Na segunda-feira (11/03/2025), especialistas destacaram os avanços da cirurgia robótica no tratamento do câncer colorretal, uma das neoplasias de maior incidência no Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa para o triênio 2023-2025 é de aproximadamente 45 mil novos casos anuais, tornando-o o segundo tipo de câncer mais comum entre homens e mulheres.
Os principais fatores de risco incluem sedentarismo, consumo excessivo de carnes processadas, obesidade, histórico familiar e doenças inflamatórias intestinais. “O rastreamento e a mudança de hábitos são essenciais para reduzir a incidência desse tipo de câncer”, afirma o coloproctologista Ramon Mendes, coordenador do Núcleo de Coloproctologia do Instituto Brasileiro de Cirurgia Robótica (IBCR).
Diagnóstico e prevenção
A colonoscopia é o principal exame para detectar lesões precursoras e permitir o tratamento antes da progressão da doença. “A colonoscopia continua sendo o padrão-ouro na detecção do câncer colorretal. Quando identificamos a doença nos estágios iniciais, as chances de cura ultrapassam 90%“, explica a coloproctologista Meyline Lima, membro do Núcleo de Proctologia do IBCR.
Tratamento e cirurgia robótica
O tratamento do câncer colorretal é multidisciplinar, podendo envolver cirurgia, quimioterapia, radioterapia e terapias-alvo, conforme o estágio da doença e as condições do paciente. A cirurgia continua sendo a principal abordagem curativa e, nos últimos anos, a cirurgia robótica tem se destacado por sua precisão e menor impacto pós-operatório.
“A cirurgia robótica oferece uma visão ampliada e tridimensional do campo operatório, além de proporcionar maior liberdade de movimento para os instrumentos cirúrgicos. Isso resulta em menor trauma para os tecidos, menos dor pós-operatória e recuperação acelerada“, explica Ramon Mendes.
Depoimento de paciente
A secretária executiva Glaucia Maria Moura Santos, 58 anos, recebeu o diagnóstico de câncer colorretal em outubro de 2023. “Receber esse diagnóstico foi um choque. Um turbilhão de emoções e incertezas tomou conta de mim”, relata. Após 28 sessões de radioterapia e seis ciclos de quimioterapia, Glaucia foi submetida à cirurgia robótica em outubro de 2024.
“A decisão pela robótica foi fundamental. Em dois dias, já estava em casa, sem cicatrizes visíveis, sem bolsa definitiva e, o mais importante, curada”, afirma. Ela destaca que a recuperação foi rápida, sem necessidade de medicamentos de longo prazo. “Retomei minhas atividades e hoje celebro a vida com gratidão”, acrescenta.
Perspectivas e inovação
Com os avanços tecnológicos e a ampliação do acesso à cirurgia robótica, especialistas acreditam que mais pacientes poderão se beneficiar dessa inovação. “Nosso objetivo é tornar essa tecnologia mais acessível, garantindo procedimentos mais seguros e eficientes“, ressalta Ramon Mendes.
A coloproctologista Meyline Lima enfatiza que prevenção, rastreamento adequado e acesso a tratamentos inovadores são essenciais para melhorar os resultados no combate ao câncer colorretal.


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