O Palacete Tira-Chapéu, no Centro Histórico de Salvador, sediou, neste sábado (25/07/2026), a 14ª edição do Prêmio Mulheres Negras Contam Suas Histórias, iniciativa que homenageou dez mulheres com atuação em diferentes áreas da sociedade baiana. Realizado dentro da programação do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, o evento reuniu lideranças da cultura, saúde, justiça, segurança pública, gestão pública, comunicação e comunidades tradicionais, destacando trajetórias ligadas à defesa de direitos e ao fortalecimento da participação feminina.
A cerimônia também promoveu uma reflexão sobre a contribuição histórica de mulheres negras e indígenas para a formação do Brasil. A proposta da premiação é reconhecer lideranças que atuam em diferentes espaços da sociedade e ampliar a visibilidade de suas trajetórias, considerando contextos historicamente marcados pela ausência de reconhecimento institucional.
Idealizadora e articuladora do prêmio, Mãe Diana afirmou que a realização do evento no Palacete Tira-Chapéu representa um gesto de reparação simbólica. Durante o discurso, relembrou a trajetória da iniciativa ao longo de seus 14 anos e destacou o papel das mulheres negras e de matriz africana na construção de espaços de resistência e organização comunitária.
Homenageadas representam diferentes áreas de atuação
A edição de 2026 reconheceu dez mulheres que desenvolvem atividades em diferentes segmentos. Foram homenageadas Antonieta Ribeiro, pesquisadora artística; Dra. Luamorena Leoni, médica; Dra. Antonia Faleiros, juíza de Direito; Layz Souza, aspirante a oficial da Polícia Militar; Iracema Silva, mestra em Segurança Pública; Lucinha Negra Lu, influenciadora digital; Ana Caminha, líder comunitária; Renata Tupinambá, cacica; Mãe Vera de Oxum, yalorixá; e Camilla Lima Batista, secretária estadual de Políticas para as Mulheres.
Representando as homenageadas ligadas às comunidades tradicionais, Ana Caminha, integrante da comunidade de pescadores e pescadoras da Gamboa de Baixo, afirmou que o reconhecimento simboliza a trajetória coletiva de mulheres negras, periféricas e lideranças populares. Segundo ela, a ocupação de espaços históricos reforça o direito de pertencimento da população ao Centro Antigo de Salvador.
Também homenageada, Camilla Lima Batista, advogada e secretária estadual de Políticas para as Mulheres, relacionou sua trajetória às origens familiares e à ancestralidade indígena do povo Xukuru-Kariri. Em sua fala, defendeu maior participação da sociedade civil nas políticas públicas voltadas à agricultura familiar, à demarcação de terras e ao enfrentamento da violência contra mulheres.
Evento reforça reconhecimento e visibilidade de lideranças femininas
Durante a cerimônia, a historiadora e ativista do movimento negro Nairobi Aguiar destacou a importância de iniciativas voltadas ao reconhecimento da trajetória de mulheres negras. Segundo ela, além da resistência histórica, momentos de celebração também contribuem para fortalecer o sentimento de pertencimento e valorização coletiva.
Com auditório ocupado por representantes de diferentes segmentos da sociedade, a 14ª edição do Prêmio Mulheres Negras Contam Suas Histórias reafirmou o objetivo de dar visibilidade a lideranças femininas que atuam em áreas como cultura, justiça, saúde, segurança pública, gestão, comunicação e comunidades tradicionais, ampliando o debate sobre reconhecimento, memória e participação social em Salvador.
Ao reunir representantes de diferentes territórios, profissões e experiências, a premiação reforçou a continuidade de uma iniciativa voltada ao reconhecimento de mulheres que desenvolvem ações de impacto social na Bahia, mantendo a proposta de valorização de trajetórias individuais e coletivas.


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