Setembro Amarelo: psicóloga alerta para sinais de sofrimento emocional

O sofrimento emocional nem sempre se manifesta por meio de um pedido explícito de ajuda. Mudanças repentinas de comportamento, afastamento de pessoas próximas, alterações no sono, irritabilidade e perda de interesse por atividades habituais podem indicar que uma pessoa está enfrentando dificuldades emocionais. Durante o Setembro Amarelo, a atenção a esses sinais ganha destaque nas discussões sobre saúde mental e prevenção do suicídio.

A campanha busca ampliar o diálogo sobre saúde mental, acolhimento e prevenção, mas especialistas ressaltam que o cuidado não deve ficar restrito ao mês de setembro. Para Fabiana Kubiak, coordenadora do curso de Psicologia da Afya Salvador, a prevenção deve integrar o cotidiano e considerar as condições que podem influenciar o bem-estar emocional, como relações familiares e comunitárias, trabalho, violência, perdas, discriminação e isolamento social.

Segundo a psicóloga, procurar ajuda não deve ser uma medida adotada somente quando uma situação chega ao estágio de crise. A identificação precoce de mudanças e a construção de ambientes nos quais as pessoas possam falar sobre o que estão vivendo são elementos que contribuem para ampliar as possibilidades de cuidado.

Saúde mental exige atenção aos sinais de sofrimento

Fabiana Kubiak afirma que uma abordagem preventiva precisa considerar o processo que leva ao sofrimento, e não apenas situações de crise. Na avaliação da especialista, o suicídio não deve ser reduzido a uma doença, diagnóstico ou característica individual, porque diferentes circunstâncias sociais e relacionais podem participar da produção ou intensificação do sofrimento.

Entre os fatores mencionados estão condições de vida, relações familiares e comunitárias, situações de violência, perdas, discriminações, precarização do trabalho, isolamento social e desigualdades. A abordagem amplia a compreensão sobre saúde mental e reforça a necessidade de políticas e estratégias de proteção que ultrapassem o atendimento individual.

O Ministério da Saúde também orienta que sinais de alerta sejam observados, especialmente quando aparecem de forma conjunta ou se intensificam. A pasta destaca que não existe uma fórmula capaz de identificar isoladamente uma crise suicida, mas mudanças de comportamento e manifestações relacionadas ao sofrimento podem indicar a necessidade de atenção e busca por ajuda.

Escuta e diálogo podem reduzir o isolamento

Além da existência de serviços especializados, a coordenadora da Afya Salvador destaca o papel das relações cotidianas no processo de prevenção. Para ela, estar disponível para ouvir e criar espaços seguros de conversa pode favorecer a aproximação de pessoas que estejam passando por situações de sofrimento.

A especialista afirma que conversar não significa necessariamente apresentar soluções imediatas. A escuta, segundo sua avaliação, deve evitar transformar o diálogo em um interrogatório, em uma tentativa automática de “consertar” a pessoa ou em uma comparação entre diferentes experiências de sofrimento.

O Ministério da Saúde recomenda que, diante de uma pessoa sob risco, seja escolhido um momento adequado e um local tranquilo para conversar. A orientação também inclui ouvir sem julgamentos, oferecer apoio, incentivar a procura por profissionais e serviços de saúde e buscar ajuda emergencial quando houver risco imediato.

Prevenção deve ocorrer durante todo o ano

Para Fabiana Kubiak, a prevenção não começa somente quando a pessoa chega a uma situação de crise. O cuidado contínuo envolve fortalecimento de vínculos, ampliação dos espaços de escuta, enfrentamento de situações de violência e discriminação e acesso a políticas públicas de proteção social.

O Setembro Amarelo concentra ações de conscientização sobre prevenção do suicídio e promoção da saúde mental, mas a discussão pode ser incorporada à rotina de famílias, comunidades, ambientes de trabalho e instituições. O Ministério da Saúde registra 10 de setembro como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, data inserida no calendário de saúde.

No âmbito regional, iniciativas de prevenção e promoção da saúde mental também são realizadas em Feira de Santana e outros municípios da Bahia, com atividades que incluem palestras, rodas de conversa, atendimento psicológico e divulgação dos serviços da rede de atenção psicossocial.

Rede de apoio e busca por ajuda

A prevenção envolve tanto a atenção aos sinais de sofrimento quanto a possibilidade de acesso a serviços especializados. O Ministério da Saúde orienta que pessoas em sofrimento sejam incentivadas a procurar profissionais de saúde, serviços de saúde mental ou atendimento de emergência, conforme a gravidade da situação.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional pelo telefone 188, além de canais digitais de atendimento. Em situações de risco imediato, a orientação é procurar serviços de emergência e não deixar a pessoa sozinha.

A perspectiva apresentada pela psicóloga da Afya Salvador reforça que cuidar da saúde mental é uma prática contínua, que envolve reconhecimento de mudanças, disponibilidade para a escuta, fortalecimento de vínculos e acesso à assistência. Nesse contexto, o Setembro Amarelo funciona como período de ampliação do debate, sem substituir as ações de prevenção e cuidado que precisam ocorrer durante todo o ano.


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