A campanha Julho Amarelo, dedicada à conscientização sobre as doenças hepáticas, também chama atenção para a esteatose hepática, conhecida como gordura no fígado, condição que tem se tornado cada vez mais frequente entre os brasileiros. Especialistas alertam que o excesso de gordura corporal, o sedentarismo, a alimentação inadequada e doenças metabólicas estão entre os principais fatores relacionados ao desenvolvimento da doença, que pode evoluir para complicações como inflamação crônica, cirrose e câncer de fígado quando não diagnosticada e tratada.
Embora muitas pessoas associem alterações no fígado apenas ao consumo excessivo de álcool ou às hepatites virais, a Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA) representa atualmente uma das principais causas de comprometimento hepático no país.
A prática regular de exercícios físicos, aliada ao controle da gordura corporal e à preservação da massa muscular, é apontada por especialistas como uma das principais estratégias não medicamentosas para reduzir o acúmulo de gordura no fígado.
Excesso de peso está entre os principais fatores de risco
Segundo levantamento realizado pelo Instituto Datafolha, em parceria com a Novo Nordisk, em 2025, 62% dos brasileiros afirmaram que ficariam muito ou extremamente preocupados ao receber um diagnóstico de gordura no fígado.
Apesar dessa preocupação, a pesquisa revelou que 61% da população nunca realizou exames específicos ou desconhece quais testes podem identificar a doença, evidenciando a necessidade de ampliar a conscientização sobre o tema.
O estudo também apontou que 66% dos brasileiros apresentam sobrepeso ou obesidade, índice que representa crescimento de 11% em relação ao levantamento anterior e reforça o avanço dos fatores associados à esteatose hepática.
Dados oficiais relacionam a doença ao excesso de peso
De acordo com informações da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), vinculada ao Ministério da Saúde e atualizadas em 2025, cerca de 60% dos casos de esteatose hepática não alcoólica estão associados ao excesso de peso.
Além da obesidade, a literatura médica relaciona a doença ao sedentarismo, diabetes, alimentação inadequada e consumo excessivo de bebidas alcoólicas, fatores que podem favorecer o acúmulo de gordura nas células do fígado.
A combinação desses fatores aumenta o risco de evolução para quadros mais graves quando não há mudanças no estilo de vida e acompanhamento profissional.
Treinamento de força também contribui para a saúde do fígado
Além das atividades aeróbicas, pesquisas indicam que o treinamento de força pode desempenhar papel importante na redução da gordura hepática.
Estudo conduzido pelo Laboratório de Biologia Molecular do Exercício (LaBMEx), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), verificou que camundongos obesos e diabéticos submetidos a 15 dias de treinamento de força moderado apresentaram redução entre 25% e 30% da gordura acumulada no fígado, em comparação aos animais sedentários.
O profissional de Educação Física Jauan Anselmo, especialista em fisiologia do exercício, afirma que a preservação da massa muscular favorece o metabolismo e contribui para a utilização da gordura como fonte de energia, além de melhorar a sensibilidade à insulina.
Especialista destaca importância da individualização dos treinos
Segundo Jauan Anselmo, programas de exercícios devem ser planejados de acordo com as características e necessidades de cada pessoa.
O especialista ressalta que dietas muito restritivas e treinos realizados sem orientação profissional podem provocar perda significativa de massa muscular, comprometendo os resultados relacionados ao emagrecimento e à saúde metabólica.
Ele destaca que a prática de exercícios deve considerar fatores como histórico clínico, presença de doenças crônicas, limitações físicas e objetivos individuais.
Sociedade Brasileira de Hepatologia orienta prática regular de exercícios
As recomendações da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) incluem a realização de atividade aeróbica por pelo menos 30 minutos, cinco vezes por semana, associada à musculação ao menos duas vezes por semana, como parte do tratamento e da prevenção da esteatose hepática.
Segundo a entidade, a combinação entre atividade física regular, alimentação equilibrada e acompanhamento multiprofissional contribui para reduzir o risco de progressão da doença e melhorar a saúde metabólica.
A adoção de hábitos saudáveis também auxilia na prevenção de outras doenças associadas ao excesso de peso, como diabetes e hipertensão arterial.
Mudanças no estilo de vida são fundamentais para prevenção
Especialistas destacam que a prevenção da esteatose hepática depende da adoção de medidas contínuas voltadas à promoção da saúde.
Entre as principais orientações estão manter peso corporal adequado, praticar exercícios regularmente, preservar a massa muscular, adotar alimentação equilibrada e realizar acompanhamento médico periódico, especialmente para pessoas com fatores de risco.
No contexto da campanha Julho Amarelo, o alerta reforça a importância do diagnóstico precoce e da prevenção como estratégias para reduzir o impacto das doenças hepáticas na população.


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