Novas diretrizes devem transformar o tratamento de diabetes e obesidade, integrando cirurgia e medicação

O Dia Mundial do Diabetes, celebrado em (14/11/2024), serve como um lembrete da necessidade de aprimorar as estratégias de tratamento para uma das doenças mais prevalentes no mundo. No Brasil, cerca de 8,9% da população é afetada pelo diabetes, segundo dados do Ministério da Saúde. Em resposta a essa crescente demanda, a Federação Internacional de Cirurgia da Obesidade e Distúrbios Metabólicos (IFSO) anunciou a publicação iminente de diretrizes globais que orientarão o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Essas novas recomendações, que devem ser publicadas nas próximas semanas na revista científica British Journal of Surgery, visam a integração dos tratamentos cirúrgico e farmacológico para o controle dessas condições, otimizando os resultados terapêuticos e oferecendo alternativas mais personalizadas para os pacientes.

De acordo com o Dr. Ricardo Cohen, presidente da IFSO, o tratamento de doenças metabólicas, como o diabetes tipo 2 e a obesidade, deve seguir um modelo individualizado, assim como ocorre em outras doenças crônicas complexas, como o câncer. Em sua previsão, as novas diretrizes irão estabelecer uma abordagem coordenada entre a cirurgia bariátrica e o uso de medicamentos, determinando quais pacientes se beneficiarão mais de cada modalidade, ou da combinação de ambas. Cohen ressalta que, devido à natureza multifacetada dessas doenças, não existe uma solução única. Para alguns pacientes, a cirurgia será a melhor opção, enquanto para outros, os medicamentos podem ser mais eficazes. A combinação dos tratamentos deverá ser aplicada conforme o perfil e a evolução do quadro clínico de cada paciente.

Essas diretrizes representam um avanço importante no tratamento do diabetes e da obesidade, mas, enquanto a ciência e as práticas médicas avançam, a implementação das novas estratégias enfrenta desafios significativos, especialmente no Brasil. Embora o acesso a tratamentos médicos tenha melhorado ao longo dos anos, ainda há dificuldades substanciais, principalmente para a população de baixa renda, em acessar cuidados de saúde de qualidade, como a cirurgia metabólica e medicações de alto custo.

Diretrizes para o Brasil

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO) estão trabalhando em conjunto na elaboração de diretrizes nacionais que guiarão o tratamento dessas doenças no país. O desenvolvimento dessas orientações começou em março de 2023, com a previsão de publicação em 2025 na revista ABCD (Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva). Para o presidente da SBCBM, Antônio Carlos Valezi, é fundamental que o Brasil adote práticas que integrem as novas abordagens cirúrgicas e medicamentosas, levando em consideração as realidades locais e as dificuldades enfrentadas pela população, especialmente no acesso ao tratamento de diabetes tipo 2 no Sistema Único de Saúde (SUS).

Acesso ao tratamento no Brasil

A pesquisa Vigitel 2023 mostra que o diabetes tipo 2 tem uma prevalência significativa no Brasil, com índices que variam de 5,6% em Rio Branco a 12,1% em São Paulo. O país registra que nove em cada dez casos de diabetes são do tipo 2, comumente associados à obesidade. Apesar do aumento do número de diagnósticos, o acesso ao tratamento adequado continua sendo um obstáculo. Segundo dados da SBCBM, menos de 1% da população que atende aos critérios médicos pode acessar a cirurgia metabólica, um tratamento altamente eficaz no controle do diabetes tipo 2.

O Dr. Valezi aponta que a falta de acesso a tratamentos adequados gera custos altos para o sistema de saúde pública, uma vez que complicações do diabetes, como doenças cardíacas, derrames, falência renal e cegueira, exigem tratamentos caros e contínuos. “É muito mais barato ter um bom controle da diabetes do que lidar com complicações graves que exigem tratamentos de longo prazo, como diálise ou atendimento para doenças cardiovasculares”, argumenta o médico.

O que é a cirurgia metabólica?

A cirurgia metabólica, uma abordagem alternativa à cirurgia bariátrica, tem se mostrado eficaz não apenas na redução de peso, mas também no controle do diabetes tipo 2. A intervenção cirúrgica ajuda a aumentar a produção de GLP-1, um hormônio que estimula a produção de insulina pelo pâncreas, o que ajuda a regular os níveis de açúcar no sangue. A cirurgia é especialmente indicada para pacientes cujo tratamento clínico falhou, mas os critérios para a realização do procedimento são rigorosos. Para ser elegível, o paciente deve ter um índice de massa corporal (IMC) entre 30 e 34,9, idade entre 30 e 70 anos e diagnóstico de diabetes tipo 2 por no mínimo dois anos e no máximo dez anos.


Tags


Deixe um comentário


Discover more from News Veritas Brasil (NV)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading