O Bloco Afro A Mulherada realiza desfile no Circuito Campo Grande nesta quinta-feira (12/02/2026) com o tema “Iyobas – A Força Ancestral da Rainha Mãe Idia: do Benin a Salvador, a herança das mulheres negras”. A apresentação integra a programação do Carnaval de Salvador e homenageia figuras históricas do Reino do Benin, estabelecendo conexões entre ancestralidade africana e manifestações culturais afro-brasileiras.
Com 25 anos de atuação, o bloco participa da abertura oficial da festa e reúne mais de 1.000 integrantes, distribuídos em alas de percussão, dança, baianas, rainhas afro, xequerês e foliãs e foliões. O desfile será conduzido pela Banda Mulherada, responsável pela direção musical do cortejo.
A proposta do tema é ampliar a visibilidade de mulheres negras da diáspora africana e reconhecer a permanência de referências culturais, espirituais e políticas ligadas às Iyobas, título de liderança feminina no Benin histórico.
Estrutura do desfile e organização artística
O cortejo no Campo Grande marca a presença do primeiro bloco afro formado majoritariamente por mulheres a ocupar a passarela do circuito, consolidando a participação feminina na programação carnavalesca. A apresentação integra também a cerimônia que inaugura oficialmente o evento na capital baiana.
A composição do desfile prevê alas temáticas, figurinos e performances coreografadas, com acompanhamento percussivo contínuo. A organização mantém formato de bloco afro tradicional, com condução rítmica baseada em tambores, xequerês e canto coletivo.
A expectativa é de circulação de público ao longo do trajeto, seguindo o modelo de cortejo aberto adotado no circuito central, que concentra parte significativa das atrações do primeiro dia de Carnaval.
Conceito temático e eixos narrativos
O conceito artístico está dividido em três eixos estruturais. O primeiro, Ancestralidade, resgata símbolos, rituais e referências estéticas do Reino do Benin, relacionando memória histórica e identidade cultural.
O segundo eixo, Travessia, aborda as transformações resultantes da diáspora africana, destacando processos de deslocamento, resistência e recriação de tradições em território brasileiro.
Já o terceiro, Herdeiras das Iyobas, posiciona mulheres negras de Salvador como protagonistas contemporâneas da cultura afro-baiana, conectando herança histórica à atuação social e artística atual.
Trajetória do bloco e presença no Centro Histórico
Fundado há 25 anos, o A Mulherada mantém participação contínua nas festas carnavalescas da cidade. O grupo também desenvolve ações culturais e comunitárias por meio do Instituto A Mulherada, com atividades voltadas à formação artística e valorização da cultura afro-brasileira.
O Circuito Batatinha, no Centro Histórico, é apontado como espaço de origem e consolidação do bloco. O local abriga apresentações e iniciativas do grupo ao longo do ano, além de atividades durante o Carnaval.
Como parte da programação de 2026, o bloco retorna ao Centro Histórico no domingo (15/02/2026), durante o Furdunço, com apresentação em formato de banda show e microtrio, passando por áreas como Praça da Sé, Terreiro de Jesus e Largo do Pelourinho.
Ações culturais e apoios institucionais
A organização define o projeto como iniciativa voltada à produção cultural, formação de público e fortalecimento de redes comunitárias, com foco em mulheres negras, cis e trans, e pessoas LGBTQIA+. As atividades incluem música, dança e ações educativas.
O tema “Iyobas” também é utilizado como instrumento de educação patrimonial e difusão de referências afro-diaspóricas, inserindo conteúdos históricos no contexto do desfile e do repertório musical.
A participação do bloco no Carnaval conta com patrocínio institucional da Secretaria de Cultura e Turismo de Salvador (SECULT), da Empresa Salvador Turismo (SALTUR) e da Superintendência de Fomento ao Turismo do Estado da Bahia (SUFOTUR).


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