O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, defendeu o fim dos testes nucleares e pediu aos Estados que possuem armas nucleares a manutenção das moratórias existentes e a adoção de medidas para colocar em vigor o Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares (CTBT). A manifestação foi divulgada em 28 de agosto de 2026, às vésperas do Dia Internacional contra os Testes Nucleares, celebrado em 29 de agosto.
Na mensagem, Guterres chamou atenção para as consequências dos testes realizados ao longo das últimas décadas, especialmente para as vítimas, os sobreviventes, os territórios afetados e as gerações que continuam convivendo com os impactos das explosões nucleares. Segundo o secretário-geral, essas consequências devem ser consideradas como um alerta diante do atual contexto internacional.
A ONU estabeleceu o 29 de agosto como Dia Internacional contra os Testes Nucleares em 2009, por meio da Resolução 64/35 da Assembleia Geral. A data remete ao fechamento, em 29 de agosto de 1991, do centro de testes nucleares de Semipalatinsk, no atual Cazaquistão. Desde então, a iniciativa busca ampliar a conscientização sobre os efeitos dos testes e defender sua interrupção.
Guterres relaciona testes nucleares a corrida armamentista
Na mensagem de 2026, Guterres afirmou que o atual cenário de tensão geopolítica, divisão e desconfiança torna necessário reforçar os compromissos internacionais contra os testes nucleares. Para o secretário-geral, novas explosões poderiam ampliar a instabilidade e comprometer esforços de não proliferação e desarmamento.
O dirigente das Nações Unidas argumentou que testes nucleares não representam demonstração de força, mas podem reduzir a confiança entre Estados, estimular respostas recíprocas e contribuir para uma corrida armamentista nuclear. A avaliação integra a posição da ONU de que a interrupção dos testes constitui uma medida de segurança internacional e de controle da proliferação.
A preocupação também está relacionada ao histórico dos testes nucleares. Segundo a ONU, mais de 2 mil testes nucleares foram realizados desde o primeiro teste, em 16 de julho de 1945, em diferentes regiões do mundo. A organização afirma que as explosões deixaram impactos sobre populações, ambientes e condições de vida.
Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares completa 30 anos
O ano de 2026 marca 30 anos desde a abertura do Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares para assinatura. O CTBT foi adotado pela Assembleia Geral da ONU em 10 de setembro de 1996 e permanece sem entrar em vigor. O tratado estabelece a proibição de todas as explosões nucleares, independentemente de sua finalidade.
A entrada em vigor do CTBT depende da ratificação pelos Estados especificados no Anexo 2 do acordo. De acordo com a ONU, 188 países assinaram o tratado e 179 o ratificaram, mas ainda não foram cumpridas todas as condições necessárias para sua vigência.
Guterres pediu que os países que possuem armas nucleares mantenham as moratórias existentes e avancem para a entrada em vigor do CTBT. A solicitação ocorre em um período no qual a ONU também mantém esforços voltados à não proliferação, ao desarmamento e à redução dos riscos associados às armas nucleares.
Semipalatinsk completa 35 anos de fechamento
Outro marco destacado na mensagem de 2026 é o aniversário de 35 anos do fechamento do centro de testes nucleares de Semipalatinsk, no Cazaquistão. O local foi utilizado durante o período soviético para testes nucleares e seu encerramento, em 1991, tornou-se referência para a criação do Dia Internacional contra os Testes Nucleares.
A escolha de 29 de agosto como data internacional de conscientização está diretamente relacionada ao fechamento de Semipalatinsk. A ONU utiliza a ocasião para recordar as consequências dos testes e estimular compromissos internacionais voltados à interrupção dessas atividades.
A organização também destaca que a proibição dos testes funciona simultaneamente como medida de desarmamento e de não proliferação, porque dificulta o desenvolvimento e o aperfeiçoamento de novos tipos de armas nucleares. O sistema internacional de monitoramento do CTBT é utilizado para detectar possíveis explosões e apoiar mecanismos de verificação.
ONU defende compromisso internacional contra novas explosões
Na conclusão da mensagem, Guterres reiterou que o mundo não deve voltar a testemunhar uma explosão nuclear e convocou os Estados a renovar o compromisso com o fim dos testes. O secretário-geral também ressaltou a necessidade de considerar a experiência das comunidades afetadas pelas explosões realizadas no passado.
A posição apresentada em 2026 dá continuidade aos apelos anteriores da ONU. Em mensagem divulgada em 2025, Guterres também havia destacado o legado de mais de 2 mil testes nucleares e defendido a entrada em vigor do CTBT como instrumento internacional para interromper os testes.
O Dia Internacional contra os Testes Nucleares, portanto, reúne dois objetivos centrais: preservar a memória das pessoas e comunidades afetadas e reforçar a agenda internacional de prevenção de novas explosões. Para a ONU, a efetivação do CTBT permanece vinculada aos esforços para reduzir riscos nucleares e avançar em direção ao desarmamento.
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