção às condições de trabalho.

A Bahia registrou crescimento de aproximadamente 203% nos benefícios previdenciários relacionados a transtornos mentais entre 2014 e 2024, segundo dados do SmartLab, plataforma desenvolvida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). O número passou de 5.020 benefícios concedidos em 2014 para 15.189 em 2024, em um cenário que amplia o debate sobre saúde mental, prevenção do suicídio e condições de trabalho durante o Setembro Amarelo.

O levantamento aponta aumento de 10.169 benefícios no período de dez anos. A evolução dos registros é apresentada como referência para a discussão sobre os impactos da pressão excessiva, do assédio organizacional, da sobrecarga de trabalho e da falta de suporte emocional nas empresas.

A médica do trabalho baiana Ana Paula Teixeira, autora do livro Quando o Trabalho Dói, defende que a saúde mental seja considerada nas estratégias de gestão das organizações. Para a especialista, a prevenção deve envolver a revisão de metas, o combate ao assédio e a construção de uma cultura baseada na escuta e no respeito.

Benefícios previdenciários por transtornos mentais aumentam na Bahia

Os dados do SmartLab apresentados no levantamento mostram que os benefícios previdenciários associados a transtornos mentais passaram de 5.020, em 2014, para 15.189, em 2024. O crescimento aproximado de 203% evidencia a diferença entre os registros dos dois anos.

A comparação considera os benefícios concedidos no sistema previdenciário, conforme os dados divulgados. O indicador permite acompanhar a evolução dos registros relacionados à saúde mental, mas não deve ser interpretado como equivalente ao número total de trabalhadores com transtornos mentais.

A série apresentada também não permite, isoladamente, determinar as causas do crescimento. Fatores relacionados ao reconhecimento dos casos, às condições de trabalho e aos critérios de concessão dos benefícios precisam ser considerados em análises específicas.

O aumento dos registros ocorre em um contexto de maior atenção à saúde mental no ambiente profissional. A discussão envolve a identificação de situações que podem afetar o bem-estar dos trabalhadores e a adoção de medidas preventivas pelas organizações.

Pressão e assédio são apontados como fatores de atenção

Segundo Ana Paula Teixeira, muitas organizações ainda avaliam o desempenho dos trabalhadores principalmente pelos resultados, sem considerar suficientemente os efeitos que as condições de trabalho podem produzir sobre a saúde mental.

A médica cita pressão excessiva, assédio organizacional, sobrecarga de trabalho e falta de suporte emocional entre os fatores que devem ser observados pelas empresas. A avaliação dessas condições faz parte do debate sobre prevenção de adoecimentos relacionados ao trabalho.

Para a especialista, o cuidado com a saúde mental precisa integrar as práticas de gestão e não ficar restrito ao cumprimento de exigências legais.

“Bem-estar e segurança psicológica precisam ser entendidos como estratégias de gestão, e não apenas como exigências legais. Equipes saudáveis produzem melhor, permanecem mais engajadas e apresentam menor risco de adoecimento”, afirma Ana Paula Teixeira.

A declaração relaciona o cuidado com os trabalhadores à organização das atividades profissionais. Entre as medidas mencionadas estão a revisão de metas, o combate ao assédio e a promoção de uma cultura organizacional baseada na escuta e no respeito.

NR-1 passa a incluir expressamente riscos psicossociais no trabalho

A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) acrescentou expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). A nova redação do capítulo 1.5 entrou em vigor em 26 de maio de 2026 (26/05/2026), conforme informações do Ministério do Trabalho e Emprego.

A norma estabelece que o gerenciamento deve abranger os riscos ocupacionais existentes nas organizações, incluindo fatores psicossociais relacionados ao trabalho. O texto revisado reforça as etapas de identificação de perigos, avaliação e controle dos riscos.

O que muda para as empresas

O Ministério do Trabalho e Emprego disponibilizou materiais de orientação sobre a aplicação do capítulo 1.5 da NR-1. A documentação inclui o Manual de Interpretação e Aplicação do Capítulo 1.5 da NR-1 e o Guia de Informações sobre os Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho.

A orientação oficial é que as organizações considerem os riscos psicossociais dentro dos processos de gerenciamento de riscos ocupacionais. A avaliação deve observar as características das atividades e das condições de trabalho.

