O aumento de golpes financeiros por Pix tem gerado prejuízos a consumidores em todo o país, mas a implementação do Mecanismo Especial de Devolução (MED 2.0) passa a oferecer novas ferramentas de rastreamento, bloqueio preventivo de contas e recuperação de valores. A medida busca reduzir perdas e agilizar respostas das instituições financeiras diante de fraudes eletrônicas.
O comerciante Carlos Henrique Silva, 42 anos, relata ter perdido R$ 5,6 mil em menos de 10 minutos após receber uma ligação de um homem que se apresentou como funcionário do setor de segurança do banco. O suspeito informou sobre uma compra indevida e orientou transferências via Pix para uma conta supostamente segura.
Seguindo as instruções sob pressão, o comerciante realizou quatro transferências. O golpe foi percebido após o encerramento da ligação, quando o valor não retornou. Ao procurar atendimento, foi informado de que o dinheiro havia sido distribuído para múltiplas contas, dificultando a recuperação imediata.
Crescimento das fraudes via Pix
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que, em 2025, 24 milhões de brasileiros foram vítimas de golpes envolvendo Pix ou boletos falsos, o equivalente a 14% da população. O prejuízo estimado supera R$ 28 bilhões.
Entre as práticas mais recorrentes estão falsas centrais de atendimento, perfis clonados em aplicativos de mensagens e lojas virtuais fraudulentas. Criminosos utilizam informações pessoais das vítimas para dar aparência de legitimidade ao contato.
Especialistas apontam que a rapidez das transferências instantâneas favorece a dispersão dos valores, dificultando o bloqueio imediato sem mecanismos tecnológicos de rastreamento.
Como funciona o MED 2.0
O MED 2.0, regulamentado pelo Banco Central, aprimora o modelo anterior ao permitir rastreamento do dinheiro em cadeia, ou seja, não apenas na primeira conta que recebeu o valor, mas também nas transferências subsequentes.
O sistema possibilita bloqueio preventivo de contas suspeitas e inclusão de botão de denúncia diretamente nos aplicativos bancários, permitindo que o próprio usuário acione o procedimento de contestação com mais rapidez.
Com a ampliação do monitoramento, as instituições financeiras passam a compartilhar informações para identificar contas intermediárias utilizadas para ocultar o destino dos recursos.
Direitos do consumidor e responsabilidades dos bancos
A advogada Clayrtha Gonçalves, docente da Universidade Estácio de Sá, afirma que o mecanismo fortalece a responsabilização das instituições financeiras. Segundo ela, o não cumprimento das etapas previstas pode configurar falha na prestação de serviço, conforme o Código de Defesa do Consumidor.
O fluxo do processo inclui registro da ocorrência, rastreamento das contas, bloqueio de valores e tentativa de devolução. A comunicação entre os bancos deve ocorrer em até sete dias.
Caso haja descumprimento de prazos ou omissão na adoção das medidas, o consumidor pode buscar reparação administrativa ou judicial, com base na responsabilidade objetiva das instituições.


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