No Dia Nacional do Diabetes, celebrado na última quinta-feira (26/06/2025), profissionais de saúde alertam para uma conexão frequentemente negligenciada: os efeitos do diabetes no sistema digestivo. Na Bahia, onde cerca de 8% da população adulta convive com a doença, segundo a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), muitos pacientes desconhecem que sintomas gastrointestinais podem estar diretamente relacionados ao controle glicêmico.
A endocrinologista Marina Cabral, da CliaGEN, explica que o diabetes pode afetar o funcionamento do trato gastrointestinal devido à neuropatia autonômica, condição provocada por danos nos nervos que controlam o sistema digestivo.
“Existe uma interação significativa entre diabetes e o trato digestivo, muitas vezes subestimada tanto por pacientes quanto por profissionais”, destaca.
A especialista reforça que há uma via de mão dupla: o diabetes pode provocar alterações digestivas, ao mesmo tempo que distúrbios gastrointestinais dificultam o controle da glicemia, criando um ciclo que exige monitoramento contínuo. Entre os problemas mais comuns estão gastroparesia, refluxo gastroesofágico, constipação e diarreia intermitente.
Gastroparesia e outros sintomas associados
A gastroparesia é uma condição em que o esvaziamento do estômago ocorre de forma lenta, o que pode causar náuseas, vômitos após as refeições e sensação de estômago cheio precocemente. Já a constipação e o refluxo são relatados com maior frequência por pacientes com diabetes tipo 2, especialmente quando associados à obesidade e à síndrome metabólica.
Segundo a Dra. Marina, a gastroparesia tende a ser mais prevalente em pacientes com diabetes tipo 1, particularmente naqueles com longo histórico da doença e controle glicêmico inadequado. Já no tipo 2, são mais frequentes doenças hepáticas, como a esteatose hepática, além de sintomas como azia e alterações no hábito intestinal.
Sinais de alerta e medicamentos relacionados
A médica recomenda atenção a sintomas persistentes, como náuseas frequentes, vômitos sem causa aparente, dor abdominal, diarreia contínua ou constipação grave. Qualquer um desses sinais deve ser motivo para avaliação médica.
Além disso, alguns medicamentos para controle do diabetes também interferem no sistema digestivo. A endocrinologista menciona os agonistas do receptor de GLP-1, como a semaglutida, que ajudam a controlar a glicemia e retardam o esvaziamento gástrico, podendo ser benéficos em casos específicos.
Importância do acompanhamento multidisciplinar
A especialista conclui que a saúde digestiva deve ser considerada parte integrante do tratamento do diabetes. Distúrbios no trato gastrointestinal interferem na absorção de nutrientes, impactam o controle metabólico e afetam diretamente a qualidade de vida do paciente.
“Diabetes bem controlado está diretamente associado à manutenção da saúde digestiva, funcionalidade e autonomia do indivíduo”, ressalta.


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