A CAIXA Cultural Salvador abre ao público nesta quinta-feira (05/03/2026) a exposição “Hoje é de vez em quando”, do artista mineiro Fábio Baroli. Com curadoria de Agnaldo Farias, a mostra apresenta 35 obras entre pinturas e instalações, propondo reflexões sobre tempo, memória e percepção contemporânea. O acesso é gratuito, com patrocínio da Caixa Econômica Federal e do Governo Federal do Brasil.
A exposição permanece em cartaz até 10 de maio, oferecendo ao público uma experiência centrada na desaceleração do olhar e na observação de narrativas ligadas ao cotidiano e às transformações sociais. As obras investigam o tempo como construção subjetiva, atravessada por lembranças, afetos e práticas culturais transmitidas entre gerações.
Segundo a organização, o projeto integra a programação cultural do espaço e busca ampliar o acesso a produções artísticas contemporâneas com circulação nacional.
Conceito e percurso expositivo
A seleção reúne trabalhos produzidos ao longo da trajetória de Baroli, com foco na relação entre vivências do interior, memória familiar e modos de vida tradicionais. A proposta desloca a noção de tempo linear, apresentando camadas narrativas que conectam passado e presente.
Entre as obras expostas está “Véia Dica”, pintura inspirada na memória afetiva de uma benzedeira próxima ao artista, associada a saberes populares e práticas manuais transmitidas fora dos circuitos formais de ensino. A obra exemplifica o diálogo entre lembrança pessoal e registro visual.
O conjunto também aborda a permanência de costumes e técnicas artesanais, tratados como elementos de identidade cultural e resistência simbólica frente a mudanças urbanas e tecnológicas.
Debate sobre arte e contemporaneidade
De acordo com Baroli, retratar o ambiente rural e a vida interiorana constitui uma estratégia de preservação de referências culturais. O artista afirma que esses contextos apresentam ritmos e formas de organização social distintos dos centros urbanos.
A produção articula pintura e instalação, incorporando recursos como colagem e fragmentação. A abordagem formal é utilizada para discutir impactos do desenvolvimento urbano sobre comunidades e práticas tradicionais.
Após a temporada em Salvador, a exposição seguirá itinerância para as unidades da CAIXA Cultural Fortaleza e da CAIXA Cultural São Paulo, ampliando o alcance do projeto.
Oficina gratuita de pintura
Como ação educativa, o artista ministrará a oficina “A pintura como linguagem” no sábado (07/03/2026) e no domingo (08/03/2026), das 10h às 17h, com intervalo para almoço. A atividade é direcionada a jovens a partir de 14 anos e adultos com experiência em pintura.
A proposta combina conteúdo teórico e prática artística, com foco em técnicas, processos criativos e reflexão sobre a pintura como forma de comunicação visual. As inscrições são realizadas por meio do site da instituição.
A programação formativa integra a estratégia do espaço cultural de aproximar público e artistas por meio de atividades pedagógicas paralelas às exposições.
Trajetória do artista
Natural de Uberaba, Baroli é formado em Artes Visuais pela Universidade de Brasília. Sua produção é influenciada por memórias da infância no interior e por mudanças sociais ocorridas em regiões do Cerrado.
O trabalho desenvolvido posteriormente no Rio de Janeiro consolidou o uso da memória pessoal como eixo narrativo. As obras buscam representar experiências cotidianas, comunidades tradicionais e práticas culturais pouco visíveis no circuito urbano.
A pesquisa artística combina referências históricas da pintura com elementos contemporâneos, estruturando um repertório visual voltado à observação do tempo e das transformações sociais.


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