A pesquisa produzida por estudantes da rede estadual da Bahia alcançou projeção nacional ao ser apresentada no 27º Encontro Nacional de Geografia Agrária (ENGA), realizado em Fortaleza, no Ceará. O estudo, desenvolvido por jovens ribeirinhas da Ilha da Canabrava, em Bom Jesus da Lapa, aborda o modo de vida da comunidade local, a produção de alimentos e os desafios enfrentados por estudantes no acesso à educação. A participação no evento reforça a presença da produção científica da educação básica baiana em espaços acadêmicos de alcance nacional.
A pesquisa intitulada “Modo de vida ribeirinho e produção de alimentos: vivências dos estudantes da Ilha da Canabrava em Bom Jesus da Lapa – BA” foi apresentada pela egressa Michele Primo da Costa e pelo professor Mateus Costa Santos, ambos do Colégio Estadual São Vicente de Paulo. O trabalho foi desenvolvido em 2025 por Michele e pelas estudantes Evile Ili Medeiros de Souza e Juliana da Silva Costa.
O estudo teve como base as experiências vividas pelas próprias pesquisadoras na comunidade ribeirinha localizada às margens do Rio São Francisco. A investigação buscou compreender aspectos sociais, educacionais e produtivos da localidade, evidenciando as condições enfrentadas pelos estudantes para frequentar a escola.
Pesquisa revela desafios de acesso à educação na Ilha da Canabrava
Um dos principais pontos identificados pelo trabalho foi o longo deslocamento realizado diariamente pelos estudantes da comunidade para chegar à unidade escolar. Segundo a pesquisa, o percurso leva cerca de duas horas, envolvendo transporte fluvial e terrestre.
A investigação também analisou as condições de vida das 141 famílias residentes na Ilha da Canabrava, identificando elementos que influenciam diretamente a rotina educacional dos jovens. Os dados foram obtidos por meio de visitas de campo, entrevistas e registros fotográficos realizados pelas pesquisadoras.
O levantamento mostrou que muitos estudantes conciliam os estudos com atividades ligadas à agricultura familiar, participando da produção de hortaliças orgânicas comercializadas na feira municipal de Bom Jesus da Lapa.
Produção agrícola familiar integra rotina dos estudantes
Além de retratar os desafios educacionais, a pesquisa destacou a importância econômica da produção agrícola desenvolvida pelas famílias da comunidade. A atividade representa uma fonte de renda para os moradores e contribui para o abastecimento do mercado local.
O estudo apontou que os conhecimentos transmitidos entre gerações fazem parte da construção dos saberes do território ribeirinho, influenciando práticas produtivas, formas de organização comunitária e relações sociais estabelecidas na região.
Ao relacionar educação e produção agrícola, a pesquisa demonstrou como os estudantes participam simultaneamente da formação escolar e das atividades econômicas desenvolvidas por suas famílias.
Participação em evento nacional foi viabilizada por edital da Secretaria da Educação
A presença dos representantes baianos no encontro acadêmico foi possibilitada pelo Edital nº 23/2024 da Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC), por meio da Superintendência de Políticas para a Educação Básica, com apoio do Núcleo Territorial de Educação do Velho Chico (NTE 2).
A iniciativa busca incentivar a participação de estudantes e professores da rede estadual em feiras científicas, mostras acadêmicas e encontros de pesquisa, ampliando oportunidades para divulgação dos trabalhos produzidos nas escolas públicas baianas.
Segundo a SEC, a ação integra uma política de fortalecimento da pesquisa na educação básica, estimulando a produção do conhecimento e a inserção dos estudantes em ambientes de debate científico.
Estudantes e professores destacam importância da experiência acadêmica
Durante o evento, o professor Mateus Costa Santos ressaltou que o estudo oferece visibilidade à realidade enfrentada pelos estudantes da Ilha da Canabrava.
Segundo ele, a pesquisa evidencia tanto os desafios relacionados ao acesso à educação quanto a participação dos jovens na produção agrícola que abastece a feira municipal de Bom Jesus da Lapa. O educador afirmou que a presença em um encontro nacional permite compartilhar essa realidade com pesquisadores de diferentes regiões do país.
Michele Primo da Costa destacou que a participação no ENGA proporcionou intercâmbio de experiências e ampliação dos conhecimentos acadêmicos. Para a pesquisadora, apresentar um trabalho construído a partir da vivência da própria comunidade representa uma oportunidade de levar a realidade ribeirinha a espaços de discussão científica de alcance nacional.
Educação básica amplia presença em eventos científicos
A participação da pesquisa no ENGA demonstra o crescimento da inserção de estudantes da rede estadual baiana em eventos acadêmicos voltados à produção científica.
A iniciativa também evidencia o potencial das pesquisas desenvolvidas nas escolas públicas para abordar temas relacionados ao território, à educação, à agricultura familiar e às dinâmicas sociais presentes nas comunidades do interior da Bahia.
Ao levar para o ambiente universitário as experiências vividas por estudantes ribeirinhos, o trabalho amplia o debate sobre acesso à educação, desenvolvimento local e produção de conhecimento a partir das realidades comunitárias.


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