Jovens defendem maior participação na política externa durante encontro da CPLP em Portugal

O Encontro de Política Externa e Pensamento Estratégico (Epepe) reuniu dezenas de jovens em Cascais, Portugal, para discutir temas relacionados à política externa, à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), ao papel de Portugal no Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) e às iniciativas para tornar o português uma língua oficial da ONU. O evento integrou as comemorações pelos 30 anos da CPLP e foi coorganizado pela CPLP e pelo Instituto para a Promoção da América Latina e das Caraíbas (Ipdal).

Durante o encontro, jovens de diferentes países lusófonos participaram de debates e grupos de trabalho destinados à elaboração de propostas sobre cooperação internacional, diplomacia e integração entre os países de língua portuguesa. As contribuições serão reunidas em um documento que será encaminhado às autoridades portuguesas e compartilhado entre os integrantes da comunidade lusófona.

O presidente do Ipdal, Paulo Neves, destacou que a participação da juventude deve integrar os processos de formulação de políticas públicas e de política externa, defendendo maior espaço para as novas gerações nos debates sobre os desafios internacionais contemporâneos.

Evento celebra os 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa

O encontro fez parte da programação comemorativa pelos 30 anos da CPLP, organização criada em 17 de julho de 1996, que atualmente reúne nove Estados-membros: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné-Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Além dos países-membros, a comunidade mantém dezenas de Estados observadores, entre eles França e Estados Unidos, fortalecendo sua atuação em diferentes regiões do mundo.

Segundo Paulo Neves, a diversidade geográfica da CPLP amplia a capacidade de diálogo da organização com blocos regionais da Europa, África, América Latina e Ásia-Pacífico.

Documento reunirá propostas apresentadas pelos jovens

A secretária-executiva da CPLP, Fátima Jardim, participou do encontro e acompanhou as discussões promovidas pelos grupos de trabalho.

De acordo com Paulo Neves, as contribuições dos participantes serão consolidadas pelo Ipdal em um documento oficial que será encaminhado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, à Presidência da República Portuguesa e compartilhado internacionalmente.

Participaram do encontro jovens provenientes de Portugal, Angola, Brasil, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e outros países, além de participantes da Itália e do Cazaquistão com domínio da língua portuguesa.

Portugal retornará ao Conselho de Segurança da ONU em 2027

Outro tema debatido foi o retorno de Portugal como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, mandato que terá início em janeiro de 2027 e duração de dois anos.

Durante as discussões, participantes defenderam que a presença portuguesa no órgão possa ampliar a representação de temas relacionados à lusofonia e fortalecer a cooperação entre os países de língua portuguesa no cenário internacional.

Segundo Paulo Neves, a pluralidade de perspectivas entre os membros da CPLP representa um fator que amplia a capacidade de diálogo da comunidade em diferentes organismos multilaterais.

Português como língua oficial da ONU permanece em debate

Entre os assuntos discutidos esteve também a proposta apresentada pelo Governo de Portugal, com apoio do Brasil e de outros países lusófonos, para que o português se torne uma língua oficial das Nações Unidas até 2030.

Paulo Neves afirmou que a iniciativa deve envolver todos os países que utilizam oficialmente o idioma, considerando que a língua portuguesa constitui patrimônio compartilhado entre os integrantes da comunidade lusófona.

O presidente do Ipdal observou ainda que a evolução de tecnologias como a inteligência artificial aplicada à tradução e à interpretação simultânea poderá contribuir para reduzir custos relacionados à eventual ampliação do número de idiomas oficiais da organização.

*Com informações da ONU News.


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