Mais de 172 mil brasileiros dependem atualmente de tratamento dialítico, segundo o Censo Brasileiro de Diálise 2024, da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), citado no levantamento apresentado para o Dia Nacional da Diálise, celebrado nesta quinta-feira (27/08/2026). O número representa crescimento de quase 10% em relação ao ano anterior e de 55% em uma década. Aproximadamente 79% dos pacientes realizam o tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Além do aumento da população em tratamento, dados de uma pesquisa nacional realizada pela Brazil Panels a pedido da Vantive Brasil indicam dificuldades relacionadas à prevenção e ao conhecimento sobre as alternativas terapêuticas. Entre os 2 mil entrevistados, 67,7% afirmaram adiar exames preventivos, enquanto 59,5% disseram nunca ter ouvido falar em diálise peritoneal.
A Doença Renal Crônica (DRC) pode evoluir durante longo período sem sintomas, o que dificulta a identificação precoce. O Ministério da Saúde aponta diabetes e hipertensão entre os principais fatores de risco e recomenda o acompanhamento clínico e a realização de exames para identificar alterações na função renal.
Doença renal pode evoluir de forma silenciosa
A DRC corresponde a alterações que comprometem a estrutura ou a função dos rins por período prolongado. Como os sinais podem não aparecer nas fases iniciais, o diagnóstico pode ocorrer quando a função renal já apresenta comprometimento significativo.
Os rins desempenham funções essenciais, como filtrar o sangue, eliminar resíduos e excesso de água, participar do controle da pressão arterial e manter o equilíbrio de eletrólitos e do metabolismo ácido-básico. A redução progressiva dessas funções pode levar à necessidade de terapia renal substitutiva.
De acordo com o Ministério da Saúde, o diagnóstico considera parâmetros como a Taxa de Filtração Glomerular (TFG) e evidências de dano renal. A identificação de pessoas sob risco permite iniciar medidas para retardar a progressão da doença e preparar, quando necessário, o tratamento especializado.
Hemodiálise e diálise peritoneal são modalidades de terapia renal substitutiva
A hemodiálise é a modalidade predominante entre os pacientes brasileiros em diálise, segundo os dados apresentados no material. O procedimento utiliza uma máquina e um dialisador para retirar toxinas e excesso de líquidos do sangue. No SUS, a modalidade é realizada em unidades especializadas, geralmente três vezes por semana.
A diálise peritoneal utiliza o peritônio, membrana que reveste a cavidade abdominal, como parte do processo de filtragem. O procedimento pode ser realizado diariamente no domicílio, inclusive durante a noite, conforme a modalidade e a prescrição médica. O SUS também oferece essa alternativa dentro da terapia renal substitutiva.
O material divulgado pela Vantive Brasil aponta que a diálise peritoneal representa 5,6% dos pacientes em tratamento no país, cerca de 7 mil pessoas, enquanto a hemodiálise corresponde a 87,3%. Os percentuais indicados no levantamento mostram uma diferença significativa na utilização das modalidades.
Pesquisa aponta desconhecimento sobre tratamento domiciliar
Embora a diálise peritoneal seja utilizada em diferentes países, o levantamento citado pela empresa aponta que apenas 9,8% dos entrevistados afirmam conhecer bem essa modalidade, enquanto 93,4% dizem conhecer a hemodiálise.
A pesquisa também indica que 60,6% dos participantes têm como principal receio de saúde descobrir uma doença grave. O medo de não ter dinheiro para custear o tratamento foi mencionado por 50,5%, enquanto 30,9% citaram a possibilidade de perder a independência.
Entre as pessoas que adiam exames preventivos, 31,9% apontaram custo ou falta de dinheiro como motivo e 28,3% citaram falta de tempo. Entre entrevistados com mais de 65 anos, o fator financeiro alcançou 56,3%.
Percepção de risco renal permanece baixa
O levantamento mostra ainda que 15,4% dos brasileiros consideram alto ou muito alto o próprio risco de desenvolver doença renal, enquanto 20,3% afirmam não saber avaliar esse risco.
Entre os entrevistados, 39,1% relataram sedentarismo e 53,3% disseram não consumir a quantidade de água que consideram adequada. Os dados foram apresentados como indicadores de comportamento e percepção da saúde renal, sem estabelecer, isoladamente, relação causal entre esses fatores e a ocorrência de DRC.
