O Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Salvador entrou nesta quarta-feira (11/02/2026) em nova fase de testes operacionais no Subúrbio Ferroviário, com a realização do “abre-alas” cultural entre o Terminal da Calçada e o bairro do Lobato. A ação, promovida durante as obras em andamento, levou marchinhas de Carnaval e manifestações populares ao trajeto experimental, reunindo moradores e artistas locais e sinalizando o avanço físico do sistema de transporte, cuja primeira etapa prevê circulação assistida a partir de junho.
Ação cultural acompanha testes operacionais
O evento contou com apresentações da Filarmônica Lira de Maracangalha e do grupo Pierrot Teimoso, bloco tradicional de caretas do bairro de Plataforma. A iniciativa integrou música e cultura popular ao percurso experimental do VLT, aproximando o novo modal das comunidades do entorno e reforçando o simbolismo do transporte como elemento de transformação urbana.
Segundo o presidente da Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB), Eracy Lafuente, a ação teve caráter simbólico e comunitário. De acordo com o dirigente, os testes seguem em ritmo acelerado, e o abre-alas buscou reproduzir o espírito do Carnaval para aproximar a população do novo sistema.
Durante a passagem do comboio, moradores acompanharam a atividade nas paradas intermediárias. Na estação Pedreira, a dona de casa Simone Góes afirmou que a região aguardava mudanças no transporte e demonstrou expectativa para a operação definitiva do modal.
Expectativas da população e simbolismo ferroviário
No bairro do Lobato, a dona de casa Lucitânia Oliveira associou o novo sistema à memória familiar. Segundo ela, o pai, ex-ferroviário, costumava afirmar que o transporte na região passaria por melhorias, e a presença do VLT representou a concretização dessa expectativa.
O percurso do abre-alas incluiu as paradas Santa Luzia, Pedreira, Voluntários da Pátria e Lobato, correspondendo a cerca de 50% do Trecho 1 do sistema. Essa etapa do projeto tem previsão de circulação assistida em junho, fase em que o sistema opera com passageiros em caráter experimental, antes da entrada definitiva em operação comercial.
Após a conclusão das obras, o Trecho 1 deverá ligar o Terminal da Calçada à Ilha de São João, no município de Simões Filho, consolidando um novo eixo de mobilidade para o Subúrbio Ferroviário.
Obras do Trecho 2 avançam com intervenções viárias
No Trecho 2, que conectará o bairro de Paripe a Águas Claras, o projeto inclui uma série de intervenções complementares de infraestrutura. Estão em andamento:
- Instalação da via permanente do VLT
- Duplicação da BA-528 (Estrada do Derba)
- Construção de viaduto sobre a BR-324
- Implantação de passagem inferior no Hospital do Subúrbio
As intervenções visam integrar o sistema ferroviário leve à malha viária e aos equipamentos urbanos da região, ampliando a capacidade de deslocamento e reduzindo gargalos logísticos.
Cronograma e impactos esperados
O projeto do VLT do Subúrbio Ferroviário é tratado pelo governo estadual como uma das principais intervenções de mobilidade urbana na capital baiana. A proposta é substituir o antigo sistema ferroviário desativado, modernizando a infraestrutura de transporte e ampliando a integração com outros modais.
Com a circulação assistida prevista para o primeiro semestre, a expectativa é iniciar gradualmente a operação, com ajustes técnicos e operacionais antes da abertura comercial. O sistema deverá atender milhares de passageiros por dia, conectando áreas residenciais a centros de serviços e integração metropolitana.


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