ONU defende uso de inteligência artificial para prevenir incêndios na Europa e América

A Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa (Unece) afirmou, na quinta-feira (30/07/2026), que a inteligência artificial (IA), o monitoramento por satélite e o mapeamento de risco em tempo real podem fortalecer a prevenção dos incêndios florestais que atingem países da Europa e da América do Norte. Segundo o organismo, cerca de 90% das queimadas têm origem em atividades humanas, o que reforça a necessidade de priorizar ações preventivas antes do início das chamas.

O informe da ONU destaca que a atual temporada de incêndios evidencia a necessidade de substituir a resposta baseada apenas no combate às emergências por uma estratégia permanente de prevenção, envolvendo tecnologia, restauração ambiental e gestão sustentável das florestas.

Além dos danos ambientais, a organização alerta para os impactos sociais e econômicos provocados pelos incêndios, que afetam comunidades, infraestrutura, atividades produtivas, qualidade do ar e saúde pública.

Tecnologia e prevenção são apontadas como principais ferramentas de combate

Segundo a Unece, o investimento em inteligência artificial, monitoramento por satélites e sistemas de detecção precoce amplia a capacidade de identificar áreas de risco e antecipar medidas de prevenção.

O relatório também destaca a importância do mapeamento de risco em tempo real e da restauração da paisagem florestal, considerados instrumentos essenciais para reduzir a ocorrência de incêndios e fortalecer a resiliência dos ecossistemas.

A organização afirma que entidades internacionais continuam coordenando iniciativas entre dezenas de Estados-membros para ampliar a proteção das florestas e fortalecer políticas voltadas à adaptação às mudanças climáticas.

Milhões de hectares foram atingidos por incêndios na América do Norte e Europa

De acordo com a Unece, mais de 4,3 milhões de hectares foram consumidos pelas queimadas nos Estados Unidos, enquanto 3,7 milhões de hectares foram atingidos no Canadá, refletindo a dimensão da atual temporada de incêndios.

Na França, a região de Gironde registrou cerca de 42 mil hectares de pinhais destruídos, situação que levou à evacuação de moradores e turistas.

Já a Espanha contabilizou mais de 200 mil hectares queimados, volume correspondente ao dobro da média histórica anual do país. A União Europeia também alertou para o avanço do risco em direção ao leste do continente, com possibilidade de impactos em países como Grécia e Itália.

Impactos econômicos, ambientais e sanitários ultrapassam as áreas atingidas

Segundo o relatório, os efeitos dos incêndios vão além da destruição das florestas. A Unece estima que os prejuízos diretos provocados pelas queimadas na União Europeia alcancem aproximadamente € 2,5 bilhões por ano.

A fumaça produzida pelos incêndios pode percorrer milhares de quilômetros, comprometendo a qualidade do ar e contribuindo para o agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares.

O documento também aponta consequências de longo prazo, como perda de biodiversidade, redução da produtividade agrícola e aumento dos investimentos necessários para restaurar áreas degradadas.

Atividade humana permanece como principal causa das queimadas

Embora as mudanças climáticas favoreçam condições mais propícias para incêndios de grande intensidade, a Unece informa que cerca de 90% dos focos continuam relacionados à atividade humana, seja por negligência ou ações intencionais.

Para a ONU, esse cenário demonstra que grande parte dos incêndios pode ser evitada por meio de campanhas de conscientização, regulamentações mais rigorosas e gestão florestal sustentável.

A organização também alerta para um ciclo de retroalimentação entre incêndios e mudanças climáticas. À medida que o fogo destrói grandes áreas de vegetação, bilhões de toneladas de carbono são liberadas na atmosfera, contribuindo para o aquecimento global e aumentando as condições favoráveis para novas queimadas.


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