A atualização não se limita a situações individuais de sofrimento. O gerenciamento dos riscos psicossociais considera também aspectos da organização e da gestão do trabalho, como demandas excessivas, relações profissionais e suporte oferecido aos trabalhadores.

Prevenção exige ações permanentes e estruturadas

Ana Paula Teixeira defende que a prevenção seja desenvolvida de forma contínua, com participação das lideranças e dos trabalhadores. A identificação de sinais de sofrimento emocional deve fazer parte de uma estratégia de cuidado e encaminhamento.

Entre as medidas preventivas citadas pela especialista estão a capacitação de lideranças para reconhecer sinais de sofrimento emocional, a criação de canais confidenciais de acolhimento e a avaliação dos riscos psicossociais.

A médica também relaciona a prevenção à necessidade de revisar metas, combater o assédio e promover uma cultura organizacional que estimule o diálogo.

Medidas de prevenção citadas pela especialista

  • Capacitação de lideranças para identificar sinais de sofrimento emocional.

  • Criação de canais confidenciais de acolhimento.

  • Avaliação dos riscos psicossociais relacionados ao trabalho.

  • Revisão de metas e condições de trabalho.

  • Combate ao assédio organizacional.

  • Promoção de escuta e respeito no ambiente profissional.

As medidas devem ser adaptadas às características de cada organização. A identificação de riscos e a definição de ações de controle integram o gerenciamento de riscos ocupacionais previsto na NR-1.

Sinais de sofrimento emocional devem ser observados

A especialista menciona mudanças bruscas de comportamento, isolamento, queda de rendimento e alterações de humor como sinais que merecem atenção no ambiente de trabalho.

Essas manifestações, isoladamente, não permitem estabelecer um diagnóstico de transtorno mental. A observação deve ser acompanhada de escuta respeitosa e, quando necessário, encaminhamento para atendimento profissional.

O acolhimento também envolve evitar julgamentos e respeitar a privacidade do trabalhador. A busca por apoio especializado pode ser necessária diante de situações persistentes de sofrimento emocional.

A importância do acolhimento

A prevenção do suicídio e a valorização da vida, temas centrais do Setembro Amarelo, dependem de informação, diálogo e acesso a serviços de apoio. No ambiente profissional, essas ações podem ser articuladas com as medidas de prevenção de riscos ocupacionais.

A médica Ana Paula Teixeira destaca que as empresas devem criar condições para que os trabalhadores possam relatar dificuldades e receber orientação adequada.

O cuidado com a saúde mental, nesse contexto, envolve tanto a atenção aos sinais individuais quanto a análise das condições organizacionais que podem contribuir para o sofrimento.

Setembro Amarelo amplia debate sobre saúde mental no trabalho

A campanha Setembro Amarelo é dedicada à conscientização sobre a prevenção do suicídio e à valorização da vida. A mobilização também contribui para ampliar o debate sobre saúde mental e a importância da busca por ajuda.

Na Bahia, os dados apresentados sobre os benefícios previdenciários relacionados a transtornos mentais colocam a saúde do trabalhador entre os temas de atenção durante o mês de setembro.

O levantamento do SmartLab oferece um indicador sobre a evolução dos benefícios concedidos entre 2014 e 2024. A interpretação dos números deve considerar que os registros previdenciários não correspondem à totalidade dos casos de transtornos mentais entre trabalhadores.

Saúde mental exige integração entre gestão e prevenção

A atualização da NR-1, vigente desde 26 de maio de 2026, estabelece a inclusão expressa dos fatores psicossociais relacionados ao trabalho no gerenciamento de riscos ocupacionais. A medida reforça a necessidade de avaliação das condições de trabalho e adoção de ações preventivas.

Para Ana Paula Teixeira, a prevenção deve estar associada à organização das atividades profissionais, à escuta e ao acolhimento dos trabalhadores. A abordagem inclui a capacitação das lideranças, a revisão de metas e a criação de canais de apoio.

Os dados sobre a Bahia e as orientações relacionadas à NR-1 contribuem para a discussão sobre saúde mental no trabalho. O acompanhamento dos indicadores e a implementação de medidas preventivas permanecem como aspectos relevantes para empresas e trabalhadores.


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