O uso de canetas emagrecedoras por pessoas idosas requer cuidados específicos e acompanhamento médico contínuo, segundo avaliação da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). O alerta foi feito pelo presidente da entidade, Leonardo Oliva, em entrevista concedida na terça-feira (06/01/2026), ao tratar dos riscos associados ao uso inadequado desses medicamentos nessa faixa etária.
De acordo com Oliva, sem orientação adequada, pessoas com 60 anos ou mais apresentam risco aumentado de efeitos adversos imediatos, como náuseas, vômitos, dificuldade de ingestão de alimentos e líquidos, podendo evoluir para desidratação e distúrbios eletrolíticos, situações consideradas potencialmente graves. A médio prazo, o uso inadequado pode levar à desnutrição.
Outro ponto destacado pelo especialista é a perda de massa muscular associada ao emagrecimento medicamentoso. Segundo Oliva, cerca de um terço do peso perdido com essas medicações corresponde à massa magra, o que pode comprometer a capacidade funcional do idoso.
Perda muscular pode comprometer a autonomia do idoso
Na população idosa, a redução de massa muscular pode resultar em perda de funcionalidade, afetando a capacidade de realizar atividades básicas do dia a dia. Oliva ressalta que, em alguns casos, essa perda pode não ser totalmente recuperada, aumentando o risco de dependência funcional.
O diretor-científico da SBGG, Ivan Aprahamian, acrescenta que o efeito combinado de menor apetite, náuseas e perda rápida de peso pode precipitar síndromes geriátricas, como sarcopenia e fragilidade física, condições associadas a maior risco de quedas, hospitalizações e redução da qualidade de vida.
Diante desse cenário, os especialistas reforçam que o uso dessas medicações deve ser criterioso, especialmente em idosos, considerando as particularidades metabólicas e funcionais do envelhecimento.
Indicação correta e diferença entre tratamento e uso estético
Leonardo Oliva esclarece que as canetas emagrecedoras são indicadas para o tratamento da obesidade, além de condições como diabetes e apneia do sono. Segundo ele, há uma diferença clara entre tratar uma doença crônica e utilizar o medicamento para perda de poucos quilos com finalidade estética.
O presidente da SBGG alerta que não há indicação médica para o uso dessas medicações com o objetivo de eliminar pequenas quantidades de peso ou gordura localizada. Apesar de reconhecer a eficácia e inovação terapêutica das canetas, Oliva ressalta que seu uso deve ocorrer de forma apropriada e supervisionada.
A SBGG destaca que o uso indiscriminado, impulsionado pela busca por padrões corporais, pode representar riscos à saúde, sobretudo quando não há avaliação clínica prévia e acompanhamento multidisciplinar.
Acompanhamento multidisciplinar e ritmo adequado de emagrecimento
No tratamento da obesidade em idosos, os especialistas recomendam acompanhamento médico, nutricional e de profissionais de atividade física, como fisioterapeutas ou educadores físicos. A prática regular de exercícios, especialmente musculação, é considerada fundamental para minimizar a perda muscular durante o emagrecimento.
Oliva orienta que o emagrecimento não seja rápido, pois quanto maior a velocidade da perda de peso, maior tende a ser a redução associada de massa muscular. O processo deve garantir a ingestão adequada de proteínas, vitaminas e minerais, além da manutenção de hábitos alimentares equilibrados.
O cuidado também envolve a saúde emocional e psicológica, uma vez que dietas com restrição calórica podem gerar impactos emocionais e exigem suporte especializado para evitar prejuízos ao bem-estar geral do idoso.
Envelhecimento, gordura corporal e foco na saúde
Segundo o geriatra, é importante que o idoso compreenda que o corpo sofre mudanças naturais com o envelhecimento, incluindo uma tendência genética ao acúmulo de gordura e à substituição gradual de músculo por tecido adiposo.
Embora o excesso de gordura seja um fator de risco à saúde, Oliva reforça que o foco do tratamento deve ser a promoção da saúde, e não apenas a redução do número na balança. Alimentação adequada, atividade física regular e cuidado com a saúde mental fazem parte desse processo.
O especialista enfatiza que buscar saúde vai além do peso corporal, envolvendo múltiplos aspectos do envelhecimento ativo e saudável.
Receita médica e riscos do mercado ilegal
Outro ponto considerado essencial pela SBGG é a aquisição das canetas emagrecedoras apenas com receita médica, em farmácias legalizadas. Oliva alerta para a existência de produtos falsificados no mercado ilegal, que apresentam riscos adicionais à saúde.
Entre os perigos estão a falta de controle sobre a substância injetada, riscos de contaminação por bactérias, fungos ou outras substâncias, além da ausência de controle sanitário. Para o especialista, a exigência de receita médica existe justamente para garantir avaliação clínica adequada e monitoramento dos efeitos adversos.
Oliva reforça que a população deve compreender que a prescrição médica não é um obstáculo burocrático, mas uma medida de segurança para proteger a saúde, especialmente em grupos mais vulneráveis, como os idosos.
*Com informações da Agência Brasil.


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