Rouquidão após São João e Copa do Mundo pode indicar lesões nas pregas vocais; Especialista orienta quando procurar atendimento

A rouquidão persistente após o período de festas juninas, grandes shows e jogos da Copa do Mundo pode ser um indicativo de sobrecarga ou lesões nas pregas vocais, segundo a fonoaudióloga Carolina Pamponet, especialista em voz profissional. A combinação entre uso intenso da voz, noites mal dormidas, consumo de bebidas alcoólicas, baixa hidratação e exposição a mudanças climáticas favorece o surgimento de sintomas como falhas na voz, pigarro, irritação na garganta e dificuldade para falar.

De acordo com a especialista, a perda da voz após períodos de uso intenso não deve ser considerada uma consequência normal das comemorações. Embora muitos quadros sejam transitórios, sintomas persistentes podem exigir avaliação especializada para identificar possíveis alterações na laringe.

Com a chegada do inverno, fatores como gripes, resfriados, crises alérgicas, infecções respiratórias e ambientes climatizados também contribuem para o ressecamento das vias aéreas e aumentam o esforço necessário para falar, prolongando ou agravando os sintomas.

Excesso de uso da voz aumenta risco de sobrecarga nas pregas vocais

Segundo Carolina Pamponet, rouquidão é um sintoma clínico e indica que as pregas vocais sofreram algum grau de irritação ou sobrecarga.

A especialista explica que, em muitos casos, alguns dias de repouso vocal são suficientes para a recuperação. No entanto, quando a alteração vocal permanece por período prolongado, torna-se necessária uma investigação médica e fonoaudiológica.

Durante as últimas semanas, a combinação entre conversas prolongadas em ambientes ruidosos, gritos durante partidas de futebol, participação em festas, apresentações musicais e noites de forró criou um cenário favorável ao desgaste das estruturas responsáveis pela produção da voz.

Inverno favorece o ressecamento da laringe

Além dos excessos relacionados às comemorações, o inverno reúne condições que podem comprometer a saúde vocal.

Segundo Carolina Pamponet, o aumento da circulação de vírus respiratórios, das crises alérgicas e o uso frequente de aparelhos de ar-condicionado favorecem o ressecamento da mucosa da laringe.

Quando ocorre desidratação ou inflamação das vias aéreas, as pregas vocais necessitam de maior esforço para vibrar, reduzindo a qualidade da voz e aumentando o risco de lesões decorrentes do uso contínuo.

Hidratação e repouso vocal estão entre as principais recomendações

Para favorecer a recuperação da voz, a especialista recomenda aumentar a ingestão de água, reduzir temporariamente o uso da voz e evitar conversas prolongadas, gritos e até mesmo o hábito de falar em sussurros.

Outras orientações incluem manter uma rotina adequada de sono, evitar cigarros, bebidas alcoólicas e alimentos que favoreçam o refluxo gastroesofágico, além de utilizar inalação com soro fisiológico, quando houver indicação profissional.

Carolina Pamponet também alerta para um comportamento frequente entre pessoas com rouquidão: tentar compensar a perda da voz falando mais alto ou pigarreando repetidamente. Segundo ela, essas atitudes aumentam o atrito entre as pregas vocais e podem agravar o quadro clínico.

Profissionais que utilizam a voz exigem atenção permanente

Os cuidados com a saúde vocal são considerados ainda mais importantes para pessoas que utilizam a voz como principal instrumento de trabalho.

Entre os profissionais que dependem diretamente da comunicação oral estão professores, jornalistas, advogados, palestrantes, operadores de telemarketing, líderes religiosos e cantores, que estão mais expostos ao desgaste vocal ao longo da rotina.

Para esse público, especialistas recomendam manter hidratação constante, controlar a intensidade da fala em ambientes barulhentos, realizar pausas durante períodos prolongados de comunicação e evitar mudanças bruscas de temperatura.

Rouquidão por mais de 15 dias exige avaliação especializada

Segundo Carolina Pamponet, alterações vocais que persistem por mais de 15 dias, principalmente quando não estão associadas a um quadro de gripe ou resfriado, devem motivar a procura por atendimento especializado.

A recomendação é realizar avaliação com um otorrinolaringologista e um fonoaudiólogo especializado em voz, permitindo o diagnóstico precoce de inflamações, lesões nas pregas vocais ou outras condições que possam comprometer a saúde vocal.

A especialista destaca que a adoção de hábitos preventivos e a busca por assistência profissional quando necessário contribuem para preservar a qualidade da voz e reduzir o risco de complicações.


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