O Ministério da Saúde relaciona a doença renal crônica a diversos fatores de risco, incluindo diabetes, hipertensão, obesidade, doenças cardiovasculares, histórico familiar, tabagismo e uso de agentes potencialmente nefrotóxicos.
Hipertensão e histórico familiar aparecem entre fatores relatados
Na pesquisa da Vantive Brasil, 26,5% dos entrevistados relataram diagnóstico de hipertensão arterial, enquanto 25,3% mencionaram infecção urinária e 15,7% informaram histórico familiar de doença renal.
O levantamento também identificou diferença na proporção de problemas renais relatados entre pessoas sedentárias e aquelas que afirmaram praticar atividades físicas. Entre os sedentários, o índice informado foi de 8,8%, ante 5,4% entre os participantes que relataram atividade física.
Os dados da pesquisa devem ser interpretados dentro das características metodológicas do levantamento e não equivalem a uma estimativa epidemiológica da prevalência da doença renal na população brasileira.
Diagnóstico precoce pode orientar tratamento
O Ministério da Saúde destaca que a prevenção e o acompanhamento dos fatores de risco são importantes para retardar a progressão da DRC. Diabetes e hipertensão estão entre as condições que exigem acompanhamento na atenção básica, enquanto casos suspeitos devem ser encaminhados para investigação e atendimento especializado.
Entre os exames utilizados na avaliação da função renal estão a dosagem de creatinina no sangue e a análise de urina. A avaliação da função excretora também pode considerar a Taxa de Filtração Glomerular, conforme critérios clínicos.
A identificação antecipada da perda da função renal permite acompanhar a evolução da doença, tratar fatores associados e, quando necessário, planejar a terapia renal substitutiva. O Ministério da Saúde organiza o cuidado em etapas que incluem tratamento conservador, fase pré-diálise e terapia renal substitutiva.
SUS oferece hemodiálise e diálise peritoneal
O SUS disponibiliza hemodiálise e diálise peritoneal como modalidades de terapia renal substitutiva para pessoas com indicação clínica. A rede especializada também realiza consultas e exames necessários ao acompanhamento dos pacientes.
A diálise peritoneal pode ser realizada diariamente na residência, utilizando um cateter abdominal e uma solução específica para a remoção de toxinas e líquidos. A modalidade pode reduzir a necessidade de deslocamentos frequentes para uma unidade de diálise, mas sua indicação depende de avaliação médica e das condições clínicas e sociais do paciente.
A escolha entre as modalidades não deve ser feita exclusivamente com base na preferência do paciente. A indicação considera condições clínicas, características da doença renal, possibilidade de realização do tratamento em casa, estrutura disponível e avaliação da equipe de saúde.
Informação sobre as modalidades pode ampliar participação do paciente
Para o nefrologista Paulo Lins, gerente médico da Vantive Brasil, o diagnóstico precoce possibilita que paciente e médico discutam previamente a modalidade de terapia mais adequada. Na avaliação apresentada pela empresa, a expansão do tratamento domiciliar também pode contribuir para a organização da assistência.
A médica Arcângela Valle, gerente médica sênior da Vantive Latam, afirma que o desconhecimento sobre a doença renal e o receio do diagnóstico podem contribuir para o adiamento de cuidados preventivos. Segundo ela, ampliar o acesso a informações sobre prevenção e tratamento é parte do enfrentamento do problema.
No Dia Nacional da Diálise, os dados apresentados colocam em evidência dois desafios relacionados à saúde renal: identificar a doença antes da perda avançada da função dos rins e ampliar o conhecimento da população sobre as modalidades de terapia renal substitutiva disponíveis no sistema de saúde.
Pesquisa foi realizada com 2 mil brasileiros
A pesquisa citada no material foi realizada pela Brazil Panels, de forma online, em março de 2026. Foram entrevistadas 2.000 pessoas de todas as regiões do Brasil, considerando diferentes faixas etárias e classes socioeconômicas.
Segundo a metodologia informada, o levantamento apresenta margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Os dados da pesquisa foram divulgados pela Vantive Brasil no contexto do Dia Nacional da Diálise. Já as informações sobre a organização da assistência e as modalidades de terapia renal substitutiva no SUS podem ser consultadas nas orientações oficiais do Ministério da Saúde.


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