O espetáculo “Da Própria Pele, Não Há Quem Fuja”, criado pelo coreógrafo, bailarino e pesquisador Brunno de Jesus, conclui sua circulação comemorativa de dez anos com apresentações gratuitas em Itabuna, na quarta-feira (22/07/2026), e em Salvador, na quarta-feira (29/07/2026). A temporada integra a programação do Quarta que Dança – Circuito I – 2026, iniciativa promovida pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).
Além das apresentações, o projeto oferece a oficina “Pisa-pé como pensamento coreográfico”, ministrada por Brunno de Jesus. A atividade também é gratuita e tem como proposta compartilhar procedimentos de criação desenvolvidos ao longo da pesquisa que originou o espetáculo.
A circulação marca os dez anos de uma obra construída a partir de estudos sobre corpo, memória, ancestralidade e culturas afro-brasileiras, consolidada ao longo da última década em festivais e eventos de dança no Brasil e no exterior.
Espetáculo transforma ancestralidade e memória em linguagem coreográfica
A criação de “Da Própria Pele, Não Há Quem Fuja” parte das experiências do corpo e da ancestralidade para construir uma narrativa coreográfica inspirada em referências das culturas afro-brasileiras.
A montagem estabelece diálogo com elementos como os orixás, a Zambiapunga e os Mandus do Recôncavo Baiano, utilizando essas referências como base para discutir pertencimento, memória e produção de conhecimento por meio da dança.
Ao longo de dez anos de circulação, o espetáculo também deu origem ao conceito de corpo “Da Própria Pele, Não Há Quem Fuja”, desenvolvido por Brunno de Jesus durante sua pesquisa de doutorado em Dança na Universidade Federal da Bahia (UFBA), que compreende a pele como espaço de memória, ancestralidade e construção de saberes.
Turnê percorreu cidades baianas antes da chegada à capital
A circulação comemorativa começou em Alagoinhas, seguiu para Juazeiro e agora contempla apresentações em Itabuna e Salvador, encerrando a programação na capital baiana.
Segundo a produção, a apresentação realizada em Juazeiro registrou lotação do teatro, sendo necessária a instalação de cadeiras adicionais para atender ao público presente.
A chegada a Salvador representa o encerramento da turnê especial de dez anos, integrando a programação do Quarta que Dança – Circuito I – 2026, projeto voltado ao incentivo à circulação da produção artística em dança na Bahia.
Elenco reúne artistas com diferentes trajetórias e experiências
O espetáculo é interpretado por Arieli Batista, Dan Silva, Fred Lopes, Marcelo Santos, Raina Santos e Wania Souza, artistas que participam da construção coletiva da obra.
Entre os integrantes está Marcelo Santos, artista negro cadeirante natural de Alagoinhas. Sua participação integra a proposta artística do espetáculo, que considera a deficiência como elemento presente na criação coreográfica e amplia discussões sobre acessibilidade e representatividade nas artes cênicas.
A montagem também reúne artistas negros e negras, artistas LGBTQIAPN+ e integrantes de comunidades de candomblé, incorporando diferentes experiências e referências culturais à construção da obra.
Oficina amplia atividades formativas durante a circulação
Além das apresentações, Brunno de Jesus ministra a oficina “Pisa-pé como pensamento coreográfico”, aberta ao público e desenvolvida como parte das ações formativas do projeto.
Durante a atividade, os participantes têm acesso aos procedimentos de criação utilizados na elaboração do espetáculo, incluindo exercícios técnicos, práticas de improvisação e processos investigativos relacionados à pesquisa artística.
A proposta busca aproximar artistas, estudantes e interessados dos métodos desenvolvidos por Brunno de Jesus ao longo da pesquisa que fundamenta a criação da obra.
Brunno de Jesus desenvolve pesquisas sobre dança e culturas afro-brasileiras
Brunno de Jesus atua como coreógrafo, bailarino, gestor cultural, cantor e compositor. É idealizador da Oyo Núcleo de Artes e da Plataforma Nacional de Artes Negras, além de ser mestre e doutorando em Dança pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Sua produção artística articula dança, pesquisa, ancestralidade e culturas afro-brasileiras, desenvolvendo projetos voltados às artes negras contemporâneas.
Atualmente, o artista também assina a coreografia do novo espetáculo infantojuvenil do Balé Teatro Castro Alves (BTCA), criado em comemoração aos 45 anos da companhia.


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