A Bahia terá três instituições de ensino na etapa nacional da 4ª edição do Prêmio Escolas Sustentáveis. A Escola Casa da Infância, de Salvador, a Escola Comunitária Maramar, de Maraú, e a Escola Municipal Prefeitura de Botuporã foram selecionadas entre os projetos finalistas da premiação, que reconhece iniciativas de sustentabilidade desenvolvidas por escolas do Brasil, México e Colômbia. A cerimônia nacional está prevista para 17 de setembro de 2026, em Salvador.
Os projetos baianos concorrem em diferentes categorias e abordam temas como biodiversidade, gestão de resíduos, consumo responsável, agrofloresta, recuperação de áreas degradadas, reaproveitamento de materiais e participação comunitária. A premiação é promovida pela Santillana, Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) e Fundação Santillana.
O Prêmio Escolas Sustentáveis busca identificar, reconhecer e dar visibilidade a iniciativas socioambientais desenvolvidas por instituições de educação básica. A edição de 2026 contempla escolas públicas e privadas do Brasil, México e Colômbia, distribuídas em duas categorias. O regulamento estabelece critérios como alcance, alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, relevância, efetividade, continuidade, relação com a comunidade e criatividade.
Escolas baianas apresentam projetos com diferentes estratégias de sustentabilidade
Na categoria Educação Infantil e Ensino Fundamental — Anos Iniciais, a Escola Casa da Infância, de Salvador, concorre com o projeto “Infância, Sustentabilidade e Cidades Educadoras”. A iniciativa promove intercâmbio educacional e cultural entre escolas do Brasil e da Colômbia, com atividades relacionadas à biodiversidade, gestão de resíduos e consumo responsável.
Também nessa categoria está a Escola Comunitária Maramar, de Maraú, com o projeto “Da Floresta à Mesa: Educação Regenerativa por meio da Agrofloresta, Paisagismo e Saberes Locais”. A proposta utiliza o cultivo agroflorestal para recuperar áreas degradadas do terreno escolar e integrar conhecimentos locais às atividades destinadas à Educação Infantil e aos Anos Iniciais.
Na categoria Ensino Fundamental — Anos Finais, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA), a Escola Municipal Prefeitura de Botuporã participa com o projeto “Sustentabilidade em movimento: criatividade que transforma o amanhã”. A iniciativa mobiliza a comunidade para retirar pneus descartados do meio ambiente e transformá-los em hortas suspensas, parques infantis e móveis ecológicos.
Projetos finalistas representam diferentes regiões brasileiras
A etapa nacional reúne dez projetos, cinco em cada categoria. Além das três instituições baianas, participam iniciativas de Pará, Paraíba, São Paulo, Rio Grande do Sul, Ceará e Rio de Janeiro.
Na categoria voltada à Educação Infantil e aos Anos Iniciais, a EMEF Mariana Leão Dias, de Tucuruí (PA), apresenta o projeto “Leão Verde: Educação e Sustentabilidade Pai D’Água”, que articula educação ambiental, horta medicinal, reflorestamento e reciclagem diante de desafios relacionados à escassez hídrica.
A Escola Municipal Félix Araújo, de Campina Grande (PB), concorre com “Retalhos, Memórias e Sustentabilidade”, iniciativa que utiliza o artesanato com retalhos para trabalhar inclusão, leitura, economia circular e valorização de artesãs locais. Já a Escola Municipal Rural Nossa Senhora da Conceição, de Mogi das Cruzes (SP), apresenta uma proposta que combina teto verde, energia solar, captação de água da chuva e hortas pedagógicas.
Na segunda categoria, estão projetos que utilizam agroecologia, tecnologia, preservação territorial, redução de resíduos e participação juvenil como instrumentos de sustentabilidade. Entre eles estão iniciativas da Aldeia Lumiar, de Porto Alegre (RS); Escola Abá Tapeba, de Caucaia (CE); Escola Parque, do Rio de Janeiro (RJ); e IFPA Campus Marabá Industrial, do Pará.
Premiação nacional terá dois vencedores
De acordo com o regulamento da edição 2026, serão escolhidos dois vencedores nacionais, um em cada categoria. Os vencedores receberão R$ 15,6 mil, troféu e certificação, além de classificação para a etapa internacional, que será realizada no México.
