Sexta-feira, 20/02/2026 — Um estudo conduzido por pesquisadores do Departamento de Psicologia da Universidade de Toronto identificou cinco tipos principais de motivações que levam indivíduos a buscar um relacionamento romântico, além de uma categoria adicional denominada amotivação. Publicada no Personality and Social Psychology Bulletin, a pesquisa ouviu mais de 1.200 adultos solteiros e utilizou como base a Teoria da Autodeterminação. No Brasil, levantamento inspirado na metodologia do estudo revelou que 64% dos jovens consultados se identificam com a chamada motivação identificada, associada a maior prontidão para o compromisso.
Pesquisa científica estrutura motivações do amor
O estudo, intitulado “Por que você quer um relacionamento romântico?”, parte da premissa de que a busca por um romance não é homogênea. Embora o desenvolvimento de vínculos afetivos seja socialmente esperado, os pesquisadores sustentam que as razões que impulsionam essa busca variam de forma significativa entre indivíduos.
Com base na Teoria da Autodeterminação — abordagem psicológica que diferencia motivações internas e externas — os autores elaboraram uma escala composta por cinco categorias distintas:
- Motivação identificada
- Motivação interior negativa
- Motivação intrínseca
- Motivação interior positiva
- Motivação externa
Além dessas, há a categoria de amotivação, caracterizada pela ausência clara de razões para se engajar em um relacionamento.
Segundo os pesquisadores, a motivação identificada apresenta os índices mais elevados de prontidão para o compromisso, pois envolve uma escolha pessoal consciente e alinhada ao sentido de vida do indivíduo.
Levantamento no Brasil aponta predominância da motivação identificada
Para compreender como jovens brasileiros se reconhecem nessas categorias, foi realizado um levantamento baseado na escala desenvolvida pelos pesquisadores canadenses. Os participantes puderam selecionar até duas opções.
O resultado indicou que 64% dos respondentes escolheram a motivação identificada, categoria em que o relacionamento é percebido como relevante e significativo por decisão própria. Na sequência, aparecem:
- Motivação interior negativa (27%) — associada ao receio de fracasso ou inadequação caso não se esteja em um relacionamento;
- Motivação intrínseca (25%) — vinculada ao prazer e ao interesse genuíno em estar com alguém;
- Motivação interior positiva (11%) — relacionada ao orgulho e à elevação da autoestima;
- Motivação externa (6%) — impulsionada por expectativas sociais, familiares ou de amigos.
A distribuição dos resultados sugere que, entre os jovens consultados, prevalece uma motivação mais autônoma e consciente, em detrimento de pressões externas diretas.
As cinco motivações detalhadas
Motivação identificada (64%)
Caracteriza-se pela valorização consciente do relacionamento. O indivíduo entende que estar com alguém é significativo e pessoalmente importante.
Motivação interior negativa (27%)
Relaciona-se ao medo de fracasso ou inadequação. A ausência de um relacionamento pode gerar sensação de perda ou inferioridade.
Motivação intrínseca (25%)
Baseia-se no prazer e na satisfação de estar em um relacionamento, independentemente de validação externa.
Motivação interior positiva (11%)
Está associada à autoestima e ao sentimento de realização por manter um vínculo afetivo.
Motivação externa (6%)
Deriva de expectativas sociais, como agradar familiares ou atender convenções culturais.
Autonomia afetiva e pressões sociais
A pesquisa evidencia que a busca por relacionamentos não pode ser reduzida a um impulso uniforme ou meramente emocional. A predominância de motivações autônomas sugere maior consciência individual sobre o significado do compromisso afetivo.
Entretanto, o percentual relevante de motivações interior negativas revela que ainda há forte influência de padrões sociais que associam realização pessoal à vida a dois. Esse dado aponta para uma tensão persistente entre autonomia individual e expectativas culturais.
Do ponto de vista social, o estudo reforça a importância do autoconhecimento na formação de vínculos duradouros. Relações construídas a partir de motivações conscientes tendem a apresentar maior estabilidade, enquanto decisões guiadas por pressão externa podem gerar frustração e instabilidade.


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