A fibromialgia é uma síndrome crônica caracterizada por dores musculares difusas, fadiga e distúrbios do sono, que afeta cerca de 4 milhões de brasileiros, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia. A condição, que atinge principalmente mulheres entre 30 e 50 anos, representa um desafio diagnóstico por não apresentar alterações detectáveis em exames laboratoriais ou de imagem.
Diagnóstico clínico e critérios internacionais
O diagnóstico da fibromialgia é clínico e segue critérios do American College of Rheumatology, que incluem dor difusa por mais de três meses em ambos os lados do corpo, acima e abaixo da cintura, além da avaliação de índices de dor e gravidade dos sintomas. Exames complementares são realizados apenas para excluir doenças com sintomas semelhantes, como lúpus, artrite reumatoide ou hipotireoidismo.
A reumatologista Carla Baleeiro, coordenadora do Serviço de Reumatologia do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), explica que o acolhimento do paciente é fundamental.
“Não há exame que comprove a fibromialgia. O diagnóstico depende da escuta atenta e da exclusão de outras doenças”, afirma.
Tratamento multidisciplinar e cuidados contínuos
Embora não exista cura, o tratamento multidisciplinar possibilita controle dos sintomas e melhora da qualidade de vida. Ele envolve exercícios físicos leves ou moderados, como caminhada, hidroginástica, alongamento e fortalecimento muscular, que reduzem dor e fadiga.
Em casos mais intensos, podem ser indicados medicamentos moduladores da dor e antidepressivos, que auxiliam também na qualidade do sono e no estado emocional. Terapias complementares, como acupuntura, fisioterapia, yoga, meditação e terapia cognitivo-comportamental, oferecem benefícios adicionais. A manutenção de hábitos saudáveis e o apoio familiar são considerados essenciais para o tratamento.
Impacto social e estigma da doença invisível
A fibromialgia é uma das principais causas de afastamento do trabalho e queda de produtividade, de acordo com a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Por não deixar marcas visíveis, pacientes frequentemente enfrentam descrédito e preconceito.
“A dor é real, mesmo que os exames não mostrem alterações. Informação e acolhimento são parte do tratamento”, reforça Baleeiro.


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