Exposição “Hoje é de vez em quando” reúne 35 obras de Fábio Baroli na CAIXA Cultural Salvador e propõe reflexão sobre tempo, memória e vida rural

A exposição “Hoje é de vez em quando”, do artista mineiro Fábio Baroli, segue em exibição na CAIXA Cultural Salvador, reunindo 35 pinturas e instalações que abordam a percepção do tempo, a memória e práticas cotidianas ligadas à vida rural. A mostra entrou em sua segunda semana de visitação após o primeiro período de abertura ao público.

Com entrada gratuita, a visitação ocorre de terça-feira a domingo, das 9h às 17h30. O projeto conta com patrocínio da CAIXA e do Governo Federal e integra a programação cultural da instituição na capital baiana.

A proposta da exposição é apresentar obras que questionam a relação contemporânea com o tempo, contrastando com a lógica da aceleração e da homogeneização presentes na vida urbana atual.

Curadoria organiza percurso expositivo a partir da percepção do tempo

A mostra tem curadoria de Agnaldo Farias, que estruturou o percurso expositivo com base em uma abordagem que apresenta o tempo como experiência construída ao longo da observação das obras.

Ao longo da exposição, o visitante é convidado a perceber o tempo não apenas como sequência linear, mas como processo influenciado por memórias, afetos e experiências de vida.

A proposta curatorial apresenta elementos ligados ao cotidiano e às tradições culturais que, segundo a concepção da exposição, podem desaparecer ou se transformar caso não sejam observados ou registrados.

Obras buscam provocar reflexão e experiência sensorial no público

De acordo com o artista Fábio Baroli, cada obra encontra seu significado na experiência individual de quem visita a exposição.

Segundo ele, o objetivo do trabalho artístico é provocar reflexão e estimular questionamentos a partir das percepções geradas pelo contato com as obras.

“O trabalho artístico busca provocar movimentações internas e reflexões. A intenção é que o público experimente sensações que possam gerar perguntas e interpretações próprias ao observar cada obra”, afirmou o artista ao comentar o conceito da exposição.

As obras também exploram contrastes entre elementos de contemplação e estranhamento, estimulando uma experiência interpretativa por parte do visitante.

Salvador marca início de circulação da exposição pelo país

A escolha de Salvador como ponto de partida da exposição dialoga com a presença histórica e cultural da cidade, especialmente no que se refere às relações com memória e ancestralidade.

Após a temporada na capital baiana, a exposição seguirá em formato itinerante para outras unidades da rede CAIXA Cultural no país.

O circuito inclui passagens por Fortaleza e São Paulo, ampliando o alcance da mostra em diferentes regiões e contextos culturais brasileiros.

A circulação busca levar a proposta artística da exposição a públicos diversos, mantendo a mesma estrutura expositiva apresentada em Salvador.

Trajetória artística de Fábio Baroli reúne referências do cotidiano e da memória

Nascido em Uberaba (MG), Fábio Baroli desenvolve uma produção artística marcada pela influência das experiências da infância no interior e pelas transformações sociais observadas no Cerrado brasileiro.

O artista é formado em Artes Visuais pela Universidade de Brasília (UnB) e consolidou parte de sua trajetória no Rio de Janeiro, onde aprofundou pesquisas relacionadas à memória pessoal e às mudanças culturais e urbanas.

Sua produção combina pintura e instalação, incorporando técnicas como colagem e fragmentação. As obras apresentam referências a artistas históricos da pintura europeia, como Manet e Velázquez, ao mesmo tempo em que abordam temas ligados ao cotidiano brasileiro.

O trabalho artístico também dialoga com saberes populares, comunidades tradicionais e modos de vida pouco visíveis, que aparecem nas obras como elementos de reflexão sobre transformações sociais contemporâneas.


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