Um estudo publicado no final de maio de 2025 pela revista científica Plos One revelou que 40% dos trabalhadores das praias de Salvador sofreram acidentes de trabalho no período de 12 meses. A pesquisa foi conduzida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) em parceria com o Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da Universidade Federal da Bahia (Ufba), com o objetivo de mapear as condições de trabalho na orla da capital baiana.
O levantamento foi realizado entre novembro de 2023 e março de 2024, com 579 trabalhadores entrevistados em cinco áreas da orla: Amaralina, Itapuã, Jardim de Alah, Piatã e Ribeira. Os dados revelam que os acidentes estão relacionados principalmente à informalidade, à ausência de equipamentos de proteção individual (EPIs) e às longas jornadas de trabalho, com 70% dos entrevistados atuando por mais de oito horas por dia.
A perfuração nos membros inferiores foi identificada como a causa mais comum de acidentes, especialmente entre vendedores ambulantes e garçons, que circulam constantemente pela areia. A pesquisa aponta os espetos de queijo coalho descartados de forma inadequada como um fator relevante de risco. Segundo o coordenador da pesquisa, professor Cleber Cremonese, os objetos pontiagudos representam ameaça contínua à integridade física dos trabalhadores.
Outro dado relevante do estudo mostra que jovens têm o dobro de risco de acidentes em comparação a outros grupos etários, enquanto mulheres enfrentam uma incidência cinco vezes maior de queimaduras, frequentemente associadas à preparação de alimentos sob condições inadequadas de segurança. Além dos acidentes, foram identificadas doenças ocupacionais, como infecções de pele, lesões por esforço repetitivo (LER/Dort) e perda auditiva.
Com base nos resultados, o MPT planeja dialogar com a Prefeitura de Salvador para propor políticas públicas específicas que promovam a formalização do trabalho, a redução da jornada, e a ampliação do acesso a direitos sociais, como licença médica e aposentadoria. O procurador Ilan Fonseca destaca que o estudo será utilizado como base para ações que buscam melhorar as condições de trabalho em um setor diretamente ligado ao turismo na capital baiana.
O projeto foi viabilizado por recursos do próprio MPT e tem como foco a defesa dos direitos trabalhistas e sociais, buscando diminuir a vulnerabilidade e os riscos ocupacionais enfrentados pelos profissionais que atuam diariamente nas praias de Salvador.


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