A exposição “Hoje é de vez em quando”, do artista mineiro Fábio Baroli, segue em cartaz na CAIXA Cultural Salvador até o dia 10 de maio de 2026, marcando sua última semana de visitação com entrada gratuita. Com curadoria de Agnaldo Farias, a mostra reúne 35 obras, entre pinturas e instalações, e já contabiliza mais de 4 mil visitantes desde a abertura, em março.
A proposta central da exposição é questionar a percepção do tempo no mundo contemporâneo, utilizando elementos visuais que dialogam com memória, cotidiano e práticas tradicionais. O projeto conta com patrocínio da CAIXA e do Governo Federal e é voltado ao público de todas as idades.
Ao longo da visita, o público encontra obras que articulam referências da vida rural, saberes populares e experiências pessoais, em contraste com a lógica do imediatismo. A exposição apresenta uma abordagem que busca estimular a contemplação e a desaceleração do tempo, por meio de composições que transitam entre pintura e instalação.
Imersão e formação de público
Desde a abertura, a exposição registra fluxo contínuo de visitantes, incluindo estudantes e grupos escolares. Entre os destaques, está a obra “As Três Marias”, composta por três retratos que sugerem relações geracionais e familiares. O estudante Felipe, de 10 anos, relatou sua percepção durante a visita:
“Elas são iguaizinhas, só muda a idade. A exposição é muito legal, as pinturas parecem fotos”.
A mediação cultural tem papel relevante na experiência do público. O educador Lucas Mahacari destacou a importância dos museus como espaços de aprendizagem:
“A visita ao museu é fundamental na formação, especialmente na infância. Mais do que explicar a obra, é uma troca. É preciso perceber o que cada pessoa traz e criar conexões a partir disso”.
Segundo o educador, a aproximação entre arte e cotidiano contribui para ampliar o interesse do público e fortalecer a valorização da produção artística nacional. Ele ressalta que a obra de Baroli dialoga com diferentes públicos ao incorporar referências acessíveis e elementos reconhecíveis.
Trajetória e linguagem artística
Natural de Uberaba (MG), Fábio Baroli é formado em Artes Visuais pela Universidade de Brasília (UnB) e desenvolveu parte de sua produção no Rio de Janeiro. Sua obra é marcada pela relação com a memória da infância e pelas transformações sociais e urbanas do Cerrado brasileiro.
O artista utiliza uma linguagem que combina pintura e instalação, com referências a nomes como Édouard Manet e Diego Velázquez, além de empregar técnicas como colagem e fragmentação. Esses recursos são utilizados para abordar temas relacionados ao cotidiano, modos de vida e mudanças sociais.
A produção de Baroli também evidencia aspectos de um Brasil pouco visível, com foco em comunidades tradicionais, práticas culturais e saberes populares. A abordagem busca estabelecer conexões entre passado e presente, articulando memória e contemporaneidade em suas composições.


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