A etapa internacional reunirá os vencedores nacionais de Brasil, México e Colômbia. O projeto escolhido como “Projeto do Ano” receberá R$ 26 mil, além de troféu internacional. A competição, portanto, é estruturada em uma etapa nacional por país e uma etapa internacional envolvendo os três países participantes.
A cerimônia nacional também representa uma oportunidade para apresentar as iniciativas finalistas e ampliar a circulação das experiências desenvolvidas nas escolas. Segundo a organização, os projetos selecionados passam a integrar o conjunto de iniciativas disponibilizadas para consulta no âmbito da premiação.
Sustentabilidade é tratada como prática educacional
A proposta do prêmio considera a sustentabilidade em dimensões ambiental, social e de governança, ampliando o conceito para além de ações diretamente relacionadas à preservação ambiental. O regulamento prevê que os projetos tenham resultados concretos e mensuráveis e envolvam estudantes, equipes escolares ou comunidades.
Entre os critérios de avaliação estão o alcance da iniciativa e sua capacidade de produzir efeitos no território, além da adequação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A organização também considera a continuidade dos projetos, a relação com as comunidades e a possibilidade de replicação das práticas.
A presença das três instituições baianas ocorre em um contexto de ampliação da educação ambiental nas redes de ensino. Na Bahia, a educação ambiental passou a integrar as diretrizes do sistema estadual de ensino, enquanto iniciativas de escolas e instituições públicas têm abordado temas como hortas, uso responsável da água, preservação ambiental e sustentabilidade.
Projetos da Bahia destacam território e participação comunitária
Os três projetos baianos apresentam estratégias associadas às características dos territórios onde as escolas estão inseridas. Em Salvador, a proposta da Casa da Infância relaciona sustentabilidade, intercâmbio educacional e biodiversidade. Em Maraú, o projeto da Escola Comunitária Maramar utiliza a agrofloresta e os saberes locais como instrumentos pedagógicos.
Em Botuporã, o projeto parte de um problema relacionado ao descarte de pneus e propõe o reaproveitamento do material em estruturas destinadas à escola e à comunidade. A iniciativa relaciona gestão de resíduos, reutilização de materiais e transformação de espaços escolares.
A abordagem territorial também aparece em outros projetos finalistas. A Escola Abá Tapeba, por exemplo, trabalha com árvores e sementes nativas utilizadas no artesanato indígena Tapeba, enquanto projetos de diferentes regiões incorporam agroecologia, reciclagem, energia solar, captação de água e educação climática às atividades escolares.
Prêmio já recebeu cerca de 3 mil projetos
Desde a criação do Prêmio Escolas Sustentáveis, a iniciativa recebeu cerca de 3 mil projetos de escolas dos países participantes. A edição de 2026 é a quarta do programa, que teve início em 2023.
Na terceira edição, realizada em 2025, a Institución Educativa Comercial de Envigado, da Colômbia, venceu a etapa internacional com o projeto “Metodologia de Pesquisa Socioambiental GCA”. A iniciativa articulou educação ambiental, gestão de projetos e participação da comunidade escolar.
A experiência anterior também contou com projetos brasileiros relacionados a inclusão, sustentabilidade, hortas, captação de água e recuperação de áreas degradadas. A continuidade da premiação mantém uma rede de iniciativas que busca aproximar práticas pedagógicas das questões ambientais, sociais e comunitárias.
Cerimônia será realizada em Salvador
O resultado da etapa nacional será anunciado em 17 de setembro de 2026, em Salvador, com a participação dos representantes das instituições finalistas. A cidade receberá, portanto, representantes de diferentes estados brasileiros para a definição dos vencedores das duas categorias.
Para as três instituições baianas, a classificação coloca projetos desenvolvidos em Salvador, Maraú e Botuporã no mesmo processo nacional de avaliação de iniciativas socioambientais. Independentemente do resultado, os projetos finalistas passam a integrar o conjunto de experiências apresentadas pela organização da premiação.
A iniciativa também estabelece uma conexão entre educação e sustentabilidade ao considerar a escola como espaço de desenvolvimento de práticas ambientais, sociais e de participação comunitária. A edição de 2026 terá ainda continuidade internacional no México, para onde avançarão os dois projetos vencedores da etapa nacional brasileira.


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