O COATO Coletivo realiza, entre quarta e sexta-feira (21 a 23/01/2026), a sexta edição do projeto Liquidificador de Mídias, na Casa do Benin, no Pelourinho, em Salvador. Com o tema “Expansão de territórios artísticos: entre o local e o global”, o evento propõe reflexões sobre território, identidade, memória e intercâmbios culturais, reunindo artistas, pesquisadores e público em uma programação interdisciplinar.
Criado em 2017, o Liquidificador de Mídias se consolida como um espaço de pesquisa, experimentação e criação artística contemporânea, promovendo encontros entre diferentes linguagens e campos do saber. A sexta edição amplia esse escopo ao incorporar interconexões digitais com outros territórios, favorecendo a troca de saberes, a circulação simbólica e o fortalecimento de redes de criação e pensamento crítico.
Durante os três dias de atividades, o projeto articula ações formativas, apresentações artísticas, exibições audiovisuais e debates públicos, abordando as relações entre arte, pertencimento, ancestralidade e experiências locais e globais.
Programação formativa e práticas de ancestralidade
A programação tem início na quarta-feira (21/01/2026), das 10h às 12h, com a workshop “Chão que Somos”, conduzida por Caboclo de Cobre. A atividade é gratuita, destinada a pessoas a partir de 18 anos, com inscrições realizadas por formulário disponibilizado no perfil @coatocoletivo no Instagram.
A vivência propõe uma metodologia centrada nos eixos de comunidade e ancestralidade, estruturada em três etapas: investigação, experimentação e criação. O processo articula práticas corporais, técnicas vocais, ritualizações, cultura oral e narrativas pessoais, culminando em uma criação performativa coletiva que reafirma o corpo como espaço de memória, identidade e presença.
Ainda na quarta-feira (21/01/2026), às 14h, acontece a Mostra de Curtas, com curadoria das artistas e pesquisadoras Ixchel Castro e Natielly Santos, integrantes do COATO Coletivo. A seleção reúne produções audiovisuais que abordam resistência e reexistência de comunidades e povos tradicionais da Bahia, destacando a defesa de territórios, culturas e modos de vida frente a processos de desigualdade social, especulação imobiliária e capital extrativista.
Integram a mostra os curtas “SSA – Suspiros e Sussurros de Acordar”, de Heder Novaes e Mirian Fonseca (2024), “Não consigo respirar”, com direção de Lucas Sato (2020), além de uma produção audiovisual inédita resultante dos experimentos do Lab.Ex – Laboratório de Experimentação Cênica, realizados durante a circulação do COATO em Lençóis, Barreiras e Cachoeira, no segundo semestre de 2025.
Artes da cena e debates sobre corpo e território
Às 15h30, na quarta-feira (21/01/2026), o público acompanha a apresentação do espetáculo “Árvore-ser”, seguida de bate-papo com o artista. A obra, idealizada e performada pelo dançarino Thiago Cohen, investiga relações entre corpo, tempo e natureza, a partir da experiência do isolamento durante a pandemia da Covid-19 e da observação das árvores que resistem no contexto urbano.
Na quinta-feira (22/01/2026), a programação retoma pela manhã, das 10h às 12h, com a continuidade da oficina de teatro ministrada por Caboclo de Cobre. No período da tarde, das 14h às 15h30, acontece a Mesa Redonda “Arte e terra: pela dignidade de existir”, reunindo a deputada estadual Lucinha do MST, a artista transdisciplinar e mestra em antropologia Clara Domingas e o professor antirracista e agente territorial de cultura Fernando Ferreira.
O debate propõe o diálogo entre arte, política e território, discutindo a defesa do planeta e do corpo como espaços de existência, a luta pela (re)existência digna dos povos e a preservação dos entornos naturais, destacando o impacto social, simbólico e ancestral do agir coletivo.
Às 15h30, o evento recebe o Slam, com a participação da trupe Slam Dê Ideia, formada por slamers da Cidade Baixa, em Salvador. A atividade promove uma batalha de poesia, música e oralidade, transformando o espaço em um ambiente de troca, mobilização cultural e pertencimento coletivo.
Encerramento e reflexão crítica sobre a cena teatral
A programação se encerra na sexta-feira (23/01/2026), às 15h, com a apresentação da palestra-performance “Inflexo Teatro”, seguida de bate-papo. O trabalho, de Danilo Lima, propõe uma reflexão crítica sobre a linguagem teatral, abordando processos históricos de colonização, catequização e apagamento cultural, ao mesmo tempo em que aponta deslocamentos estéticos e políticos para a cena contemporânea.
O Liquidificador de Mídias – Ano 6 reafirma seu papel como espaço de experimentação, escuta e produção de pensamento crítico, fortalecendo conexões entre práticas artísticas locais e debates globais, entre ancestralidade, tecnologia, presença e futuros possíveis.
A sexta edição integra o projeto de manutenção “Território Expandido: Arte Local e Global”, que marca o fortalecimento da pesquisa continuada do COATO Coletivo. A iniciativa foi contemplada pelos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia, com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado, via PNAB, direcionada pelo Ministério da Cultura – Governo Federal.


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