O vereador de Salvador, Sílvio Humberto (PSB), manifestou-se nesta segunda-feira (29/07/2025) sobre os impactos econômicos e geopolíticos do tarifaço anunciado pelo governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump. A medida já apresenta reflexos negativos no mercado brasileiro e levanta preocupações sobre as relações comerciais entre os dois países.
Segundo o parlamentar, o Brasil será diretamente atingido, por ser o segundo maior parceiro comercial dos EUA. Dados preliminares indicam que a agroindústria brasileira pode sofrer perdas de até US$ 5,8 bilhões, com destaque para o setor de suco de laranja, fortemente dependente da exportação.
O impacto no emprego também é um ponto de alerta. Sílvio Humberto citou estimativas que apontam para a eliminação de 100 mil postos de trabalho em todo o país, sendo 10 mil apenas na Bahia. A Superintendência de Estudos Econômicos do Governo da Bahia (SEI) projeta um prejuízo de aproximadamente US$ 1,8 bilhão para o estado.
Sílvio critica as justificativas econômicas apresentadas pela gestão norte-americana, afirmando que não há desequilíbrio comercial entre os dois países. Para o vereador, a decisão é de caráter político e representa uma ameaça à estabilidade internacional. Ele reforça que “comércio exige reciprocidade e previsibilidade”, o que, segundo ele, tem sido comprometido sob o atual discurso de “faça a América grande novamente”.
O parlamentar também fez referência à recente retirada de vistos diplomáticos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) por parte do governo dos EUA, classificando o ato como um precedente inédito e preocupante nas relações bilaterais.
No campo geopolítico, Sílvio Humberto relaciona o tarifaço à proximidade das eleições presidenciais no Brasil e à disputa por recursos estratégicos, como as terras raras, das quais o país detém a segunda maior reserva mundial. Ele avalia que o momento exige “lances calculados” em um cenário de “jogo de xadrez internacional”.
Por fim, o vereador elogiou a atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante da crise e conclamou a sociedade brasileira a se mobilizar em defesa dos interesses nacionais.
“Estamos juntos, mas não misturados. Nossas desigualdades abissais mostram o quanto ainda temos que caminhar”, afirmou.


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