Brasil registra menor número de casos de malária desde 1978

O Brasil registrou 118.037 casos de malária contraídos no território nacional em 2025, uma redução de 15% em relação a 2024 e o menor número registrado desde 1978. No mesmo período, as mortes provocadas pela doença caíram 30%, passando de 56 para 39 casos. A redução foi acompanhada por queda de 30,7% nas mortes associadas às formas mais graves da doença.

Os dados foram apresentados pelo Ministério da Saúde na segunda-feira (17/08/2026), durante o 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop), realizado em Brasília. Segundo as informações apresentadas, os resultados estão relacionados à ampliação do diagnóstico, da oferta de testes e do tratamento adequado, além do início da disponibilização da tafenoquina pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O medicamento começou a ser utilizado no SUS em 2024 e é administrado em dose única para prevenir novas manifestações da malária. Até junho de 2026, mais de 33,7 mil pessoas haviam utilizado a tafenoquina, incluindo 3.920 tratamentos registrados em Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).

Tafenoquina amplia opções de tratamento no SUS

A tafenoquina atua sobre a forma do parasita que permanece no fígado e pode provocar novos episódios da malária. A estratégia é especialmente relevante para o controle da doença causada pelo tipo mais comum do parasita, que pode voltar a se manifestar mesmo depois do tratamento inicial.

Com a administração em dose única, o medicamento amplia as possibilidades de adesão ao tratamento e busca reduzir a ocorrência de recaídas. Segundo os dados apresentados pelo Ministério da Saúde, a alternativa também pode facilitar o atendimento em comunidades de difícil acesso, incluindo populações indígenas.

A utilização da tafenoquina faz parte das medidas adotadas pelo SUS para ampliar a capacidade de enfrentamento da malária. O conjunto de ações inclui diagnóstico, testagem e tratamento adequado, além da incorporação de alternativas terapêuticas para diferentes grupos da população.

Formulação pediátrica chega a crianças a partir de 2 anos

Desde março de 2026, a tafenoquina também está disponível em uma formulação pediátrica destinada a crianças a partir de 2 anos de idade e com peso mínimo de 10 quilos.

Até junho, 1.446 crianças e adolescentes haviam recebido o tratamento no país. A formulação pediátrica estava disponível em 54 municípios e 17 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).

Para ampliar a utilização do medicamento, mais de 2,4 mil profissionais de saúde foram capacitados. A medida busca incorporar a alternativa terapêutica à assistência prestada às populações que vivem em áreas de ocorrência da doença.

Brasil Saudável estabelece metas para 2030

A redução dos indicadores de malária integra as estratégias do Brasil Saudável — Unir para Cuidar, plano coordenado pelo Ministério da Saúde para eliminar ou reduzir doenças e infecções consideradas problemas de saúde pública até 2030.

O programa estabelece metas relacionadas a 11 doenças e cinco infecções de transmissão vertical. Entre as doenças contempladas estão malária, tuberculose, hanseníase, HIV/aids, hepatites virais, tracoma, oncocercose, doença de Chagas, esquistossomose, geo-helmintíases e filariose linfática.

Também fazem parte da estratégia as infecções de transmissão vertical por sífilis, hepatite B, doença de Chagas, HIV e HTLV. A iniciativa envolve 14 ministérios, com ações integradas voltadas à prevenção, diagnóstico, tratamento e eliminação dessas enfermidades.

Certificações internacionais integram estratégia de eliminação

O Brasil já obteve certificações relacionadas à eliminação de doenças e formas de transmissão. Em setembro de 2024, o país recebeu a certificação de eliminação da filariose linfática.

Em dezembro de 2025, foi reconhecida a eliminação da transmissão vertical do HIV. A estratégia nacional também acompanha doenças que estão próximas das metas de eliminação, considerando critérios estabelecidos por organismos internacionais de saúde.

No caso da malária, os resultados de 2025 representam uma redução no número de casos registrados no território nacional e das mortes associadas à doença. A continuidade da expansão do diagnóstico, do tratamento e do acesso a medicamentos integra as medidas apresentadas pelo governo para avançar nas metas estabelecidas para 2030.


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