O Cortejo Afro realiza seu primeiro desfile do Carnaval de Salvador 2026 na sexta-feira (13/02/2026) com o tema “Benin”, em referência ao país da África Ocidental e ao histórico Reino do Daomé, estabelecendo diálogo cultural com a ancestralidade afro-baiana. A apresentação inclui figurinos temáticos, elementos simbólicos e joias exclusivas, incorporadas ao traje de parte dos integrantes do bloco.
Esta é a primeira vez que o Cortejo Afro homenageia um país africano em seu desfile temático. O projeto artístico reúne música, dança, indumentária e adereços para representar referências históricas, religiosas e estéticas associadas ao antigo reino africano.
A proposta conecta o público às narrativas do Daomé, território que foi colonizado pela França em 1892, conquistou independência em 1960 e adotou oficialmente o nome Benin em 1975, mantendo influência cultural presente na diáspora africana na Bahia.
Tema Benin orienta estética e narrativa do desfile
O conceito do desfile parte de registros mitológicos e simbólicos associados ao Reino do Daomé, onde divindades eram representadas por objetos, animais e elementos naturais, como peixes, pássaros, vacas e leões. Essas referências visuais serão aplicadas nos trajes desenvolvidos pelo artista Alberto Pitta, responsável pela direção estética do bloco.
As roupas utilizam tecidos coloridos, estampas e elementos gráficos que remetem a essa iconografia. A composição visual busca articular tradição, identidade africana e expressão contemporânea no contexto do Carnaval de Salvador.
A performance combina música percussiva, coreografias coletivas e indumentária temática, mantendo a linha artística que caracteriza o Cortejo Afro ao longo de seus desfiles.
Joias artesanais integram figurino de integrantes
Entre os elementos incorporados à apresentação estão 30 colares produzidos em latão, cada um com pingente de aproximadamente 15 centímetros, representando divindades associadas ao Benin. As peças foram desenvolvidas com exclusividade pela artista baiana Mônica Vieira, em parceria com o bloco.
Os pingentes foram criados a partir de desenhos elaborados por Alberto Pitta, adaptados para o formato de joia. As peças serão utilizadas por integrantes selecionados durante o cortejo.
Mônica Vieira mantém parceria com o Cortejo Afro há mais de uma década, contribuindo regularmente com acessórios e elementos artesanais que dialogam com os temas anuais do grupo.
Parceria artística e trajetória cultural
A colaboração entre Mônica Vieira e o Cortejo Afro integra o histórico de cooperação com artistas visuais e artesãos locais na construção dos desfiles. Segundo a organização, o objetivo é valorizar produção autoral e técnicas manuais aplicadas à indumentária carnavalesca.
O Cortejo Afro mantém atuação contínua no Carnaval de Salvador, com projetos que relacionam estética, identidade negra, memória histórica e manifestações culturais afro-brasileiras.
Ao escolher o Benin como tema, o bloco reforça a conexão entre Bahia e África Ocidental, destacando referências históricas presentes na formação cultural do estado.


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