O câncer colorretal deve registrar 53.810 novos casos no Brasil em 2026, segundo estimativa apresentada no material da campanha. Na Bahia, são projetados 2.170 diagnósticos, dos quais 590 devem ocorrer em Salvador. Durante o Setembro Verde, especialistas chamam atenção para a relação entre fatores de risco modificáveis, diagnóstico precoce e acompanhamento médico.
O câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino, é uma das principais neoplasias incidentes no Brasil. Entre os fatores associados ao desenvolvimento da doença estão obesidade, sedentarismo, alimentação inadequada, consumo frequente de alimentos ultraprocessados, ingestão excessiva de bebidas alcoólicas e tabagismo. Histórico familiar, doenças inflamatórias intestinais e presença de pólipos também podem aumentar o risco.
O oncologista Eduardo Moraes, da Oncoclínicas, destaca que fatores relacionados ao histórico individual e familiar devem ser considerados na avaliação médica. Segundo ele, além dos hábitos de vida, histórico familiar, inflamações intestinais crônicas e presença de pólipos no intestino estão entre as condições que podem elevar a possibilidade de desenvolvimento do câncer colorretal.
A campanha Setembro Verde busca ampliar a conscientização sobre prevenção e diagnóstico da doença. O oncologista Bruno Protásio, também da Oncoclínicas, ressalta que iniciativas de informação podem contribuir para estimular hábitos associados à redução de fatores de risco. O especialista cita ainda a obesidade como condição relacionada a diferentes tipos de câncer.
Câncer colorretal está entre os tumores mais frequentes no Brasil
O câncer colorretal compreende tumores localizados no cólon e no reto, partes do intestino grosso. De acordo com o conteúdo apresentado pelos especialistas, aproximadamente 90% dos casos têm origem em pólipos, lesões que podem se desenvolver na parede interna do intestino e, em determinadas circunstâncias, evoluir para tumores malignos.
A colonoscopia é um dos principais exames utilizados para o rastreamento, diagnóstico e tratamento de alterações no intestino grosso. O procedimento permite visualizar o cólon e o reto por meio de um tubo equipado com câmera e, quando indicado, identificar e remover pólipos, além de possibilitar a investigação de lesões suspeitas.
A oncologista Maria Cecília Mathias, da Oncoclínicas, orienta que pessoas assintomáticas e sem fatores de risco realizem a primeira colonoscopia entre 45 e 50 anos, com repetição definida conforme avaliação médica. Para indivíduos com histórico familiar de câncer de intestino, pólipos ou doença inflamatória intestinal, o rastreamento pode começar mais cedo e seguir intervalos específicos.
Diagnóstico precoce pode ampliar possibilidades de tratamento
Um dos principais desafios relacionados ao câncer colorretal é o diagnóstico em estágios avançados. Segundo a oncologista Mônica Kalile, da Oncoclínicas, mais de 60% dos casos são identificados em fases avançadas, quando o tumor pode já apresentar metástases.
A evolução silenciosa da doença é apontada como um dos fatores que contribuem para o diagnóstico tardio. Em muitos casos, os sinais aparecem apenas quando o tumor já está mais desenvolvido. Por isso, o rastreamento de pessoas dentro das faixas etárias recomendadas e o acompanhamento de indivíduos com fatores de risco são estratégias importantes para a identificação de alterações antes do surgimento de sintomas.
Entre os sinais que podem estar associados ao câncer de intestino estão mudanças no hábito intestinal, como diarreia ou constipação, alterações no apetite, anemia, sangue nas fezes, fraqueza, perda de peso sem causa aparente, desconforto e dor abdominal. A presença desses sintomas não significa necessariamente câncer, mas deve ser investigada por profissional de saúde.
Hábitos de vida estão entre os fatores que podem ser modificados
A prevenção do câncer colorretal envolve medidas relacionadas ao estilo de vida e ao acompanhamento médico. Alimentação equilibrada, controle do peso corporal, prática regular de atividade física, redução do consumo de bebidas alcoólicas e abandono do tabagismo estão entre as medidas associadas à redução de fatores de risco.
O oncologista Marco Lessa, da Oncoclínicas, afirma que a prevenção primária deve ser associada ao acompanhamento médico e à realização de exames de rastreamento quando houver indicação. Segundo o especialista, o diagnóstico tardio pode resultar em tratamentos mais complexos e maior risco de desfechos desfavoráveis.
As estimativas nacionais do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026–2028 também colocam os tumores de cólon e reto entre os tipos de câncer de maior incidência no país. O levantamento estima 781 mil novos casos de câncer por ano, considerando todos os tipos, e aponta cólon e reto como responsáveis por cerca de 10,4% dos casos, quando excluídos os tumores de pele não melanoma.
Prevenção e rastreamento integram estratégia de controle da doença
No cenário apresentado para 2026, a estimativa de 2.170 novos casos de câncer colorretal na Bahia, incluindo 590 em Salvador, reforça a necessidade de ampliar o acesso à informação e à avaliação médica. A identificação de fatores de risco e a adoção de estratégias de rastreamento podem contribuir para detectar lesões em fases anteriores à progressão da doença.
A orientação sobre quando realizar a colonoscopia deve considerar idade, histórico familiar, sintomas e condições clínicas individuais. Por isso, a indicação e a periodicidade do exame devem ser definidas por profissional habilitado, especialmente quando existem antecedentes familiares ou doenças intestinais associadas a maior risco.
O Setembro Verde, nesse contexto, concentra esforços de conscientização sobre prevenção, reconhecimento de sinais de alerta, rastreamento e diagnóstico precoce do câncer colorretal. A combinação entre hábitos de vida adequados, acompanhamento médico e exames indicados para cada perfil pode contribuir para reduzir diagnósticos tardios e ampliar as possibilidades terapêuticas.
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