O vereador Hamilton Assis (PSOL) manifestou solidariedade ao terreiro de candomblé Nzo Mutá Lombô ye Kayongo Toma Kwiza, localizado no bairro de Cajazeiras XI, em Salvador, após o espaço religioso ser alvo de ataque de racismo religioso e vandalismo registrado na madrugada de 17 de janeiro de 2026. O caso está sendo investigado pelas autoridades competentes.
Com 33 anos de atuação religiosa e social na comunidade, o terreiro teve a fachada pichada com mensagens ofensivas, causando danos materiais e impacto direto sobre os membros da casa e os frequentadores da comunidade de fé.
O episódio reforça o debate sobre a segurança de templos religiosos e a permanência de práticas de intolerância contra religiões de matriz africana no contexto urbano.
Ataque e impacto na comunidade religiosa
As pichações incluíram palavras ofensivas escritas em tinta vermelha, caracterizando um ato direcionado ao conteúdo simbólico e religioso do espaço. Além do prejuízo físico à estrutura, o ataque gerou abalo emocional entre os integrantes do terreiro.
Segundo relatos da comunidade, o local é referência não apenas para práticas espirituais, mas também para ações sociais desenvolvidas ao longo de mais de três décadas em Cajazeiras XI.
O vandalismo se soma a outros registros de ataques a espaços religiosos afro-brasileiros em Salvador, ampliando a preocupação de lideranças comunitárias e representantes públicos.
Posicionamento do vereador e combate ao racismo religioso
Hamilton Assis lamentou o ocorrido e destacou a necessidade de enfrentamento contínuo ao racismo religioso, ressaltando que esse tipo de violência atinge de forma recorrente as religiões de matriz africana no Brasil.
O parlamentar, que integra a Comissão de Reparação da Câmara Municipal, afirmou que o Estado tem a obrigação de garantir a integridade e a segurança de todos os templos religiosos, independentemente de sua tradição ou crença.
O vereador também chamou atenção para o crescimento de discursos de ódio, tanto no ambiente digital quanto em outros espaços da sociedade, apontando a necessidade de respostas institucionais mais efetivas.
Investigação policial e propostas de prevenção
O caso foi registrado na Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin), que conduz a investigação com apoio de imagens de câmeras de segurança existentes no entorno do terreiro, com o objetivo de identificar os responsáveis.
Hamilton Assis informou que irá acompanhar o andamento das investigações e buscar medidas para ampliar a proteção aos terreiros, citando também ocorrências frequentes de vandalismo em outros espaços religiosos da região, como a Pedra de Xangô, em Cajazeiras.
Entre as propostas apresentadas, o vereador defendeu a criação de campanhas de conscientização, especialmente em escolas e comunidades, como instrumento de prevenção à intolerância religiosa.


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