Vereador Sílvio Humberto critica desigualdade no Carnaval de Salvador, é homenageado pelo Olodum e pede fim da “pirâmide social” nos circuitos oficiais

O vereador Sílvio Humberto (PSB) afirmou, na terça-feira (17/02/2026), que é necessário rever o modelo econômico do Carnaval de Salvador para reduzir desigualdades entre patrocinadores, empresários e trabalhadores informais. A declaração foi feita durante visita ao Observatório da Câmara Municipal de Salvador, instalado no Circuito Osmar, onde o parlamentar recebeu homenagem do Olodum.

Segundo o vereador, o atual formato concentra renda no topo da cadeia produtiva do evento, enquanto ambulantes, cordeiros e trabalhadores de apoio permanecem com menor participação financeira. Ele declarou que “é necessário acabar com a pirâmide social no Carnaval”, defendendo mudanças na distribuição dos recursos gerados pela festa.

Humberto também relacionou o debate à questão racial e afirmou que a desigualdade histórica da capital baiana impacta diretamente o perfil dos trabalhadores que atuam nos circuitos. Para o parlamentar, a renda produzida pela cultura precisa ser compartilhada de forma mais ampla.

Críticas ao modelo econômico da festa

Durante o encontro, o vereador destacou que o patrocínio privado mantém um ciclo em que os mesmos grupos empresariais concentram ganhos. Ele argumentou que, enquanto isso, categorias como ambulantes e cordeiros sustentam a operação logística do Carnaval com menor retorno financeiro.

O parlamentar afirmou que a estrutura econômica do evento reproduz desigualdades sociais e raciais. Em sua avaliação, o racismo estrutural influencia a organização do trabalho e a ocupação dos postos de menor remuneração.

Humberto acrescentou que políticas públicas e fiscalização podem contribuir para equilibrar a distribuição de oportunidades. Para ele, a cultura é vetor de desenvolvimento econômico, mas deve resultar em benefícios coletivos.

Questionamentos sobre a “Passarela do Apartheid”

O vereador também criticou a autorização municipal para a construção da chamada “Passarela do Apartheid”, estrutura que liga o Morro do Ipiranga a um camarote no Circuito Dodô. A obra, segundo ele, reforça divisões sociais no espaço público durante o Carnaval.

De acordo com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo da Bahia (CAU-BA), a passarela foi instalada em área pública protegida, inserida no Sistema de Áreas de Valor Ambiental e Cultural (SAVAM), com características de Área de Preservação Permanente em encosta integrada ao bioma da Mata Atlântica.

Para Humberto, a construção simboliza a separação entre diferentes públicos dentro da festa. Ele defendeu maior atenção do poder público à ocupação de áreas ambientais e ao uso do espaço urbano durante o período carnavalesco.

Homenagem e posicionamento político

A visita ao observatório incluiu homenagem promovida pelo Olodum, reconhecendo a atuação do vereador em pautas relacionadas à cultura afro-brasileira e aos direitos sociais. O encontro reuniu representantes do bloco e apoiadores do mandato.

Durante o pronunciamento, Humberto reiterou que a capital baiana apresenta índices elevados de desigualdade e que o Carnaval, por sua dimensão econômica, pode servir como instrumento de inclusão.

Ele concluiu afirmando que a discussão deve envolver trabalhadores, artistas, blocos e gestores públicos para construir um modelo de festa mais equilibrado financeiramente.


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