As hepatites virais permanecem como um desafio para a saúde pública devido ao elevado número de pessoas infectadas que convivem com a doença sem apresentar sintomas. Durante a campanha Julho Amarelo, especialistas reforçam a necessidade da ampliação da testagem e da prevenção para reduzir o impacto das infecções, que podem evoluir para cirrose e câncer de fígado quando não diagnosticadas e tratadas precocemente.
Na Bahia, dados da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) apontam que mais de 15 mil casos de hepatites virais foram registrados entre 2015 e 2024, com predominância dos tipos B e C, considerados os de maior potencial para evolução crônica da doença.
Em âmbito nacional, o Ministério da Saúde informa que o Brasil contabilizou 826.292 casos de hepatites virais entre 2000 e 2024. Desse total, 41,5% correspondem à hepatite C e 36,6% à hepatite B, formas que concentram maior risco de complicações hepáticas quando o diagnóstico ocorre de forma tardia.
Hepatites podem permanecer sem sintomas por décadas
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram registradas 2,2 milhões de novas infecções por hepatites virais no mundo em 2022, o equivalente a mais de 6 mil novos casos por dia.
Apesar da disponibilidade de exames e tratamentos, muitos pacientes ainda recebem o diagnóstico apenas em fases avançadas da doença. Os testes rápidos para hepatites B e C são disponibilizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), permitindo a identificação precoce da infecção e o início oportuno do tratamento.
De acordo com Antônio Miranda, professor da Afya Salvador e médico infectologista, as hepatites B e C podem permanecer por muitos anos sem provocar sintomas perceptíveis, enquanto o processo inflamatório continua comprometendo o fígado de forma progressiva.
Especialista alerta para sintomas e formas de transmissão
Segundo Antônio Miranda, quando os sintomas surgem, a doença frequentemente já apresenta comprometimento hepático significativo. Entre os sinais clínicos estão cansaço persistente, perda de peso, perda de apetite, pele e olhos amarelados, aumento do abdômen por ascite, inchaço nas pernas, sangramentos e alterações do estado mental, podendo evoluir para insuficiência hepática.
O infectologista explica que a hepatite B é transmitida principalmente por relações sexuais desprotegidas, contato com sangue contaminado e transmissão da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto. Já a hepatite C é transmitida principalmente pelo contato com sangue contaminado, tendo como um dos principais fatores de risco o compartilhamento de agulhas contaminadas.
A Afya, instituição na qual o especialista atua, mantém cursos de graduação em saúde nos municípios baianos de Salvador, Vitória da Conquista, Guanambi e Itabuna, além de oferecer cursos de pós-graduação por meio da Afya Educação Médica em Salvador e Vitória da Conquista.
Vacinação e diagnóstico precoce reduzem complicações
Dados do Ministério da Saúde indicam que a Bahia reduziu em 58,7% os óbitos por hepatite C entre 2014 e 2024, resultado associado à ampliação do acesso ao diagnóstico e aos medicamentos antivirais disponibilizados pelo SUS.
No caso da hepatite B, a vacinação continua sendo a principal estratégia de prevenção. Para a hepatite C, que ainda não possui vacina, especialistas ressaltam que campanhas como o Julho Amarelo contribuem para ampliar a conscientização da população sobre a importância da testagem e do tratamento precoce.
Segundo Antônio Miranda, os avanços tecnológicos ampliaram a capacidade de diagnóstico precoce e aumentaram a eficácia dos tratamentos, especialmente contra a hepatite C, reduzindo o risco de progressão da doença e elevando as possibilidades de cura quando a infecção é identificada em tempo oportuno.


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