O Dia Mundial do Rim, celebrado na quinta-feira (12/03/2026), mobiliza profissionais de saúde para alertar sobre o avanço silencioso das doenças renais e a importância do diagnóstico precoce. No Brasil, milhões de pessoas convivem com algum grau de comprometimento da função dos rins, muitas vezes sem diagnóstico, o que pode levar à necessidade de diálise ou transplante renal em estágios mais avançados.
Dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia indicam que cerca de 10% da população mundial apresenta algum tipo de doença renal crônica. No país, mais de 170 mil pacientes dependem de diálise, conforme estimativas do Censo Brasileiro de Diálise. Entre os principais fatores de risco estão hipertensão arterial, diabetes, obesidade, histórico familiar e envelhecimento da população.
Especialistas alertam que muitas dessas doenças evoluem sem sintomas nas fases iniciais, o que reforça a necessidade de acompanhamento médico e realização de exames periódicos para identificação precoce de alterações na função renal.
Tipos de doenças que afetam os rins
Segundo o nefrologista Túlio Coelho Carvalho, coordenador de Nefrologia do Hospital Mater Dei EMEC, as doenças renais podem ser classificadas principalmente em doença renal crônica (DRC) e insuficiência renal aguda.
A doença renal crônica se caracteriza pela perda progressiva da função dos rins ao longo dos anos, enquanto a insuficiência renal aguda pode surgir de forma repentina, geralmente associada a infecções graves, desidratação, uso inadequado de medicamentos ou complicações hospitalares.
Além dessas condições, outras enfermidades podem comprometer a função renal, como cálculos renais (pedras nos rins), infecções urinárias recorrentes, glomerulonefrites e distúrbios eletrolíticos, que afetam níveis de substâncias essenciais no organismo, como sódio e potássio.
Prevenção e diagnóstico precoce
De acordo com o especialista, a prevenção das doenças renais começa com medidas relacionadas ao estilo de vida e ao controle de doenças crônicas. Entre as principais orientações estão controlar a pressão arterial e o diabetes, manter alimentação equilibrada, evitar excesso de sal e de medicamentos sem orientação médica e manter boa hidratação.
O diagnóstico pode ser realizado por meio de exames laboratoriais simples, como dosagem de creatinina no sangue e análise de urina, capazes de identificar alterações iniciais na função renal.
Segundo o nefrologista, exames de rotina podem indicar precocemente sinais de comprometimento dos rins, permitindo o início do tratamento antes da progressão da doença.
Tratamento e terapias renais substitutivas
Quando ocorre comprometimento grave da função renal, o paciente pode necessitar de terapia renal substitutiva, que inclui hemodiálise, diálise peritoneal ou transplante renal. A hemodiálise consiste em um procedimento que filtra o sangue por meio de equipamentos que substituem temporariamente a função dos rins.
Na Bahia, hospitais de maior complexidade têm ampliado o atendimento especializado em doenças renais, incluindo unidades fora da capital. A descentralização da assistência permite que pacientes do interior tenham acesso a terapias avançadas sem necessidade de deslocamento para Salvador.
Em Feira de Santana, o Hospital Mater Dei EMEC recebe pacientes encaminhados de diversos municípios da região, incluindo Alagoinhas, Serrinha, Ribeira do Pombal e Euclides da Cunha. A unidade realiza hemodiálise convencional, terapias contínuas e transplante renal, além do tratamento de distúrbios eletrolíticos e insuficiência renal aguda.
Transplante renal e qualidade de vida
Nos casos mais avançados de doença renal crônica, o transplante renal é considerado uma alternativa terapêutica que pode proporcionar melhores condições de qualidade de vida ao paciente. No Brasil, o procedimento é realizado principalmente pelo Sistema Único de Saúde, que mantém um dos maiores programas públicos de transplantes do mundo.
O acesso ao transplante depende da disponibilidade de órgãos e da inclusão do paciente em listas de espera, processo que reforça a importância da doação de órgãos para ampliar o número de procedimentos realizados no país.
Especialistas destacam que, embora a hemodiálise seja fundamental para manter a vida de pacientes com insuficiência renal, o transplante pode representar melhores perspectivas clínicas a longo prazo, reforçando a necessidade de diagnóstico precoce e fortalecimento das políticas de doação de órgãos.


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