O projeto Educativo Zumví: Educando Através da Memória e da Cultura Afro-Brasileira será realizado em Salvador entre terça-feira (22/09/2026) e quinta-feira (22/10/2026) com ações voltadas ao ensino da história e da cultura afro-brasileira. A iniciativa prevê visitas mediadas, produção de materiais pedagógicos e um Curso de Mediação Cultural destinado à formação de 30 jovens negros para atuação em museus e espaços culturais.
A programação é direcionada principalmente a estudantes, educadores e jovens interessados na área cultural. O projeto utiliza a fotografia e a memória como instrumentos para aproximar o público do acervo do Zumví Arquivo Afro Fotográfico, instituição fundada em Salvador em 1990.
A proposta também busca contribuir para a aplicação da Lei 11.645/2008, que tornou obrigatório, nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, públicos e privados, o estudo da história e da cultura afro-brasileira e indígena.
Projeto combina educação, fotografia e memória
A primeira frente do Educativo Zumví prevê a criação de uma metodologia de visitação mediada às galerias do arquivo, com atividades voltadas à interpretação das fotografias e das histórias presentes no acervo. A iniciativa pretende utilizar as exposições como espaços de aprendizagem sobre memória, identidade e cultura afro-brasileira.
A segunda etapa envolve a produção e distribuição de kits pedagógicos com imagens do acervo do Zumví. Os materiais poderão ser utilizados por educadores em atividades escolares, ampliando as possibilidades de abordagem de temas relacionados à história, às manifestações culturais, às identidades e às experiências da população negra.
A terceira frente é o Curso de Mediação Cultural, destinado à formação de 30 jovens negros de Salvador. A capacitação abordará práticas de mediação, memória, patrimônio e cultura, incluindo conteúdos relacionados à Acessibilidade Cultural e à atuação profissional em museus e espaços culturais.
Formação busca ampliar atuação de jovens no setor cultural
O curso utiliza a experiência acumulada pelo Zumví na preservação e circulação de um acervo produzido por fotógrafos negros. A proposta é apresentar aos participantes possibilidades de atuação profissional relacionadas à mediação cultural, preservação da memória e organização de atividades educativas.
O fotógrafo e arte-educador Lázaro Roberto, cofundador do Zumví Arquivo Fotográfico em 1990, afirma que o projeto integra a trajetória da instituição na preservação e circulação de memórias produzidas a partir das experiências da população negra.
Segundo Lázaro Roberto, o trabalho educativo também busca aproximar novas gerações do acervo e ampliar o conhecimento sobre a cultura afro-brasileira. A iniciativa, de acordo com o fotógrafo, combina formação, memória e possibilidades de inserção de jovens nos espaços culturais.
Acervo reúne registros da população negra na Bahia
Fundado em Salvador por Lázaro Roberto, Aldemar Marques e Raimundo Monteiro, o Zumví Arquivo Afro Fotográfico desenvolve, desde 1990, um trabalho de registro da população negra a partir do olhar de fotógrafos negros.
O acervo reúne imagens relacionadas a festas populares, manifestações de matriz africana, blocos afro, afoxés, movimentos sociais, territórios quilombolas, feiras, cotidiano, política, afetos e estética. O conjunto constitui uma fonte visual para atividades de educação, pesquisa, memória e cultura.
A instituição também participa de discussões relacionadas aos arquivos comunitários e integra o Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ). Essa atuação está relacionada ao debate sobre preservação documental, memória coletiva e reconhecimento de acervos produzidos por comunidades.
Nova sede amplia atividades educativas
A nova sede do Zumví, localizada no Rio Vermelho, reúne galeria para exposições temporárias, laboratório e estúdio, além de espaços destinados a ações de mediação e atividades educativas.
A estrutura permite ampliar as atividades relacionadas à preservação e ativação do acervo, à formação de público e ao desenvolvimento de ações em parceria com instituições locais, nacionais e internacionais.
O projeto também utiliza a fotografia como recurso para aproximar estudantes e educadores de diferentes experiências da população negra. A proposta está alinhada à necessidade de ampliar a presença da história e da cultura afro-brasileira nos processos educativos.
Inscrições para o curso começam em setembro
A primeira etapa de inscrições para o Curso de Mediação Cultural ocorre entre quinta-feira (10/09/2026) e terça-feira (15/09/2026). A divulgação dos selecionados está prevista para sexta-feira (18/09), mesma data de início das matrículas, que seguem até segunda-feira (21/09).
As aulas da primeira turma serão realizadas de 22 de setembro a 22 de outubro de 2026. A programação será encerrada com um evento de certificação previsto para sábado (24/10/2026).
Cronograma da primeira turma
- Inscrições: 10 a 15 de setembro de 2026;
- Divulgação da seleção: 18 de setembro de 2026;
- Matrículas: 18 a 21 de setembro de 2026;
- Aulas: 22 de setembro a 22 de outubro de 2026;
- Certificação: 24 de outubro de 2026.
Financiamento e instituições parceiras
O Zumví Arquivo Afro Fotográfico é mantido com apoio do Fundo de Cultura do Estado da Bahia. O projeto Educativo Zumví conta com patrocínio da Wilson, Sons, por meio do Programa de Isenção Fiscal Viva Cultura – Salvador.
A iniciativa também envolve a Prefeitura de Salvador, a Secretaria Municipal da Fazenda (SEFAZ), a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (SECULT) e a Fundação Gregório de Mattos (FGM).
Ao combinar visitas mediadas, materiais para uso pedagógico e formação profissional, o Educativo Zumví estabelece uma programação voltada à educação, preservação da memória e valorização da cultura afro-brasileira. A iniciativa também cria uma oportunidade de formação para jovens negros interessados em atuar no campo de museus, patrimônio e espaços culturais.


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